Archive for the 'Filme' Category

21
ago
13

DVD: O Moinho e a Cruz, Lech Majewski (2011)

Por Charles Antunes Leite

“O infinito da estética é um sentimento que resulta da finita e perfeita completeza da coisa que se admira” (Umberto Eco).

omoinhoeacruzposterf2O Moinho e a Cruz (The Mill and the Cross, 2011) do polonês Lech Majewski é uma esmerada produção que recria o quadro A Procissão Para o Calvário (1564) do pintor Pieter Bruegel. As imagens são os pontos fortes da narrativa: cores, formas e texturas sobressaem sobre o som, a música e as palavras. O indizível é descrito em cores e sombras. A fotografia do filme privilegia o contraponto entre luz e sombra, reproduzindo o efeito de “chiaroscuro”  para reforçar a carga dramática das cenas. Poucos diálogos, a narração econômica, a música tímida e quase imperceptível no decorrer do filme. Num raro momento, um camponês bêbado dança ao som de um menestrel. A ausência de música e palavras leva o espectador a divagar de forma subjetiva sobre aquilo que é apresentado na tela.

O pintor holandês Pieter Bruegel, o Velho (1525-1569) sofreu a influência de Hieronymus Bosch na sua forma de compor cenas complexas e com múltiplos elementos, principalmente temas pastoris e sacros. A passionalidade em relação ao divino, a condição humana subjugada pela religião – o olhar do artista descrevia o cotidiano a sua volta em cenas panorâmicas exploradas com maestria no formato “widescreen” do cinema e telas de TV. São vários quadros menores que convergem na grande cena retratada na pintura de 124 cm exposta no Kunsthistorisches Museum de Vienna.

A abertura do filme apresenta os atores se vestindo enqunato Bruegel (Rutger Hauer) instrui o posicionamento dos modelos na cena, ao lado do amigo e colecionador de arte Nicolaes Jonghelinck (Michael York). O plano de fundo pintado à mão e as locações na Polônia, Áustria e Nova Zelândia servem para ilustrar e emoldurar o quadro.

Bruegel elenca os elementos das cenas retratadas na tela da mesma forma que Vittore Carpaccio, Albrecht Dürer e Hieronymus Bosch. Nesse ponto a pintura e o cinema se encontram na apresentação do “storyboard” do quadro a ser pintado. O esboço traça uma cena principal com cenas secundárias e terciárias que convergem e possibilitam a compreensão do tema num sentido mais amplo.

Para sua obra-prima A Procissão Para o Calvário, ele se inspirou no momento político e social em que viviam. Os aldeões incorporam os contemporâneos de Jesus Cristo, principalmente Charlotte Rampling como a inspiração para a Virgem Maria. Os espanhóis representam os romanos e o Salvador moído como grão pelo Moinho. Paralelamente ao drama que se anuncia, o cotidiano familiar do artista se faz presente como ação secundária para inseri-lo naquele ambiente em que é um observador dos fatos.

O quadro com temática religiosa funciona como alegoria para criticar a ação e os conflitos a sua volta. A região de Flandres que abrange atualmente parte da Bélgica e da Holanda estava sob o domínio dos espanhóis. Os invasores subjugavam a classe camponesa em cenários áridos sob o céu constantemente nublado.  Os corvos sobrevoam todos os cenários externos e, mesmo pelas frestas das janelas, podem ser vistos e ouvidos no seu canto fúnebre como símbolos de mal agouro e arautos do mundo dos mortos.

Bruegel descreve o quadro que deverá ter uma centena de personagens “Minha pintura terá que contar muitas histórias… trabalharei como a aranha que esta manhã vi tecer sua teia”. Vários temas alinhavados pelo Poder e Religião. Mulheres enterradas vivas, homens perseguidos e agredidos para depois serem deixados à mercê dos corvos imprimia morbidez às suas pinturas. A intolerância religiosa se faz presente e justifica a perseguição e morte. O reformista em busca de mudanças é tido como criminoso contra o Estado e a Igreja. Da mesma forma que o Cristo da antiguidade deve ser crucificado. O homem que teme a Deus teme morrer e ir para o Inferno – se torna mais fácil de controlar pelos governantes. A presença ostensiva dos cavaleiros do Rei de Espanha como Cavaleiros do Apocalipse lembrava a todos da danação, primeiro na terra e depois no inferno.

A paisagem pastoril com o Moinho no alto representa o Gólgota. A Paixão de Cristo é revisitada pelo vermelho da farda espanhola  que se confunde com o sangue do camponês. Não poderia ser diferente – no quadro de Bruegel – o céu se fecha no momento em que Jesus é crucificado.

Fotografia, iluminação, direção de arte e figurinos caprichados são utilizados para transpor uma tela para tridimensionalidade do cinema. O Moinho e a Cruz pode ser descrito, literalmente, como filme de arte.

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09
abr
13

DVD: Hasta a Vista – Venha Como Você É, Geoffrey Enthoven (2011)

Charles Antunes Leite

1006848_nl_hasta_la_vista_1316520301937Três rapazes na faixa dos 20 anos empreendem uma viagem para perder a virgindade num bordel. Eles estão eufóricos, com hormônios a flor da pele, são maliciosos e vivem pensando “naquilo” – semelhança com Porky’s (1982)? Os rapazes em questão: um deficiente visual, um cadeirante e um tetraplégico.

Os protagonistas de Hasta la Vista são belgas e planejam uma excursão até El Cielo, Club Selecta em Punta Del Mar, Espanha. Os europeus são limitados fisicamente, porém muito inteligentes, enquanto os rapazes de Porky’s são saudáveis fisicamente – não se pode dizer o mesmo intelectualmente. Os americanos se deslocam em poucas horas até o inferninho interiorano enquanto os europeus ainda tem o fator complicador da distância para chegar ao luxuoso clube privé. Serão mais de dez dias dentro de uma van adaptada rumo ao Clube Selecta onde belas garotas dispensam tratamento VIP a rapazes especiais.

O tetraplégico Philip (Robrecht Vanden Thoren) convida o cadeirante Lars (Gilles de Schrijver) e o deficiente visual Jozef (Tom Audenaert) para uma viagem. Eles comunicam aos pais que querem se sentir independentes. Para isso, precisam viajar sem a companhia deles – serão acompanhados por um enfermeiro que também será o motorista. Divulgam um roteiro falso em que percorerrão vinhedos da França e da Espanha, visto que os três são apreciadores de vinhos.

Terão, inicialmente, que vencer as restrições impostas pelos pais e pelas próprias limitações, o que torna a aventura muito mais emocionante e arriscada. Quando os pais concordam e tudo já está acertado,  Lars é informado, depois de uma consulta médica, que o tumor progrediu (é revelado que a paralisia é devido a um tipo de câncer) seu estado merece cuidados especiais e não poderá viajar.

Depois de discutirem a possibilidade da viagem sem ele, decidem que só irão se forem todos. Lars assume os riscos porque afinal está com pouco tempo de vida e quer perder a virgindade antes de morrer. Seguem com o plano à revelia dos pais. Lars tem na irmã caçula (antes antagonista) uma aliada que devido a  perda iminente do irmão propõe ajudá-lo na viagem furtiva – ela o acoberta para que saia na surdina.

O motorista da van que haviam alugado diz que não irá sem autorização dos pais, mas indica Claude (Isabelle de Hertog) que descobrem se tratar de um mulher gorda e de aspecto masculinizado. Ela sofre bullying e é destratada por eles, o que torna a convivência mais difícil.
mystique
Entre discussões e desentendimentos seguem em busca do sonho. Aprendem sobre si mesmos, a aceitar limitações e procurar viver de forma mais independente. Num momento em que deixam as diferenças de lado – desfrutam do prazer de viajar cantarolando a música Et Si Tu N’existais Pas do Joe Dassin que toca no rádio do carro. O tema é tratado de forma leve e positiva, mostra que mesmo com as limitações físicas eles podem fazer quase tudo que as outras pessoas fazem.

O cinema tem mostrado uma nova postura no tratamento das deficiências. Eles não precisam ser tratados como coitadinhos. No filme francês Intocáveis (2011) um milionário cadeirante contrata auxiliar para acompanhá-lo e dessa forma recuperar quase toda a rotina antes do acidente.  Colegas (2012) do brasileiro Marcelo Galvão narra a jornada de três portadores de síndrome de down num conversível em busca de seus sonhos: ver o mar, casar e voar – bem mais inocente que as intenções dos belgas.

03
ago
11

DVD: O Mundo Cabe Numa Cadeira de Barbeiro

Charles Antunes Leite

José Roberto Torero fez um recorte da diversidade étnica de São Paulo no  século 20. Imigrantes que formaram o universo cosmopolita da metrópole: espanhóis, italianos, japoneses, portugueses, sírios e bolivianos – comentam a relação afetiva com a cidade e a língua do país que os acolheu.

                                              Seis imigrantes narram suas vidas numa cadeira de barbeiro

O filme retrata a lusofonia – as diferenças marcantes que caracterizam a mesma língua, o português. O idioma sofre mutações de acordo com o país, nível socioeconômico, idade e religião dos habitantes. Daí, a língua utilizada pode ter variações linguísticas em que palavras já existentes recebem novos significados. São consideradas, também, palavras estrangeiras adicionadas e adaptadas que passam a fazer parte do vocabulário. Isso poderia torná-la incompreensível inicialmente. Na realidade faz com que ela seja revestida de diversidade cultural – espelho dos povos que a utilizam como ferramenta para se comunicar.

O Mundo Cabe Numa Cadeira de Barbeiro complementa a discussão em torno da importância e riqueza da língua portuguesa no documentário Língua: Vidas em Português de Victor Lopes. O idioma de Camões se espalhou pelo mundo por meio da expansão territorial empreendida por Portugal a partir do século 14 e foi adotado por vários países no globo.

Enquanto Língua analisa o português falado nos países lusófonos, O Mundo trata da barreira idiomática a ser transposta por imigrantes que não têm o português como língua nativa e se veem “obrigados” a aprender um novo idioma.

O título O Mundo Cabe Numa Cadeira de Barbeiro se deve ao local onde foram colhidos os depoimentos: a cadeira do salão do barbeiro espanhol, também, entrevistado. Ele declara nunca ter discriminado clientes independentemente de sua etnia, cor ou religião. A cadeira sempre foi democrática e serviu para estreitar laços entre os povos.

Todos os imigrantes entrevistados comentam a mudança do país de origem para o Brasil, a viagem, a profissão que abraçaram, suas famílias e a dificuldade enfrentada para comunicar-se em português. Alguns, inicialmente, tiveram problemas de adaptação – pensaram até mesmo em retornar.

Revendo tudo isso, muitos anos depois, todos afirmam categoricamente que são mais brasileiros que estrangeiros, pelo fato de terem passado mais tempo no Brasil que na sua terra natal. Eles sentem saudade do país de origem, naturalmente, mas é um  sentimento recôndito, um fragmento de memória desfocado pelo tempo e pela distância.

Apesar da barreira linguística e carregarem no sotaque (DNA de suas nacionalidades) foram unânimes em confessar que se consideram filhos da pátria que os acolheu: “mãe é quem cria”. Não poderiam ser mais felizes em outro lugar – essa mãe adotiva tem um coração tão grande quanto sua extensão territorial.

DVD: O Mundo Cabe Numa Cadeira de Barbeiro, BRA, 2002
Direção: José Roberto Torero
Duração: 55 min
Distribuidora: Synapse/Superfilmes

08
jul
11

Ascensão e Queda da Maior Loja de Discos

Charles Antunes Leite

Colin Hanks, filho de Tom Hanks (Forest Gump) está em processo de captação de recursos para produzir o documentário All Things Must Pass: The Rise and Fall of Tower Records sobre a lendária cadeia de lojas de discos Tower Records.

                               Colin Hanks at Tower Records (Foto: Colin Hanks)
Colin Hanks at Tower Records

Para quem não conheceu ou ouviu falar – a Tower Records era considerada a Disneylândia dos apreciadores de música devido ao tamanho e a variedade do acervo.

Na década de 1940, Russell Salomon começou a vender discos nos fundos da farmácia do pai em Sacramento, Califórnia. A loja de discos seria fundada somente em 1960, no mesmo prédio em que se localizava o Tower Theater.

Ascensão

Além de LPs, fitas K7 e CDs, com o passar dos anos foram incorporados DVDs, videogames, acessórios e aparelhos eletrônicos ao mix de produtos das lojas. Em algumas unidades da rede haviam produtos direcionados ao perfil dos clientes. Uma das lojas de Nova Iorque, localizada próxima ao Lincoln Center, oferecia grande variedade de títulos de música erudita e jazz visando atender  profissionais e estudantes de música.

                                          O logo e o slogan da Tower Records

Os brasileiros que colecionavam discos, em viagem aos Estados Unidos, tinham como parada obrigatória a Tower. Na loja de quatro andares instalada na esquina de East 4 St com a Broadway, podia-se passar uma tarde inteira fuçando as gôndolas em busca de novidades ou itens para completar a coleção.

Em 1994, período de maior expansão da rede e também austeridade econômica do Brasil –imagine a minha satisfação, abrindo uma mala recheada de CDs trazidos sem os estojos (para diminuir o peso e aproveitar o espaço).

A cadeia ultrapassou as fronteiras, inclusive oceânicas, chegou a ter lojas no Reino Unido, Irlanda, Japão, Hong Kong, Taiwan, Cingapura, Coréia do Sul, Tailândia, Malásia, Filipinas, Israel, Emirados Árabes Unidos, Canadá, México, Colômbia, Equador e Argentina.

O diferencial

Enquanto nas demais lojas o cliente encontrava alguns casulos destinados aos principais artistas, na Tower a variedade era tão grande que nomes como Frank Zappa e John Coltrane tinham balcões inteiros para expor os títulos em catálogo. Era natural encontrar algum artista autografando álbuns ou mesmo ao seu lado escolhendo discos nas gôndolas.

O expediente das lojas era até meia-noite, todos os dias da semana. Os atendentes eram conhecedores de música e possuíam identificação com a empresa. Alguns chegaram a tatuar o número de registro funcional. Há um boato que o filme Empire Records foi escrito por um ex-funcionário da Tower Records.

Declínio

Nem todos viam a Tower com bons olhos. Havia clientes que criticavam os atendentes pela superficialidade de suas indicações. A loja por suas dimensões era tida como “mainstream” e os produtos eram mais caros que em lojas menores. A compactuação com a postura inflexível das gravadoras “majors”  aos apelos dos consumidores pelo barateamento dos álbuns pode ter sido um dos fatores para a derrocada desse império do disco.

Em 2000, a Tower faturou 1 bilhão de dólares, mas quatro anos depois já se avistava o rombo causado pela agressiva expansão na década de 1990, concorrência com outras redes e a pirataria digital. Dívidas acumuladas em mais de 100 milhões de dólares fizeram com que, em 2006, a empresa fosse liquidade e leiloada. No dia 22 de dezembro, a última loja Tower, em solo americano, cerrou suas portas.

Promoção de CDs na semana do fechamento da Tower

A Tower Records foi a primeira loja física a ter um site de vendas (1995) e que foi vendido ao grupo Caiman Inc. no leilão da empresa em 2006. Ele voltou a operar em 2007, com sede no Canadá. Algumas lojas físicas ainda estão funcionando fora dos Estados Unidos como é o caso das lojas da Tower Records Japan, que não tem vínculos com o site – estão sob comando de um grupo empresarial japonês.

O documentário

O filme pretende mostrar a influência da Tower Records para os consumidores de música e a importância econômica da rede que foi responsável por grande parte do faturamento da Indústria Fonográfica nos bons tempos, e que no início do século 21 começou a ruir.

Colin Hanks por meio de uma ação de “crowdfunding” (financiamento colaborativo) está captando recursos financeiros para custear a produção. Aqueles que contribuírem com doações terão, dependendo do valor, seus nomes nos créditos, vinil, camiseta, DVD autografado. Contribuições superiores a dois mil dólares terão direito a um kit que inclui par de convites VIPs para estreia mundial no Tower Theater, em Sacramento, onde tudo começou.

Fontes consultadas para a matéria:

All Things Must Pass: The Rise and Fall of Tower Records by Colin Hanks
Guest Post: Colin Hanks and All Things Must Pass by Colin Hanks
Kickstarter Funding for a Tower Records Documentary Film by Steve Guttenberg
Legendary Music Chain Tower Records Closes Doors Forever by Charles Andrews
For Tower Records, End of Disc by Paul Farhi

2006 And The Death of Tower Records by Neda Ulaby
Tower.com Purchased by Caiman ByVivien Schweitzer

22
jun
11

Skank e Kaiser Chiefs à moda dos fãs

Charles Antunes Leite

O Skank recebeu a maior honraria do mercado publicitário. Os mineiros foram agraciados com o Leão de Ouro no Festival de Cannes, no evento anual que ocorre anualmente na Riviera Francesa. A banda recebeu o troféu de “Best Use of Social Media Marketing” (Melhor Uso de Mídia Social) pelo  projeto SkankPlay desenvolvido pelo coletivo DonTryThis formado pelos publicitários Caio Mattoso, Pedro Gravena e Rodrigo Mendes.

Ao entrar no site, o usuário pode tocar virtualmente com a banda e criar um clipe para a música De Repente.
Fonte: Meio e Mensagem

                                                                    Home do site da banda Kaiser Chiefs

Em tempos de plataformas colaborativas, a banda Kaiser Chiefs encontrou uma maneira  de interagir com os fãs. No site da banda www.kaiserchiefs.com são disponibilizadas 20 faixas do disco The Future is Medieval e o internauta pode escolher 10 para formar o álbum com capa e sequência personalizada à moda do freguês. As versões dos fãs poderão ser compartilhadas no próprio site e estes receberão uma porcentagem do lucro para cada cópia vendida – cerca de 10% do valor total.
Fonte: Combate Rock

Metallica e Lou Reed gravam juntos.  A informação foi divulgada pelo site oficial da banda. O grupo de metal já havia tocado com Reed no 25º aniversário do Rock and Roll Hall of Fame, em outubro de 2009. Naquele momento cogitaram trabalhar juntos. Foram gravadas dez músicas que serão lançadas em um disco ainda sem título e data de lançamento.
Fonte: Metallica.com

Após idas e vindas, o Tyketto voltará a gravar. Eles anunciaram que estão com um contrato com a Frontiers Records e planejam lançar o sucessor de Shine (1995). De acordo com o site da banda, o novo trabalho será nos moldes do ótimo Don’t Come Easy (1991).
Fonte: Tyketto.com

Sebastian Bach, ex-vocalista do Skid Row, prepara álbum com lançamento previsto para  27 de setembro. O título já foi definido Kicking & Screaming. Nas palavras do vocalista: “É meu melhor disco até hoje, mal posso esperar para que todos ouçam”.
Fonte: Whiplash

05
maio
11

DVD: Fome de Viver, Tony Scott (1983)

FILME CULT

Charles Antunes Leite

Os vampiros estão presentes no cinema desde Nosferatu (1922). Com a passagem dos anos,  os efeitos especiais foram evoluindo e a qualidade dos filmes diminuindo. Bela Lugosi foi o ator mais emblemático a interpretar Drácula (1931). O britânico Christopher Lee nasceu no mesmo ano em que  Nosferatu foi produzido, e se tornou conhecido pela a interpretação de Drácula (1958).

Na década de 1980, comédias adolescentes desmitificaram a figura do vampiro. Drácula de Bram Stoker (1992) e Entrevista com o Vampiro (1994) recuperaram o prestígio do personagem. Na primeira década do século 21, vampiros caíram no modismo – o Cinema e a Televisão despejaram as mais variadas versões para os seres das trevas. Os piores exemplos ficaram por conta da saga Crepúsculo com vampiros bonitinhos e castos.

Tony Scott, irmão mais novo de Ridley Scott (Blade Runner, 1982), migrou do mercado publicitário para o cinema e se tornou conhecido por Ases Indomáveis (1986) e Amor a Queima Roupa (1993). Antes de se firmar em Hollywood, ele dirigiu Fome de Viver (1983). A bela fotografia e edição privilegiavam as cenas de erotismo e a bestialidade dos vampiros em busca sexo e sangue. A dicotomia prazer e dor, vida e morte, não necessariamente nessa ordem – componentes fundamentais para histórias vampirescas.

A música é um elemento necessário em todas as produções, principalmente filmes de suspense e terror. No filme de Scott, peças como o Trio in E-Flat, Op. 100 de Schubert e Flower Duet da ópera Lakmé de Delibes (uma versão moderna da ária foi utilizada num anúncio de companhia aérea) foram utilizadas em momentos mais românticos em contraponto com  o score original para sustentar os momentos mais tensos. A trilha sonora suave representa o dia e a noite é guiada pela música mais densa.

No filme de Scott cenas de erotismo e sangue povoam a tela. Há momentos de sensibilidade protagonizados pelo casal formado por Miriam vivida por Catherine Deneuve (Indochina) que havia transformado John interpretado por David Bowie (Merry Christmas Mr. Lawrence) em seu amante, muitos anos antes. Os dois saem pela noite nova iorquina em busca de sexo (alimento) durante o dia passam a imagem de um casal aristocrático e respeitado.

Na produção “teen”, os protagonistas Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson) vivem um amor platônico e comportado até para os padrões da Sessão da Tarde.

Na primeira sequência, o tema Bela Lugosi’s Dead (não faz parte da trilha sonora) é executado de forma intermitente, intercalado à  performance claustrofóbica de Peter Murphy, o vocalista da banda Bauhaus, com a cena em que Míriam e John  seduzem um casal que os acompanha em busca de sexo casual, e se tornam presas fáceis para saciar a fome de vida dos vampiros contemporâneos.

John é acometido de uma doença degenerativa, o que faz com que envelheça rapidamente. Ele procura a ajuda da Dra. Sarah Roberts vivida por Susan Sarandon (Thelma & Louise) que passa a manter uma relação romântica com Miriam que, mesmo amando John, precisa de uma companhia para a eternidade.

Não basta sangue para viver, é preciso juventude e beleza. Não existe amor eterno para seres seculares “a fila anda”.

DVD: Fome de Viver,ING, 1983
Título Original: The Hunger
Direção: Tony Scott
Duração: 96 min
Distribuidora: Warner Home Video

01
jan
11

Os 7 melhores filmes de 2010

Charles Antunes Leite

Toy Story 3 (Toy Story 3, EUA, 2010)
Direção: Lee Unkrich

A missão de conseguir um bom roteiro, personagens cativantes e trama envolvente em se tratando do terceiro filme de uma franquia,  nem sempre é fácil. Toy Story conseguiu. O epílogo da história dos brinquedos e seu dono Andy, que cresceu e está a caminho da faculdade. Chega a hora de Andy se despedir das coisas de criança e seguir para a vida adulta. Essa mudança também é sentida pelos brinquedos que aguardam angustiados o seu destino: ir para lixo, serem guardados no sótão ou doados. Na terceira parte de Toy Story, os bonecos mais que nunca, se metem em aventuras e criam vida. A  brincadeira é vista da ótica do brinquedo que se sente ligado ao dono e a utilidade que tem para vida deste. Enquanto a criança cresce, ele envelhece. Quem não tem algum brinquedo guardado no fundo de uma caixa e que aparece quando estamos fazendo uma limpeza e nos traz de volta a memória das tardes de aventuras de uma infância longínqua? O filme consegue fechar uma trilogia sem altos e baixos e muitos consideram a terceira parte ainda melhor que os anteriores.

O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos, Argentina/ Espanha, 2009)
Direção: Juan José Campanella

A história de um brutal assassinato e a obsessão de um homem para resolvê-lo. Benjamin Esposito (Ricardo Darín) ao se aposentar do cargo de oficial de justiça começa a escrever um livro sobre o crime ocorrido em 1974. Na época, ele foi designado para investigar um caso de estupro e assassinato de uma jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto, ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo e Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta. Uma trama cheia de mistério, romance e comicidade graças ao talento de Ricardo Darin e a direção de Campanella.

A Origem (Inception, EUA/ Reino Unido 2010)
Direção: Christopher Nolan

Don Cobb (Leonardo Di Caprio) é especialista em invadir a mente das pessoas durante o sono e roubar-lhes os segredos. Essa habilidade faz com que seja alvo de grupos de espionagem e ele se torne um fugitivo. Cobb para redimir-se é contratado para implantar pensamentos e não roubá-los e conseguindo executar a missão poderá retornar para sua casa e para seus filhos. Paul Franklin, já havia trabalhado com Christopher Nolan nos filmes do Batman, foi o responsável por conceber o cenário e os efeitos oníricos, essenciais para condução da trama. Os efeitos e as sequências de perseguição tornam o filme dinâmico. Várias dimensões do sonhar se misturam quando sonhos são sobrepostos. A realidade e os sonhos se confundem. A Origem mostra que os sonhos são feitos de impulsos cerebrais, logística, química e arquitetura para que o sonhador possa trilhá-los com segurança. Mais um grande triunfo de Nolan (Batman – O Cavaleiro das Trevas). O filme gerou muitos comentários e interpretações pelo público.

Tropa de Elite 2 (Tropa de Elite 2, Brasil, 2010)
Direção: José Padilha

Segunda parte da saga do Capitão Nascimento (Wagner Moura) em sua luta contra o crime no Rio de Janeiro. Nascimento é afastado do BOPE, após operação mal sucedida, no entanto é promovido a Coronel. Ele sai da batalha contra traficantes nas favelas e vai para trás de uma mesa na Secretaria de Segurança Pública do Estado e verá que os criminosos mais perigosos  estão infiltrados no órgão que deveria combatê-lo. Tropa de Elite é conduzido como se fosse uma produção “hollywoodiana” com muitas explosões e tiroteios, em sequências dirigidas magistralmente por Padilha. O filme se tornou por conta da qualidade e aceitação do público o recordista brasileiro de bilheteria superando Dona Flor e seus Dois Maridos (1976) que ocupava o posto a 34 anos.

Machete (Machete, EUA, 2010)
Direção: Robert Rodriguez

Não me lembro de um início de filme com a intensidade da carnificina executada por Machete. A violência é um dos ingredientes dos filmes dirigidos por Robert Rodriguez (El Mariachi, Um Drink no Inferno e Planeta Terror). Machete (Danny Trejo) é um agente federal e imigrante mexicano que cai em uma armadilha do traficante de drogas Torres (Steven Seagal), que resulta na morte de sua esposa e o torna um renegado. Três anos depois, Machete, que agora trabalha como operário, é contratado por Michael Booth (Jeff Fahey) para assassinar o Senador John McLaughin (Robert De Niro), que quer expulsar todos os imigrantes ilegais do México. Ele é incriminado no atentado e com a ajuda do  “Padre” (Cheech Marin), Shé (Michelle Rodriguez) e Sartana (Jéssica Alba) ele vai empreender uma luta contra Torres e sua orgnização.

Ilha do Medo (Shutter Island, EUA, 2010)
Direção: Martin Scorsese

O drama de Martin Scorsese, como o título sugere, se passa em uma ilha que abriga um hospital psiquiátrico para criminosos, espécie de Asilo Arkham. Dois policiais (Leonardo Di Caprio e Mark Ruffalo) vão para lá para investigar o desaparecimento de um paciente do Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston. Durante a trama as coisas se revelam nebulosas e nada é o que parece à primeira vista. Os policiais encontram resistência de todos os funcionários e da direção da instituição. No hospício são realizadas experiências ilegais com os internos. Impossibilitado de sair da ilha devido à tempestade, Teddy Daniels (Di Caprio) começa a ser drogado inconscientemente e passa a ser tratado como um paciente. O “thriller psicológico” já havia sido explorado pelo cineasta em Cabo do Medo (1991) com Robert De Niro e se distancia dos filmes tradicionais de Scorsese, mas prende a atenção.

Tetro (Tetro, Argentina, Itália, Espanha, EUA, 2009)
Direção: de Francis Ford Coppola

O ingênuo Bennie (Alden Ehreinreich), de 17 anos, chega a Buenos Aires para encontrar seu irmão mais velho, Angelo (Vincent Gallo), que resolveu tirar um ano sabático para escrever um livro e nunca mais entrou em contato com a família. Angelo não é mais a mesma pessoa, inclusive renegou o nome de batismo e passou a se chamar Tetro. Ele parou de escrever, vive com uma bela dançarina e trabalha como iluminador de teatro. O filme utiliza “flashbacks” para explicar o motivo do afastamento de Tetro. No final uma revelação torna ainda mais profunda a relação dos dois irmãos.




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