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mar
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A última sessão de cinema

Cine Belas Artes fecha sua portas depois de 68 anos

Charles Antunes Leite


Divulgação


A esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação perdeu o seu charme. O prédio, que há três dias ainda era ocupado pelo sexagenário Cine Belas Artes, permaneceu fechado. Diferentemente de todos os finais de semana desde 1943, naquele endereço não havia luz e nem o burburinho tradicional em sua calçada, não havia fila na bilheteria, nem o cheiro do café e da pipoca. Ali, definitivamente, faltava alguma coisa. Mário, Oscar, Villa, Carmen, Candido e Aleijadinho não receberam os amigos porque estavam de mudança.

Em março de 2010, o HSBC, que salvou o cinema do fechamento em 2002, não renovou o contrato de parceria, e André Sturm, sócio-majoritário do complexo, teve que arrumar outro patrocinador. Em dezembro, mesmo com o patrocínio assegurado, o proprietário pediu o imóvel. Sem conseguir o valor pedido para renovação contratual, o Belas Artes se viu obrigado a fechar.

Eu conheci o Belas Artes no final da década de 1980, época em que passava de ônibus e podia ver os cartazes dos filmes em sua fachada. Me lembro de 9 e 1/2 Semanas de Amor, que permaneceu mais de um ano em cartaz, e no fechamento, o recordista atual Medos Privados em Lugares Públicos que permaneceu por três anos na programação. Coisas que só se via no Belas Artes.

Dia 17 de março, após 68 anos de serviços prestados, o Belas Artes se despediu em grande estilo. Foram exibidos seis clássicos do cinema mundial, dentre eles A Doce Vida, de Federico Fellini e O Leopardo, de Luchino Visconti.

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), mesmo com todo o envolvimento da sociedade em prol do tombamento do edifício, pronunciará sobre o caso somente em abril, após laudo dos técnicos.  A possibilidade do cinema permanecer no endereço é mínima, visto que o tombamento garante apenas a integridade das características do prédio, sem que o proprietário tenha compromisso de alugá-lo para o cinema.

O imóvel foi entregue, as poltronas vendidas, os utensílios retirados e o equipamento de projeção doado à Escola de Comunicações e Artes da USP. O filme parece ter acabado, porém o proprietário André Sturm promete que a história terá continuidade em outro endereço.

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2 Responses to “A última sessão de cinema”


  1. 1 Diego Martins Ferreira
    março 23, 2011 às 6:20 pm

    Lastimável!

    O já famigerados cinemas para massas como os que existem nos shoppings aparecem aos montes, enquanto marcos da cultura paulistana como este grande cinema se vêem obrigados a fechar por especulações imobiliárias e falta de senso do proprietário do imóvel.
    Já deixou saudades!


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