23
dez
09

CD: Maria Gadú, Maria Gadú (2009)

Charles Antunes

A paulistana Maria Gadú brinca de compor e cantar desde os sete anos. Aprendeu a tocar piano e violão sem que, no entanto,  se prendesse aos métodos de ensino musical. Ela preferiu buscar seu próprio estilo, seja nas suas composições ou na forma de cantar (timbre entre Marisa Monte e Mônica Salmaso).

Aos treze anos já fazia shows em bares e animava as festas da família. Ela literalmente buscou seu sonho ao percorrer festivais da Europa, e em uma breve passagem pelo Rio de Janeiro, antes mesmo de gravar o primeiro disco, arrancou elogios de críticos, músicos e do público em apresentações na noite carioca. O produtor Rodrigo Vidal confiou na força das canções da jovem cantora para que ela pudesse gravar seu “debut álbum” pelo recém-inaugurado selo Slap/Som Livre.

O visual punk lembra a cantora Cássia Eller.  As comparações ficam por conta da estética. Enquanto Cássia era mais enérgica e debochada, Maria Gadú prima pela suavidade. A cantora e violonista aos 22 anos apresenta um álbum autoral com pouco espaço para interpretações, e mesmo assim, nesses momentos ela esbanja personalidade.

Para a gravação do disco homônimo, Vidal, responsável também pelas programações e percussão, contou com o baixista Dadi (Novos Baianos, A Cor do Som) e uma banda competente para colorir as músicas de Maria Gadú.

A diversidade marca o CD como na primeira faixa Bela Flor calcada na música regional.  Altar Particular é um chorinho embalado pelo violino de Nicolas KrassicDona Cila é uma homenagem para a avó.  Shimbalaiê foi composta aos 12 anos na Ilha Grande, a letra  explora temas da obra de Dorival Caymmi: sol e mar, e encontra semelhanças com a interpretação de Mônica Salmaso para Moro na Roça (Clementina de Jesus).

A passional Ne Me Quitte Pas de Jacques Brel, o vocal é vigoroso e ao mesmo tempo suave. A música é apresentada com andamento mais acelerado e a participação do baixista Arthur Maia. Em Tudo Diferente composta por André Carvalho, filho de Dadi, o violão acompanha a bateria discreta e o violino ilustra a letra que versa sobre a busca e o encontro, a convivência em que os opostos realmente se atraem – a música ganha o ouvinte na primeira estrofe.

Entre as releituras estão as assinaturas pessoais para  A História de Lilly Brown de Chico Buarque e Edu Lobo. Ela mantém os arranjos jazzísticos com acréscimo da harmonia do violão, a voz aveludade narra o enredo como a um filme, com direito a skat singing. O talento da jovem cantora e compositora é capaz de tirar um blues da besteira chamada Baba Baby (Kelly Key e Andinho).

Maria Gadú não é mais uma menininha, como diz a letra de Dona Cila: “Que eu vou te mostrar que eu tô pronta. Me colha madura do pé”. Ela está madura, pronta pra se tornar mais uma estrela na constelação chamada MPB.

CD: Maria Gadú, 2009
Artista: Maria Gadú
Gravadora: Slap- Som Livre

Anúncios

0 Responses to “CD: Maria Gadú, Maria Gadú (2009)”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s


tweets

Anúncios

%d blogueiros gostam disto: