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jan
11

Os 10 Melhores discos nacionais de 2010

Charles Antunes Leite

Jeneci – Feito para Acabar

Marcelo Jeneci aos 17 anos já tocava na banda de Chico César, mas até o lançamento de Feito para Acabar, se amparava em duas músicas no MySpace. Mas a Internet é capaz de reverberar informação e abrir portas, e foi o que ocorreu com esse paulistano que esperou 27 anos para gravar seu próprio disco. O multi-instrumentista utiliza como fonte de inspiração o indie e até o brega como referências e sabe fazer com que tais ingredientes se tornem os quitutes desse álbum de estréia. As mãos do produtor Kassin e a banda formada por Curumim (bateria), Edgar Scandurra (guitarras) e Regis Damasceno e a cantora Laura Laviere contribuem para esse “debut” de Jeneci . O álbum tem como atrativo a apresentação das letras das canções que não estão dispostas num encarte, mas em cartões individuais. Jeneci está presente em duas trilhas globais e traz na bagagem parcerias com Chico César, Vanessa da Mata, Zélia Duncan e Arnaldo Antunes. O próprio Arnaldo ao conhecê-lo disse: “Ele é um caso de instrumentista brilhante que tem sensibilidade para fazer canções, sabe adequar letra e melodia. Muitos virtuoses não sabem unir som e texto.” Jeneci se tornou tecladista da banda de Arnaldo Antunes.

Seu Jorge  & Almaz – Seu Jorge & Almaz

O que era uma ação entre amigos para uma trilha sonora há alguns anos, agora retorna no formato de um supergrupo e com um álbum. Seu Jorge; o compositor de trilhas Antônio Pinto (Colateral, O Amor nos Tempos do Cólera);  Lúcio Maia (guitarra) e Pupillo (bateria), membros do Nação Zumbi, em releituras bem pessoais de músicas que vão de Kraftwerk à Nélson Cavaquinho. Uma das melhores é a versão “viajandona” de The Model dos pais do tecnopop.

Maquinado – Mundialmente Anônimo

Mundialmente Anônimo – O Magnético Sangramento da Existência é o segundo disco do projeto Maquinado do guitarrista Lúcio Maia do Nação Zumbi. Enquanto o Nação tem na percussão a sua essência, Maquinado prima pelo uso de guitarras orgânicas em direção ao rock, incluindo elementos de hip-hop, psicodelia e ritmos brasileiros. Ele contou com a participação da cantora Lourdes da Luz (Mamelo Sound System). No disco, Maia assume os vocais em sete faixas.

André Abujamra – Mafaro

André Abujamra, desde os tempos de Os Mulheres Negras (a terceira menor big band do mundo) e o Karnak (doze integrantes e um cachorro) vem direcionando sua música para diversidade e mistura de estilos e  ritmos, agora evidenciado nesse Mafaro. A concepção de MPB proposta por Abujamra vem do caldeirão de referências de André, homem viajado, e que  chegou a excursionar pelo mundo munido de um gravador para coletar sonoridade do leste europeu, África, Oriente e países latinos. Ele assimilou referências musicais tão dispares dessas regiões somadas aos ritmos brasileiros. Mafaro, ao contrário do que se possa imaginar, não é indigesto e se revelou uma mistura palatável.

Jair de Oliveira – Sambajazz

Jair de Oliveira, passada a fase Balão Mágico, cresceu, estudou música e se tornou produtor. Nesse CD e Livro, o artista prova a maturidade e criatividade artística peculiar às suas raízes. Ele esbanja competência com um disco recheado de samba e jazz e assina 15 das 17 faixas. O disco cumpre o que promete e lembra Marcos Valle e João Donato, que provavelmente ele ouviu muito. O trabalho gráfico é um atrativo à parte em tempos de MP3. O CD vem encartado num livro em que autor documenta o processo de criação do álbum.

João Donato e Paula Morelenbaum – Água

João Donato construiu uma carreira como um dos pilares da bossa nova. Paula Morelembaum se revelou como cantora no grupo de Tom Jobim em álbuns como Passarim (1986). Entre 1998 e 2001 gravou com o marido Jacques Morelenbaum, Paulo Jobim e Ryuki Sakamoto até se aventurar em dois álbuns solo, dos quais foi bem sucedida. No CD Água eles buscaram a atemporalidade de canções. Sem a preocupação com a tradição ou modernidade, num objetivo que é somente fazer música (boa música). Para tanto, a diversidade dos arranjadores do disco: Marcos Cunha, Alex Moreira, Jacques Morelenbaum, Léo Gandelman, Kassin, Beto Villares, Bossacucanova e Donatinho (filho do homem). Usaram o que a modernidade tem de salutar, os equipamentos eletrônicos, aliados aos instrumentos tradicionais – tudo isso sem perder a unidade.

Mauro Senise e Gilson Peranzzetta – Linha de Passe

Linha de Passe trabalho que une dois dos grandes músicos brasileiros na ativa: Mauro Senise (sax, sax alto, flauta) e Gilson Peranzzetta (pianista e arranjador). Era muito aguardado o encontro desses dois craques da música. Eles provam desde a primeira faixa a disposição de jogar no ataque em tabelinhas em que ora um, ora o outro dá o passe para o gol como em Linha de Passe (João Bosco / Paulo Emílio / Aldir Blanc), Tico Tico no Fubá (Jose Gomes de Abreu/ Miguel De Lima Mattos) ou Brasileirinho (Waldir Azevedo), só para citar algumas jogadas. O ouvinte vibra a cada lance (compasso) jogada. No final Linha de Passe promove uma goleada musical.

Alzira E – Pedindo a Palavra

Alzira Espíndola, ou simplesmente Alzira E, é cantora e compositora e foi parceira do falecido Itamar Assumpção, figura contundente e irreverente do circuito artístico paulistano da década de 1980. Ela teve posteriormente parcerias notáveis com a poetisa Alice Ruiz e Ney Matogrosso. Pedindo a Palavra revela ótimos resultados da união entre poesia e música proposta por Alzira que não precisa pedir a palavra porque ela se impõe aos ouvidos.

Tulipa Ruiz – Efêmero

Tulipa Ruiz no seu primeiro disco solo revela o vocal agradabilíssimo e econômico em relação aos recursos para expressar sua musicalidade. Tulipa propõe em Efêmera algo contrário daquilo que o termo significa: passageiro, pouco duradouro. Em Zoologia, os “efemerídeos” são insetos que quando adultos vivem por poucas horas. Pelo contrário, o álbum de Tulipa Ruiz é perene.


Mombojó – Amigo do Tempo

É a reaproximação e reestruturação da banda que vem do revés que foi a saída do multi-instrumentista Marcelo Campello e a perda do flautista Rafael Torres, morto em 2007. Cinco das onze músicas foram produzidas por Pupillo, baterista do Nação Zumbi. O álbum surgiu de um retiro da banda, em 2009, para um sítio em Aldeia. O clima, inicialmente, despreocupado de ensaios e esboços de composições anteriores a 2008 deram origem a Amigo do Tempo.

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