08
jan
10

Os 10 Melhores Discos Nacionais e Internacionais de 2009

Charles Antunes

Álbuns selecionados sem ordem de preferência.

Nacionais



Maria Gadú – Maria Gadú (Som Livre)

Céu – Vagarosa (Urban Jungle – Universal)

Jane Duboc e Victor Biglione -Tributo a Ella Fitzgerald (Rob Digital)

Ná Ozzetti – Balangandãs (Biscoito Fino)

Ney Matogrosso – Beijo Bandido (EMI)

Nego – Vários (Biscoito Fino)

Caetano Veloso – Zii e Zie (Universal)

Tiê - Sweet Jardim (Warner)

Mariana Aydar – Peixes, Pássaros, Pessoas (Universal)

João Bosco – Não Vou Pro Céu, Mas Já Não Vivo No Chão (Universal)


Internacionais

Bruce Springsteen – Working On A Dream (Columbia)

Pete Yorn & Scarlett Johansson – Break Up (Warner)

U2 – No Line On The Horizon (Universal)

Bob Dylan –Together Through Life (Sony- BMG)

Wilco – The Album (Warner)

Florence And The Machine – Lungs (Island)

Animal Collective – Merriweather Post Pavilion (Domino)

Dirty Projectors – Bitte Orca (Domino)

Franz Ferdinand – Tonight (Universal)

Antony And The Johnsons – The Crying Light (Secretly Canadian)


08
jan
10

Os 10 melhores filmes de 2009

Os 10 melhores filmes de 2009:


Bastardos Inglórios – Quentin Tarantino

O filme narra as ações de um esquadrão do exército americano formado por judeus em missões de captura e morte de nazistas.

Distrito 9 – Neill Blomkamp

O filme se passa na África do Sul. O  Apartheid é direcionado aos ETs, que vivem confinados numa gigantesca favela. A ação é registrada em forma de documentário.



A Partida – Yojiro Takita

Violoncelista perde emprego quando a Orquestra em que toca é desfeita. Ele começa a trabalhar em uma função um tanto quanto peculiar: preparar corpos para o funeral. Ao mesmo tempo em que toma gosto pelo ofício, também é marginalizado pela esposa e amigos.

Grand Torino – Clint Eastwood

Mais um acerto de Eastwood.  O roubo de um carro aproxima culturas e em meio ao preconceito surge uma grande amizade.

Star Trek – J.J. Abrams

Baseado na série clássica Star Trek, Abrams narra a juventude e a formação da tripulação da S.S. Enterprise.

Abraços Partidos – Pedro Almodóvar

Histórias e personagens se entrelaçam numa trama que aos poucos revela seus fios.


500 Dias Com Ela – Marc Webb

O filme narra em forma de diário o relacionamento de Tom e Summer. O rapaz relembra de forma aleatória momentos da relação para entender por que acabou.


Amantes – James Gray

Um homem dividido entre a paixão por uma mulher comprometida e um relacionamento maduro e promissor com a filha de amigos dos pais.


O Curioso Caso de Benjamin Button – David Fincher

Baseado no livro de F. Scott Fitzgerald, a história fantástica de Benjamin Button. Ele nasce ancião e no decorrer dos anos vai rejuvenescendo, ao contrário dos seus familiares e amigos.



Watchmen – Zack Snyder

Baseado na HQ de Alan Moore e Dave Gibbons. O filme narra em flashback a trajetória do grupo de vigilantes mascarados a partir da morte do Comediante, um dos poucos na ativa após o grupo ser desfeito em 1985. Outro integrante do grupo, o anti-herói Rorschach, não acredita na morte acidental ou suicídio do colega, e sim num complô para o extermínio dos heróis mascarados.

24
dez
09

Doze Temas Natalinos

Charles Antunes

No mês de dezembro várias músicas embalam a confraternização e despertam o “Espírito Natalino”. As canções são tocadas no comércio, na TV, nas festas das empresas, e principalmente, nas residências. Abaixo uma lista com 12 desses temas natalinos:

Band Aid -  Do They Know it’s Christmas?: O projeto idealizado por Bob Geldof e Midge Ure, uniu dezenas de grandes nomes da música britânica no Natal de 1984.  A gravação seria revertida em prol das vítimas da fome na Etiópia. No ano seguinte os astros da música americana, liderados por Michael Jackson e Lionel Richie gravaram o disco USA for Africa, com o mesmo propósito.

John Lennon – Happy Xmas (War is Over): Canção de autoria de John Lennon e Yoko Ono, e que encerra o lado B do disco Shaved Fish(1975) se tornou um clássico natalino.

Andrea Bocelli & The Muppets – Jingle Bells: Gravado no The Kodak Theatre in Hollywood. A gravação faz parte do álbum Andrea Bocelli & David Foster: My Christmas (2009).

Luciano Pavarotti & Sting – Panis Angelicus: Na série de concertos Pavarotti and Friends realizados durante a década de 1990, o tenor italiano interpretou temas da música lírica e popular ao lado de gtandes nomes da música pop.

Bing Crosby -White Christmas: Gravação tirada do filme Holiday Inn (Paramount, 1942)  música composta por Irvin Berlin.

Elvis Presley – O Holly Night: O rei do rock gravou vários discos com repertório gospel e também com música natalina.

Dolores O’Riordan – Ave Maria: A cantora dos Cranberries, com o sotaque irlandês, também interpretou a música centenária de Schubert.

Bruce Springsteen – Santa Claus is Coming to Town: The Boss canta o hino natalino num show de 2007.

Frank Sinatra – Let It Snow, Let It Snow, Let It Snow: O maior de todos os cantores gravou vários discos de natal.

Anna Netrebko – Pie Jesu: Interpretação da soprano russa, uma das divas da música lírica do século XXI.

Ray Cummings – Jingle Bell Rock: Apresentação para TV e presente no disco Pure Christmas.

John Denver & Muppets – We Wish You A Merry Christmas: Mais um grande sucesso natalino com a participação dos Muppets.

-

23
dez
09

Os 50 anos de carreira de Roberto Carlos

Charles Antunes

Roberto Carlos vem fazendo concessões em sua profissâo desde os anos 90. Em 2008, gravou bossa nova em parceria com Caetano Veloso. Esse ano, o cantor e compositor participou do tributo Elas Cantam Roberto, show com 20 cantoras interpretando seu repertório. Ele até se soltou em entrevista para o Globo Repórter.

Para comemorar  50 anos de carreira, pela primeira vez, se apresentou no Estádio do Maracanã. O “Rei”, em mais de duas horas de show, cantou  de forma mais descontraída que o habitual. Ele dividiu o espetáculo em blocos temáticos com os sucessos que permanecem vivos e nostálgicos na memória da maioria dos brasileiros.

Ele contou com participação especial do irmão camarada Erasmo Carlos, seu parceiro de muitas jornadas. Erasmo interrompeu a música Amigo e deu um depoimento emocionado sobre a amizade e a parceria de longa data. Os dois choraram, e garanto que muitos na plateia também.

O cantor e compositor é patrimônio da cultura brasileira. Suas músicas são    conhecidas e apreciadas tanto pelas classes mais baixas quanto pela elite. O artista já gravou e foi gravado em inglês, espanhol, francês e italiano. As pessoas com mais de 30 anos, certamente tem alguma lembrança  despertada pela música de Roberto. Quando assisti ao show, várias daquelas canções me remeteram a alguma passagem da minha infância.

Desde o final da década de 1980, Roberto Carlos já não apresenta trabalhos e músicas relevantes. De 1997 em diante não compôs muito. Foram lançadas coletâneas ou discos com poucas faixas inéditas. Com a morte da esposa Maria Rita em 1999, não lançou o tradicional disco anual, e nem mesmo teve condições de gravar o Especial para Rede Globo.

Roberto vem apresentando o show Emoções em Alto Mar, a bordo de um navio desde 2004. Para o Natal de 2009, a Nestlé lançou panetones explorando a imagem e as cores favoritas de RC, em suas latas.

Mesmo não produzindo música relevante nos últimos 15 anos, o “Rei”, não perdeu a majestade, e atrai milhares de pessoas às suas apresentações ao vivo. É capaz de emocionar várias gerações com sua música. Parabéns ao artista mais popular e de maior vendagem que o país já teve. “Longa vida ao Rei!”

23
dez
09

CD: Maria Gadú, Maria Gadú (2009)

Charles Antunes

A paulistana Maria Gadú brinca de compor e cantar desde os sete anos. Aprendeu a tocar piano e violão sem que, no entanto,  se prendesse aos métodos de ensino musical. Ela preferiu buscar seu próprio estilo, seja nas suas composições ou na forma de cantar (timbre entre Marisa Monte e Mônica Salmaso).

Aos treze anos já fazia shows em bares e animava as festas da família. Ela literalmente buscou seu sonho ao percorrer festivais da Europa, e em uma breve passagem pelo Rio de Janeiro, antes mesmo de gravar o primeiro disco, arrancou elogios de críticos, músicos e do público em apresentações na noite carioca. O produtor Rodrigo Vidal confiou na força das canções da jovem cantora para que ela pudesse gravar seu “debut álbum” pelo recém-inaugurado selo Slap/Som Livre.

O visual punk lembra a cantora Cássia Eller.  As comparações ficam por conta da estética. Enquanto Cássia era mais enérgica e debochada, Maria Gadú prima pela suavidade. A cantora e violonista aos 22 anos apresenta um álbum autoral com pouco espaço para interpretações, e mesmo assim, nesses momentos ela esbanja personalidade.

Para a gravação do disco homônimo, Vidal, responsável também pelas programações e percussão, contou com o baixista Dadi (Novos Baianos, A Cor do Som) e uma banda competente para colorir as músicas de Maria Gadú.

A diversidade marca o CD como na primeira faixa Bela Flor calcada na música regional.  Altar Particular é um chorinho embalado pelo violino de Nicolas KrassicDona Cila é uma homenagem para a avó.  Shimbalaiê foi composta aos 12 anos na Ilha Grande, a letra  explora temas da obra de Dorival Caymmi: sol e mar, e encontra semelhanças com a interpretação de Mônica Salmaso para Moro na Roça (Clementina de Jesus).

A passional Ne Me Quitte Pas de Jacques Brel, o vocal é vigoroso e ao mesmo tempo suave. A música é apresentada com andamento mais acelerado e a participação do baixista Arthur Maia. Em Tudo Diferente composta por André Carvalho, filho de Dadi, o violão acompanha a bateria discreta e o violino ilustra a letra que versa sobre a busca e o encontro, a convivência em que os opostos realmente se atraem – a música ganha o ouvinte na primeira estrofe.

Entre as releituras estão as assinaturas pessoais para  A História de Lilly Brown de Chico Buarque e Edu Lobo. Ela mantém os arranjos jazzísticos com acréscimo da harmonia do violão, a voz aveludade narra o enredo como a um filme, com direito a skat singing. O talento da jovem cantora e compositora é capaz de tirar um blues da besteira chamada Baba Baby (Kelly Key e Andinho).

Maria Gadú não é mais uma menininha, como diz a letra de Dona Cila: “Que eu vou te mostrar que eu tô pronta. Me colha madura do pé”. Ela está madura, pronta pra se tornar mais uma estrela na constelação chamada MPB.

CD: Maria Gadú, 2009
Artista: Maria Gadú
Gravadora: Slap- Som Livre

07
dez
09

CD: Soul Book, Rod Stewart (2009)

Charles Antunes

O cantor britânico de voz rouca e cabelo de palha já vendeu aproximadamente 250 milhões de discos. Desse montante, quase 20 milhões se deve a bem sucedida série Great American Songbook (quatro álbuns de regravações de standards). Em 2005, com a fórmula e o repertório esgotado, Rod Stewart partiu para segunda franquia: clássicos da música pop.

O primeiro volume da nova coleção Still the Same…Great Rock Classics of Our Time (2006) revisitou clássicos da música pop de artistas contemporâneos. Trabalho semelhante foi feito por Barry Manillow ao resgatar canções das décadas de 50, 60, 70 e 80 e apresentá-las com arranjos para big band.

No ano passado Seal já havia gravado um disco com clássicos da soul music para homenagear os 50 anos da gravadora Motown. O trabalho obteve boa repercussão e deu origem a um álbum ao vivo.

Soul Book traz alguns grandes sucessos da soul music e vários duetos. My Cherrie Amour numa versão requentada (não requintada) com a participação de Stevie Wonder, na harmônica. You Make Me Feel Brand New dos Stylistics, já teve versões bem melhores gravadas pelo Simply Red e Prince – aqui apresentada em dueto com Mary J. Blidge – na medida para programadores de FM.

A novata Jennifer Hudson faz de Let It Be Me uma das melhores faixas do disco, juntamente com You’ve Really Got A Hold On MeIf You Don’t Know Me By Now já havia recebido versão melhor em 1989 no  disco New Flame do Simply Red. O CD não é de todo ruim, porém o resultado final é um trabalho apático.

Alguns colegas de profissão de Rod Stewart insistem em gravar discos insossos, enquanto ele se acomodou interpretando sucessos de outros artistas. Como crooner ele se mantém na ativa e obtém boas vendagens, e com isso, garante uma aposentadoria confortável.

CD: Soul Book, 2009
Artista: Rod Stewart
Gravadora: Sony-BMG

29
nov
09

CD, Novembro é o mês dos Discos Natalinos, Vários Títulos

Charles Antunes

No Brasil poucos se arriscaram a gravar discos de “Christmas”. Historicamente, salvo algumas exceções bem sucedidas, por aqui esses discos não emplacam. A cantora Simone lançou 25 de Dezembro (1995) e a dupla Chitãozinho e Xororó – Em Família (1997). Um ou outro artista tentou, além dos discos com “casts” das gravadoras homenageando a data que até chegam a vender um pouco.

Entre os relançamentos A Harpa e a Cristandade de Luís Bordon, que apesar de relembrar a infância também vem carregado de melancolia. Disco natalino de grande sucesso e vendagem desde o seu lançamento em 1959. Os “best sellers” Bing CrosbyMerry Christmas, o mais famoso disco de natal; Elvis Presley – Elvis’ Christmas Album ; Frank Sinatra – A Jolly Christmas From Frank Sinatra (os três de 1957) e Stille Nacht – Die Schönsten Deutschen Weihnachtsl Fischer Chor, o grandioso coral alemão, uma das melhores pedidas para animar a ceia.

Andréa Bocelli – My Christmas, o cantor lírico italiano interpreta hinos natalinos e religiosos com a competência de sempre. Sting – If On A Winter’s Nigh…, o cantor do Police num disco de Natal com o sabor se sua produção recente, influências de musica celta e até um pouquinho de jazz.

David Archuleta – Christmas From The Heart, o segundo colocado do American Idol, num disco apenas correto; Olívia Newton John – Christmas Wish com participações de John Secada, Michael McDonald, Barry Manilow e Jann Arden, vale pelos 22 temas, apesar do resultado ser morno. Michael McDonald – This Christmas é enfadonho. Os melhores são: Neil Diamond – A Cherry Cherry Christmas; Barry Manilow – In The Swing Of Christmas e Bob Dylan…

Bob DylanChristmas in the Heart (2009), a diferença já começa pela bela capa que foge do convencional (cantor bem vestido e barbeado ao lado da árvore), afinal estamos falando de Bob Dylan. Aqui está a familiar voz anasalada entoando hinos natalinos com o acento folk peculiar de seus discos.

Em I’ll Be Home For Christmas, o vocal lembra Tom Waits. A faixa The Christmas Blues versos entoados pelo vocal encharcado de Bourbon. Dylan nos presenteia com mais um trabalho que pela pujança do conjunto pode ser ouvido mesmo depois das festas.

Mais um acerto entre os muitos do compositor, e que, pode ser colocado no patamar de qualidade de seus trabalhos apresentados nessa década.

29
nov
09

CD: Break Up, Pete Yorn & Scarlett Johansson (2009)

Charles Antunes

O músico norte-americano Pete Yorn, teve Wilco e Guided by Voices como influências. A sua música privilegia a sonoridade “low profile” e o lirismo do rock britânico dos 80’s. Ele teve a ideia de convidar a bela atriz Scarlet Johansson, a nova musa de Woody Allen, para cantar uma pequena coleção de canções influenciadas pelos duetos de Serge Gainsbourg com Brigitte Bardot.

Break Up é o resultado desse encontro que ocorreu em 2006, antes mesmo da boa recepção do álbum de estreia Anywhere I Lay My Head (2008), que revelou a porção cantora de Scarlett.

A primeira música, Relator, já conquista de primeira,  com palmas no estilo Close to Me do Cure, violão, syntetizador e a voz de Scarlett que lembra Hope Sandoval e Breeders. Na faixa Wear and Tear, o banjo e vocal de Pete com backing de Scarlett.

I Am The Cosmos de Chris Bell, guitarrista do Big Star, a única  composição que não é de autoria de Yorn, ganhou uma versão linda na voz sexy de Scarlett, uma das melhores do disco.

Em Break Up, os instrumentos acústicos sobressaem sobre os eletrônicos que servem para incrementar as ideias musicais de Yorn. O mérito para alinhavar o trabalho se deve também aos colaboradores Amir Yahmai, Max Goldblatt, e Sunny Levine que tocaram vários instrumentos e co-produziram o álbum.

O disco num todo remete a Magic Numbers, Kings of Convenience e Norah Jones, quando se distancia do jazz, principalmente o vocal de Scarlett.  O Pop econômico e despretensioso revela sofisticação e agrada do começo ao fim.

Artista: Pete Yorn & Scarlett Johansson, 2009
CD: Break Up
Gravadora: ATCO – Warner

29
nov
09

CD: Coming To Terms, Carolina Liar (2009)

Charles Antunes

Chad Wolf, compositor, guitarrista e cantor cresceu na Carolina do Sul  até se mudar para Los Angeles em busca da exteriorização da música encerrada na mente dele. Foi necessário que fosse para Estocolmo e formasse uma banda com músicos locais, e só assim poder retornar aos EUA com o merecido reconhecimento.

Pop Rock melodioso com letras mais profundas que o convencional é o que está presente em Coming To Terms do Carolina LiarI’m Not Over tem semelhanças com Coffe And TV do Blur, porém mais ritmada.

A sonoridade do Carolina Liar pode ser colocada entre Killers e  White Lies, apesar de não ser tão sisudo quanto o último.  Last Night cativa o ouvinte na primeira audição.

Em músicas como Show Me What I’m Lookin For e When You Are Near guarda semelhanças com o Keane quanto ao andamento em que o piano é o elemento harmônico.

Chad Wolf tem como lema  não se contentar com nada menos do que ser feliz e sempre sorrir. Nas canções de Coming To Terms, ele canta versos  compostos por dúvida, perda, marasmo e esperança de que as coisas mudem.

CD: Coming To Terms, 2009
Artista: Carolina Liar
Gravadora: Warner Music

29
nov
09

CD/DVD: Elas Cantam Roberto Carlos, Vários (2009)

Charles Antunes

Como parte das homenagens aos 50 anos de carreira de Roberto Carlos, 20 cantoras interpretaram músicas marcantes da carreira do compositor. Elas Cantam Roberto, disponível em DVD e CD duplo foi gravado no Teatro Municipal de São Paulo, em maio de 2009.

Para a gravação foram convidadas cantoras  populares e algumas que a maioria do público do Rei não conhecia. As intérpretes, algumas de talento duvidoso, apresentaram desde boas releituras, passando por versões beirando aos calouros dos antigos programas de Chacrinha e Silvio Santos.

O mal desses shows e discos de tributos é a escolha equivocada de quem vai interpretar o quê. As gravadoras os tratam como verdadeiros caça-níqueis, sem critério artístico. Os artistas são escalados pela popularidade, o que muitas vezes, compromete o resultado.

Para esse tipo de projeto, os bons resultados unem o talento e o esmero de produção, como os discos dedicados às canções de Roberto Carlos gravados por Maria Bethânia, As Canções Que Você Fez Pra Mim (1993 ) e Nara Leão, E Que Tudo Mais Vá Pro Inferno (1978).

Elas Cantam Roberto abre com uma interpretação sutil de Hebe Camargo para a canção Você Não Sabe. Fernanda Abreu reforça o ritmo funkeado de Todos Estão Surdos, uma das melhores, quase tão boa quanto à versão de Chico Science  & Nação Zumbi, presente no álbum Rei (1994), homenagem dos artistas do pop rock nacional a Roberto e Erasmo.

A cantora lírica Celine Imbert não consegue bom resultado com A Distância. Sandy, a mais jovem das Divas de Roberto, com sua voz miúda e infantil não convence cantando os versos nostálgicos de As Canções Que Você Fez Pra Mim, melhor seria Bethânia que já havia gravado a música.

O pior momento, quando a atriz e cantora Marília Pêra, num misto de dramaticidade com histrionismo de Yoko Ono, “executa com um tiro na cabeça”  120…150…200 km por Hora. A interpretação dela  lembra um bêbado que insiste em cantar no Karaokê às 3h  da manhã. Sabe quando você tem vergonha alheia, então… eu senti naquele momento.

A maioria das interpretações não compromete o resultado, porém a produção deixou o disco com a sonoridade abafada e bateria opaca, não dá pra sentir a suntuosidade dos arranjos das músicas. Elas Cantam Roberto parece um registro pirata dos anos 80 e 90,  quando shows eram gravados sem o consentimento dos artistas, e consequentemente, sem qualidade técnica.

No final, o Rei canta uma música presente em todos os seus shows Emoções, e depois  divide o microfone com todas as Divas num momento de reciprocidade entre o homenageado, cantoras e plateia, na emocionante Como é Grande o Meu Amor Por Você.

CD/ DVD: Elas Cantam Roberto, 2009
Artista: Vários
Gravadora: Sony – BMG




 

fevereiro 2010
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