01
jan
11

Os 10 melhores discos internacionais de 2010

Charles Antunes Leite

Joanna Newsom – Have One on Me

A harpista pop americana Joanna Newsom colaboradora em discos de outros artistas e com três discos na bagagem finalmente chega ao seu melhor trabalho. O CD anterior Ys era composto por cinco longas faixas na tradição do rock progressivo e a capa remetia ao gênero também. O vocal infantil no estilo Bjork, Coco Rosie, Regina Spektor, e até, Kate Bush – à primeira audição causa estranheza. As letras são narrativas esotéricas, bucólicas e tudo que estiver a sua volta pode virar assunto e se tornar música. Have One on Me seria ambicioso mesmo se lançado trinta anos antes: álbum triplo como não se via desde os discos de artistas como Yes. O álbum apresenta influências de folk e detalhes instrumentais sutis que devem ser ouvidos com calma. É algo meio difícil para quem está acostumado à audição “randômica” de música em MP3, mas só assim poderá tirar proveito desse grande disco.

Brian Wilson – Reimagines Gershwin

A banda Beach Boys foi o principal expoente da surf music dos sixties. A genialidade de seu líder Brian Wilson, só foi superada pela dupla Lennon e McCartney. Wilson é tão criterioso e profissional que demorou mais de trinta anos para lançar Smile (1966/2004).
Gershwin (George e Ira) estão entre os compositores mais populares dos Estados Unidos. A música deles alia os arranjos sinfônicos com elementos de jazz.
Wilson orquestrou algumas das mais conhecidas peças do compositor americano e transpôs para a ensolarada Califórnia. Deixou-as composições mais suaves e alegres. Os arranjos orquestrais estão lá, e em alguns momentos, são vistos pela personalidade de Wilson como ao acrescentar vocais dobrados no melhor estilo Beach Boys para acompanhar a orquestração em Rhapsody in Blue. Em alguns momentos, o clima é de baile como em I’ve Got a Crush on You; I Got Rhythm ficou com a levada de I Can Hear Music dos BB. O disco ainda traz duas canções inacabadas de Gershwin e finalizadas por Brian Wilson: The Like in I Love You e Nothing But Love. Ele fez o que Gershwin faria se vivesse na Califórnia e não em New York.

Arcade Fire – The Suburbs

O terceiro disco do septeto canadense mantém o nível dos trabalhos anteriores. Nas músicas nota-se algumas pitadas de Springsteen, Neil Young, Mike Scott e também de grupos da gravadora Rough Trade e 4AD, entre outros. A música deles utiliza eletrônica, arranjos orquestrais e instrumentos acústicos, sem que eles se debrucem em uma fórmula pré-concebida. A cada faixa podem acrescentar ou subtrais elementos que lembram o bom pop da década de 1980 ou o indie do século 21. O tom melancólico das letras e melodias é mais uma característica de algumas de suas referências.

Gil Scott-Heron – I’m New Here

Scott-Heron é um poeta a serviço das causas afro-americanas  que se expressa através da fusão de soul, jazz e ritmos latinos e pode ser considerado o pai do rap. Lançou o primeiro disco em 1970, mas se tornou conhecido com o disco e música The Revolution Will Not Be Televised (1974). Nos últimos anos ele esteve envolvido com drogas e passagens pela polícia. O estilo falado de suas canções (narrativas musicadas), adotado pelos rappers continua presente, no entanto menos orgânico. I’m New Here tomou dezoito meses de trabalho do artista, que ao contrário de trabalhos anteriores, preferiu o suporte eletrônico ao invés do acompanhamento de uma banda. O que importa é que ele continua com o discurso afiado e consegue dar o recado.

Sharon Jones & The Dap-Kings – I Learned the Hard Way

A sonoridade “fake” de cantoras do neo soul é real na carreira de Sharon Jones, a mais velha das cantoras do gênero, nasceu em 1956, mas só gravou o primeiro disco em 2001. A banda Dap Kings, que toca com ela, gravou e excursionou com a inglesa Amy Winehouse. A norte americana Sharon Jones segue a tradição das cantoras de soul que iniciaram cantando na igreja, utiliza nos discos instrumentos e equipamentos de época aliados a sua voz e qualidade de intérprete e o respaldo dos Dap Kings recria verdadeiramente a atmosfera dos 60’s, o que pode ser ouvido em I Learned the Hard Way.

Charlie Haden and Quartet West – Sophisticated Ladies

O baixista Charlie Hadden fundador da Liberation Music Orchestra vem construindo uma sólida carreira no jazz. Não se prendeu a rótulos ou se fechou para influências e parcerias. Trabalhou com músicos de várias nacionalidades inclusive com Egberto Gismonti no selo ECM.
Sophisticated Ladies foi gravado com a sua habitual banda Quartet West e teve a participação de cantoras para executar versões de standards americanos. São intérpretes contemporâneas de várias idades e correntes musicais, desde a jovem e talentosa Melody Gardot, passando pela pianista de jazz pop Norah Jones até a soprano Renée Fleming.

Gorillaz – Plastic Beach

O Gorillaz, o projeto de Damon Albarn (Blur) é mais eclético que os anteriores. Como sempre vem acompanhado pelos convidados mais inesperados. Desta vez  Lou Reed, o rappers Snoop Dog, De La Soul, Mos Def, Mark E. Smith (Fall) e o soul man Bobby Womack e para engrossar a mistura The National Orchestra of Arabic Music e o Hypnotic Brass Ensemble (músicos de jazz/hip hop) e uma aparição inédita de Mick Jones e Paul Simonon (Clash) que não tocavam juntos desde a dissolução da banda.

Dizzy Gillespie -Dizzy Gillespie no Brasil com Trio Mocotó

Foram encontradas gravações inéditas de Dizzy Gillespie e Trio Mocotó feitas no Brasil em 1974. As gravações ocorreram no Estúdio Eldorado, durante uma visita de Dizzy ao país. A gravação marca o encontro do influente inventor do Bee Bop com os ases do samba-rock. O disco deveria ter sido lançado em 1975, mas acabou não saindo das fitas. São oito composições inéditas que ficaram 35 anos engavetadas, o que torna mais interessante a audição.

National –  High Violet

O The National sempre esteve a sombra de outras artistas indie, o que começou a mudar com Alligator (2005) e manteve a pegada para arregimentar um pequeno e fiel grupo de admiradores com as músicas melancólicas e agridoces cantadas por Matt Berninger. High Violet é a continuação lógica na escalada para o estrelato mesmo porque trocaram figurinhas com Richard Parry (Arcade Fire) quando fizeram um projeto para gravação de um disco natalino ao lado de Sulfjan Stevens.

John Legend & The Roots – Wake Up!

O cantor de soul/ rhythm blues John Legend e o grupo The Roots se uniram para gravar Wake Up! A parceria tinha tudo pra dar certo e deu. O clima das músicas, os vocais e a parte instrumental lembram a cada faixa algum momento perdido nos anos sessenta e setenta. São músicas de uma época em que havia preocupação política e social: Guerra do Vietnã, Os Panteras Negras. Eles captaram isso nas grandes releituras de clássicas canções da american black music. Destaque para a faixa de abertura Hard Times e Wake Up Everybody com  as participações de Common e Melanie Fiona.

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