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CD: Scratch My Back, Peter Gabriel (2010)

Charles Antunes Leite

Peter Gabriel desde os tempos em que liderava o Genesis já apresentava qualidades que o diferenciava dos colegas de banda. O trabalho com o grupo limitava sua criatividade e inviabilizava experimentações que só a carreira solo possibilitaria.

Enquanto Phil Collins continuou com a banda enveredando para a música cada vez mais pop; Gabriel assimilou a sonoridade da música étnica que conheceu “in loco” – muito antes do termo world music se tornar conhecido. As suas pesquisas musicais o impulsionaram a criar a gravadora Real World para lançar comercialmente artistas dos cantos mais recônditos do planeta.

Geralmente os artistas tendem a gravar covers em seus primeiros trabalhos vide Beatles e Rolling Stones. Peter Gabriel em Scratch My Back faz o caminho inverso. Ao atingir a maturidade artística sentiu que era o momento para recriar músicas de artistas que admira.

Gabriel reinventa clássicos da música pop da geração dele e músicas de artistas cult contemporâneos. O projeto prevê a gravação de um outro disco no qual os artistas regravados possam fazer versões de composições dele.

Scratch My Back foi desenvolvido em parceria com Bob Ezrin (Pink Floyd) e concebido com arranjos de John Metcalfe, parceiro de Vinnie Reilly (Durutti Collumn). A crueza das guitarras e da bateria foi trocada pela suavidade dos arranjos sinfônicos a cargo da London Scratch Orchestra.

Em Après Moi, a economia do piano e voz de Regina Spektor recebeu uma versão com arranjos de cordas e clima de soundtrack. Mirrorball, apesar de não ter sido composta por Gabriel, é a típica composição “gabrieliana” – não ficou muito diferente da original do Elbow.

Philadelphia de Neil Young, composta para a trilha do filme homônimo, recebeu o acréscimo de cordas e ficou tão boa quanto a original. A participação do The Choir of Christ Church Cathedral Oxford proporciona um clima épico à ótima My Body Is A Cage do Arcade Fire.

Street Spirit (Fade Out), coincidência ou não, tanto em Scratch My Back quanto no disco The Bends do Radiohead, ocupa a 12ª posição e fecha o álbum. Na voz de Gabriel, a canção é declamada sob um piano minimalista enquanto na original Thom Yorke, com sua voz frágil, canta guiado sutilmente por guitarra e bateria.

Apesar de Heroes ter ficado aquém da original, imortalizada por David Bowie, isso não compromete a beleza do conjunto.

CD: Scratch My Back, 2010
Artista: Peter Gabriel
Gravadora: EMI

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2 Responses to “CD: Scratch My Back, Peter Gabriel (2010)”


  1. outubro 28, 2011 às 12:57 pm

    é uma pena que artistas coverizados neste album ainda não se propuseram a criar covers para as cançoes de Peter. um belíssimo trabalho. naum vejo a hora de ver o novo show dele no SWU.


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