Archive for the 'Livro' Category

09
fev
15

Mar Inquieto – Yukio Mishima

Por Charles Antunes Leite

Yukio Mishima apresenta um quadro deslumbrante da paisagem costeira da pequena ilha de Utajima – uma das mais de seis mil que formam o arquipélago japonês. O lugar parece ter perdido o “trem da história” em relação ao restante do Japão pós-guerra e industrializado. Como herança do conflito restou um posto de observação do exército (abandonado) em que ocorre o encontro dos futuros amantes. Os cerca de 1400 habitantes da ilha se servem de água que precisam pegar direto da fonte e a energia elétrica depende de um gerador que durante a narrativa vimos saber que está quebrado –  Isso parece tão atual!

11252_gMar Inquieto, publicado em 1954, de Yukio Mishima é um romance sobre o amor atemporal e universal em que moça rica (Hatsue) e rapaz pobre (Shinji) se apaixonam e precisam enfrentar a tudo e a todos para ficarem juntos. Inspirado em Dáfnis e Cloé de Longo, escrito entre os séculos II e III, Mishima explora disciplina, paciência e honra do casal enamorado para vencerem as vicissitudes que acometem o relacionamento.

Shinji aos 18 anos de idade se dedica com afinco ao trabalho como pescador num pequeno barco. Ele vive com a mãe que trabalha como mergulhadora e o irmão caçula dedicado aos estudos e atraído pelo conforto da vida urbana.

A vida do jovem pescador sofre bruscas mudanças ao conhecer a bela Hatsue que cresceu longe da ilha e retornou a pedido do pai, o homem mais rico do lugar, para casar e assumir a posição como herdeira.

O antagonismo entre os dois pretendentes a noivo é bem definido pela coragem, honestidade e lealdade do pescador Shinji em contraste ao preguiçoso, arrogante, covarde e rico Yasuo. Shinji é a escolha de Hatsue enquanto sobre Yasuo recai a escolha do pai dela.

Honra é um dos motes do livro e pode ser percebido em pelo menos dois momentos: quando a castidade é mantida diante do arroubo de um amor jovem durante um encontro furtivo – a espera pelo momento em que esse amor possa se tornar legítimo tão certo como esperar o tempo para ter a melhor colheita.  A amiga Chyoko, contrária ao romance, ama em silêncio e por não ter o amor correspondido espalha boatos depondo contra a honra de Hatsue. Ela toma consciência do ato e se vê moralmente na obrigação de promover a união.

O romance pode, inicilamente, despertar estranheza mas no desenrolar da história passa a ser fascinante ao descrever costumes e tradições japonesas e ofício dos pescadores.  As 168 páginas podem ser lidas em uma tarde.

Título: Mar Inquieto
Autor: Yukio Mishima
Tradução: Leiko Gotoda
Páginas: 168
Editora: Companhia das Letras

 

 

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27
dez
12

Show do Lobão: vinte e cinco anos depois

Charles Antunes Leite

Lobão: 50 Anos a Mil -Nova Fronteira (reprodução)

Li recentemente, 50 Anos a Mil, a biografia do Lobão em parceria com o jornalista Cláudio Tognolli. Um calhamaço de quase 600 páginas em que o músico traça os cinquenta anos de vida e mais de trinta de carreira. É a chance de conhecer as origens do homem que se tornou uma das personalidades mais polêmicas da música brasileira.  Em alguns momentos a narrativa  apresenta situações, algumas fantásticas, no entanto todas dignas da personalidade ímpar do Lobão.

No prólogo, digno de cinema independente, Lobão e Cazuza estão no velório do amigo Júlio Barroso. De madrugada, ao se verem a sós, esticaram duas carreiras de cocaína, como homenagem, no caixão do parceiro morto. A partir desse fato, o que poderíamos esperar se concretiza ao longo do livro, a narrativa flui em ritmo frenético desde a infância (que muitos desconheciam) em que um garoto tímido, doente e com déficit de atenção passa a se interessar por música e literatura. A origem do apelido, ainda na escola; a primeira banda e todas que vieram depois. Os amigos, parceiros, colaboradores, namoradas, as diferenças (já resolvidas) com Herbert Vianna. As circunstâncias do julgamento e da prisão por suposto porte de drogas, em 1987 – relatado minuciosamente. O direcionamento da carreira após o incidente e toda sua luta por independência e transparência no mercado fonográfico. 

Em 2012, o “lobo mau” está de volta com o registro ao vivo Lobão Elétrico Lino, Sexy & Brutal em CD/DVDUm único show no Citibank Hall, em São Paulo, em outubro de 2011. Lobão repassou 30 anos de carreira em releituras muito inspiradas mesclando temas dos primeiros trabalhos com outros da sua produção nos anos 2000. Os arranjos e a produção em parceria com Rui Mendes e Chris Winter, além da mixagem em Abbey Road, fizeram com que o repertório independentemente da idade das canções se tornasse coeso.

O artista amadurecido e experiente que procurou se aproximar da música brasileira e de experimentos eletrônicos para se distanciar do rock –  se apresenta sem culpa  e assumidamente rock’n’roll nesse Lobão Elétrico Lino, Sexy & Brutal.

DVD Lobão Elétrico Lino, Sexy & Brutal – Deckdisc (Richard Kovács)

Bambino, originalmente, trazia influências do pop alemão; agora revisitado está mais para o pós-punk britânico.  A revitalização continua em todo o show. Ouvi ecos de Lou Reed, Gang of Four, e até Patife Band. O “guitar  hero” brazuca Luis Carlini abrilhanta Ovelha Negra (Rita Lee), única composição alheia no repertório. Para terminar (no CD) o Rock Errou. Constato, caro  Lobão, que o rock se perdeu pelo caminho, mas está de volta. O melhor ficou para o final, no caso do DVD, com seis sucessos do repertório do Big Wolf como bônus: Essa Noite Não; Me Chama; Rádio Blá (Blá, blá, blá… Eu te Amo); Corações Psicodélicos;  Vida Bandida e  Por Tudo que For.

Lobão Elétrico me traz a recordação de assisti-lo, no auge, em 1987. A precisão dos fatos não pode ser exigida tendo em vista que vinte cinco anos separam os acontecimentos do relato abaixo:

Era uma típica noite de sábado. Subi a avenida central do bairro em que morava em direção a uma rua na parte alta, onde o pessoal se reunia. Lá era o ponto de encontro noturno. Todos passavam por lá, para saber sobre alguma festa, evento ou mesmo para jogar conversa fora. Esses programas, quando muito, se estendiam até duas da madrugada. Naquela noite, apenas dois caras estavam lá e iriam para um aniversário de um primo em Guarulhos:  Então, um abraço! Até amanhã!

Na avenida central, agora no caminho inverso, já considerava a noite como perdida quando encontro um colega de ginásio que perdera o contato há dois anos quando mudou de colégio. Ele estava no ponto de ônibus aguardando a namorada para saírem.

Ele estava morando novamente no bairro. Na rua de trás. Fui convidado a acompanhá-los até uma danceteria que “bombava” na época: a Contra Mão. Naquela noite, o Lobão faria o show de lançamento do álbum Vida Bandida.

Fomos até a casa dele para aguardar mais dois amigos. Resolvi que iria também. Antes, teria que avisar minha mãe.  Abro aqui uns parênteses: na década de 1980, o telefone residencial era artigo de luxo e a maior parte da população não possuía – era o meu caso. Então teria que ligar para a vizinha. Recado dado que voltaria no domingo de manhã. Seguimos para o bairro do Tatuapé.

O show do Lobão, após a saída da prisão, era aguardado com ansiedade e “frisson” – tido como o grande evento daquele sábado. A turnê com apresentações bombásticas e concorridas havia percorrido várias cidades do país até chegar à São Paulo. O disco recém-lançado, diga-se de passagem, dotado de diversidade rítmica devido à direção artística de Marcelo Sussekind trazia  pelo menos duas faixas executas nas principais rádios da época: Rádio Cidade, Jovem Pan 2 e 89 FM, só pra relacionar as emissoras da capital.

O burburinho começava há algumas quadras da Contra Mão, nas dezenas de bares da redondeza. Vamos para a fila, digna de estreia do filme Guerra nas Estrelas, para comprar os ingressos. Finalmente, conseguimos entrar. Noto que o lugar é maior que imaginava e em poucos minutos  já está bem cheio.

As luzes se apagam para a abertura da casa. Som e iluminação de última geração. Se não me falha a memória: This is the Day (The The) começa a tocar. Nesse momento, o lugar que parecia cheio, ficou  insuportávelmente apertado.

A música silencia nas potentes caixas acústicas. As luzes se apagam. Seguem alguns minutos que parecem eternos. A plateia impaciente começa a assoviar e bater os pés no piso. O alvoroço crescente.

Lobão entra no palco acompanhado dos Marajás Apedrejados. Sucessos antigos e músicas do recém lançado Vida Bandida são cantadas com energia. A galera extasiada e suada se acotovela espremida  nas dependências da danceteria. Lobão  estava bravo com o imbróglio que o levou a prisão – a música era sua forma de protesto. Detalhes do show: lembro da euforia.

Após o show, a música volta a rolar na pista até às 4h da manhã: Simple Minds, Cure, Smiths, Tones on Tail, Clash, Bolshói, Michael Jackson, Siousxie and the Banshes, Titãs, Legião Urbana, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, Tears for Fears, Duran Duran… Alguns meses depois, a House Music invadiria a programação das FMs e pistas das danceterias. A Contra Mão foi uma das grandes casas noturnas de São Paulo (1980-1992). Com a ascensão da música sertaneja os proprietários resolveram transformá-la em casa direcionada ao gênero da moda sob o nome de Caipiródramo.

Ficamos na Praça Sílvio Romero até às seis da manhã quando finalmente o ônibus passou. O sol brilhava quando entrei em casa trazendo pão quentinho para o café da manhã.

01
jun
12

Diário da Corte, Paulo Francis

Charles Antunes Leite

Diário da Corte reúne 76 textos selecionados entre os milhares que foram publicados na coluna de mesmo nome pela Folha de S. Paulo entre 1976 e 1990. A compilação organizada pelo jornalista Nelson de Sá vem acrescida do posfácio do filósofo e articulista Luis Felipe Pondé.

Paulo Francis (1930-1997) alcançou o status de um dos jornalistas mais cultos e o mais bem pago do Brasil. Em 1971, anunciou no Pasquim “Vou escrever sobre porcaria. Uma expressão pornográfica: Roberto Marinho”. Como era muito lido, mesmo assim, anos depois ocupou espaço no jornalismo da emissora do Dr. Roberto Marinho.

No Jornal da Globo, numa coluna de um minuto, que desenvolveu e deixou sua marca indelével tecendo comentários sobre os mais variados assuntos: música, literatura, cinema e, principalmente, teatro onde começou a desenvolver sua veia interpretativa e crítica. Não se ocupava somente com produtos culturais, falava com propriedade sobre relações internacionais, política interna e externa. A política foi o que mais trouxe dor de cabeça para ele e para os veículos em que trabalhou.

A morte de Francis não pode ser atribuída somente a um diagnóstico errado (suposta bursite), mas agravado pela preocupação causada pelo processo movido por alguns diretores da Petrobras acusados de corrupção e terem enviado 50 milhões de dólares para bancos da Suíça. A informação, que carecia de provas, foi divulgada no Programa Manhattan Connection, da Globosat, em 1997.

Paulo Francis, apesar da acidez de seus comentários, era capaz de arrancar sorrisos e a simpatia dos leitores e espectadores. Ele era misógino e não admitia que se levantassem bandeiras da causa gay. A aversão por negros e pobres era notória. Francis se tornou um personagem tão imitado quanto Jânio Quadros, Paulo Maluf, Lula e Sílvio Santos.

A língua ferina disparava contra pilares da sociedade. Muitas vezes, ele o fazia por pura pirraça, provocação, mesmo – toda corte precisa de um bufão. Ele atacava personalidades que poucos teriam a pachorra de ofender. Ultrapassava a crítica e partia para as ofensas. Jacqueline Onassis foi descrita como “prostituta  de alto coturno” e a então esposa do vocalista dos Rolling Stones “… Bianca Jagger (que não se sabe se é homem ou travesti)…” Luciano Pavarotti era um “tenoreco”. Não se dignaria sair de casa para ouvi-lo.

No seu dicionário não existia a palavra intocável, nem mesmo Caio Túlio Costa, o primeiro ombudsman da Folha, saiu ileso – isso porque era colega de redação.

Francis viu defeitos em Annie Hall (1977), considerado um dos melhores filmes de Woody Allen. No entanto, valoriza o talento do cineasta em alguns momentos e acrescentava que Allen tinha Bergman como modelo, mas era apenas Woody Allen.

Num artigo sobre Eugene O’Neill desmereceu a obra de Virginia Woolf, Norman Mailer, e até Gabriel García Márquez – nomes de peso e respeitados pela crítica especializada – em detrimento de Georges Simenon, um autor menos badalado e assumidamente reconhecido como um dos preferidos do colunista. Não contente com isso, comenta em tom de chacota “já irritei bastante gente?” Ele sabia o efeito que teriam tais comentários.

Ele um ranzinza crônico e considerava tudo que a maioria gostava como sofrível e insípido “… o julgamento da maioria está errado sempre”. Pelas suas crônicas se mostrava desiludido e entojado pelas manifestações artísticas de todas as formas que chegavam ao público fosse na literatura, cinema, teatro ou música. Nenhuma peça despertava maior interesse e Francis se via no papel do Artista da Fome de Kafka – deixava de apreciar por que não o aprazia. Ainda esperava pelo manjar que despertasse seu apetite.

Paulo Francis praticou o jornalismo “free style” em que chutes e opiniões substituíam as normas da profissão, principalmente da apuração. Sua crônica se aproximava, algumas vezes, do gênero gonzo. Atravessou o período da Ditadura Militar (1964-1985), reportou a Anistia, em 1979, e acompanhou com olhar privilegiado os primeiros anos da Nova República.

A segunda década do século XXI o deixaria perplexo e em maus lençóis, os processos seriam constantes. No país que diz ter liberdade de expressão (e de imprensa) humoristas temerosos com a vigilância pudica reformulam piadas. Um filme publicitário precisou ser alterado depois de alguns dias de veiculação – uma palavrinha na última frase incomodou algumas pessoas. A mensagem perdeu a graça da mesma forma que o jornalismo com a morte de Paulo Francis.

Título: Diário da Corte
Autor: Paulo Francis
Páginas: 408 páginas
Editora: Três Estrelas

16
abr
12

History of the World According to Facebook, The

Charles Antunes Leite

Imagine personalidades como Deus, Jesus Cristo, o Diabo, políticos, figuras históricas e da cultura pop (reais e fictícias) postando, comentando, curtindo e promovendo eventos no Facebook. Esse é o grande barato em The History of the World According to Facebook (ainda sem tradução para o português).

A ideia do livro surgiu após a publicação de um  artigo no site coolmaterial.com, em agosto de 2010, no qual Wylie Overstreet satirizava o universo “facebookiano”. Em um mês obteve três milhões de visualizações e 120 mil usuários sinalizaram “Curtir”.

Há 13 bilhões de anos, antes de Mark Zuckerberg criar o FacebookBig Bang anuncia um grande evento que originaria o Universo e, consequentemente, o desenvolvimento dos planetas e das formas de vida.

Podemos recordar uma passagem do processo de Independência dos EUA em que camponeses insatisfeitos com a sobretaxação de produtos e o monopólio concedido à Companhia das Índias Orientais organizaram o protesto conhecido como Boston Tea Party:

Event: Boston created na event Dec. 16, 1773
Tea Party! – protest unfair taxation by making the whole town stink of chamomile!
Benjamin Franklin – A righteous cause!

O que dizer de algumas atualizações dos jovens Buddy Holly, John Lennon e Tony Manero:

Buddy Holly – Couple extra seats on this plane, anyone wan’t em? Feb 3, 1959
Fate – Like this
Big Booper – I’ll take one.
Ritchie Valens – Me too!
Buddy Holly comunica que tem dois lugares para quem quiser uma carona. O destino quis que Big Booper e Ritchie Valens aceitassem o convite que culminaria na morte dos três rockers.

John Lennon is now friends with Paul McCartney and 2 others.
May 29, 1962
John Lennon e seus novos amigos formaram a banda The Beatles. Será que farão sucesso? Rs …

Tony Manero is in a relationship with Disco.
December 14, 1977
The Bee Gees like this.
(Não necessita comentário)

O livro analisa a comunicação e as convenções sociais compartilhadas via Facebook. É uma forma bem humorada de recordar a história e eventos contemporâneos de forma livre e fragmentada – como seriam divulgados, guardadas as proporções, os fatos e novidades inerentes às figuras supra mencionadas. As sacadas do texto poderão ser apreciadas plenamente pelos leitores que tiverem familiaridade com conhecimentos gerais e cultura pop.

O politicamente correto é deixado muitas vezes de lado em favor de uma piada de gosto duvidoso:

John F. Kennedy – Beautiful dayin Dallas! Gonna get all presidential up in here and drop the top.
November 22, 1963
Lee Harvey Oswald  like this.
Oswald curtiu a divulgação do local exato em que o presidente Kennedy estaria fazendo campanha pela reeleição e no qual ele poderia alvejá-lo.

O humor ácido da publicação poderá ser visto com reservas e críticas no momento que a liberdade de imprensa (omissão e não divulgação de fatos) e artística (humorismo monitorado pelo politicamente correto) vêm sendo cerceadas no país.

Título: History of the World According to Facebook, The
Autor: Wylie Overstreet
Idioma: Inglês
Páginas: 160
Editora: Harper USA

29
mar
12

Músicas & Musas – A verdadeira história por trás de 50 clássicos pop

Charles Antunes Leite

A curiosidade pelas mulheres que inspiraram direta ou indiretamente grandes compositores do pop rock acompanha, há décadas, os ouvintes e fãs. Músicas & Musas pretende trazer à tona histórias de namoradas, esposas, rivais, “groupies”, celebridades e até mesmo das ilustres desconhecidas que inspiraram 50 das maiores canções pop. Muitas dessas histórias são divulgadas pela primeira vez e se unem a outras já conhecidas.

Entre canções notórias e pérolas de pouca repercussão, pelo menos no Brasil, os autores contextualizam  a personagem inspiradora na vida do compositor e o destino nebuloso delas após a repercussão das referidas músicas. Também descrevem a trajetória do artista e a importância da canção na discografia.

Frank Hopkinson e Michael Heatley elucidaram a origem das músicas e as mulheres que as inspiraram. Pesquisaram matérias em jornais, revistas e depoimentos dos compositores para chegar à história por trás de cada música.

Algumas musas são influências claras, chegando a intitular a música, enquanto outras são sopros de inspiração ou algum detalhe associado a outras informações na composição do perfil/ canção.

A perda é a maior fonte de inspiração artística, principalmente na Música, como pode ser conferido em In The Air Tonight, o primeiro sucesso solo de Phil Collins. O baterista e cantor do Gênesis descobriu o fim do casamento ao voltar de uma turnê e constatar que a esposa o trocara pelo pintor que trabalhava na reforma da mansão deles. A composição se deu num desabafo ao piano na casa vazia.

George Harrison (Something) e Eric Clapton (Layla) elegeram a mesma musa: Patti Boyd. O fascínio pela modelo resultou em duas das melhores canções das discografias de ambos. Ela chegou a se casar com Harrison e depois o trocou por Clapton, mas a amizade entre os dois guitarristas seguiu inabalada.

Musas podem se tornar esposas e ex-esposas podem se tornar fonte de inspiração. Uma canção pode mudar completamente o rumo de uma carreira.

E não podemos esquecer os amores não correspondidos como Diana de Paul Anka,  ou ainda um pedido de desculpas de Bono (U2) para a esposa em  Sweetest Thing. Até mesmo o fato de uma das musas descritas no livro não ser exatamente uma mulher, e sim um travesti, não foi impecilho para o sucesso de Lola dos Kinks.

Os autores poderiam incluir as letras completas e não apenas trechos selecionados. A edição brasileira poderia ser enriquecida pelas letras traduzidas, mesmo sendo difícil traduzir alguns termos,  para que o leitor pudesse acompanhar a narrativa na íntegra.

A capa é linda e sugestiva: Marianne Faithfull, musa e ex-namorada de Mick Jagger, clicada em PB, sentada no tapete ao lado de uma vitrola ouvindo discos. Música & Musas é leitura deliciosa e recomendável aos curiosos por cultura pop.

Título: Musas & Músicas (The Girl in the Song)
Autores: Frank Hopkinson e Michael Heatley
Tradução: Christiane de Brito Andrei e Cristina Bazan
Páginas: 144
Editora: Editora Gutenberg

22
jun
11

Skank e Kaiser Chiefs à moda dos fãs

Charles Antunes Leite

O Skank recebeu a maior honraria do mercado publicitário. Os mineiros foram agraciados com o Leão de Ouro no Festival de Cannes, no evento anual que ocorre anualmente na Riviera Francesa. A banda recebeu o troféu de “Best Use of Social Media Marketing” (Melhor Uso de Mídia Social) pelo  projeto SkankPlay desenvolvido pelo coletivo DonTryThis formado pelos publicitários Caio Mattoso, Pedro Gravena e Rodrigo Mendes.

Ao entrar no site, o usuário pode tocar virtualmente com a banda e criar um clipe para a música De Repente.
Fonte: Meio e Mensagem

                                                                    Home do site da banda Kaiser Chiefs

Em tempos de plataformas colaborativas, a banda Kaiser Chiefs encontrou uma maneira  de interagir com os fãs. No site da banda www.kaiserchiefs.com são disponibilizadas 20 faixas do disco The Future is Medieval e o internauta pode escolher 10 para formar o álbum com capa e sequência personalizada à moda do freguês. As versões dos fãs poderão ser compartilhadas no próprio site e estes receberão uma porcentagem do lucro para cada cópia vendida – cerca de 10% do valor total.
Fonte: Combate Rock

Metallica e Lou Reed gravam juntos.  A informação foi divulgada pelo site oficial da banda. O grupo de metal já havia tocado com Reed no 25º aniversário do Rock and Roll Hall of Fame, em outubro de 2009. Naquele momento cogitaram trabalhar juntos. Foram gravadas dez músicas que serão lançadas em um disco ainda sem título e data de lançamento.
Fonte: Metallica.com

Após idas e vindas, o Tyketto voltará a gravar. Eles anunciaram que estão com um contrato com a Frontiers Records e planejam lançar o sucessor de Shine (1995). De acordo com o site da banda, o novo trabalho será nos moldes do ótimo Don’t Come Easy (1991).
Fonte: Tyketto.com

Sebastian Bach, ex-vocalista do Skid Row, prepara álbum com lançamento previsto para  27 de setembro. O título já foi definido Kicking & Screaming. Nas palavras do vocalista: “É meu melhor disco até hoje, mal posso esperar para que todos ouçam”.
Fonte: Whiplash

20
maio
11

Em breve, filme sobre o clube CBGB

Charles Antunes Leite

  • O lendário clube CBGB, marco zero da cena punk novaiorquina, terá sua história contada nas telas de cinema.  O palco da casa serviu para catapultar a carreira de artistas como Ramones, Blonde, Television e Talking Heads, em início de carreira.

          Ramones tendo o CBGB ao fundo

Inicialmente, o clube pretendia atender ao público de Country, Blue Grass e Blues, daí o nome abreviado para CBGB. O longa abordará o período de 1974 a 1976, em que o espaço adquiriu a fama para si e para os músicos que lá se apresentaram.
O CBGB se viu obrigado a fechar as portas em 2006, mesmo sob protestos e manifestações semelhantes ao caso do Belas Artes em Sampa.
Fonte: Billboard

  • Keith Richards revelou no programa Late Night With Jimmy Fallon, na última quinta-feira, que está preparando um álbum com músicas inéditas acompanhado pela banda X-pensive Wines. Richards já gravou outros dois discos solo: Talk Is Cheap (1989) e Main Offender (1992).

Fonte: Lokaos Rock Show

  • Deep Purple And Beyond: Scenes From The Life Of A Rock StarAlém do Deep Purple: Cenas da Vida de uma Estrela do Rock) é o nome da autobiografia do baixista Glenn Hugues.  O músico também tocou com o Black Sabbath antes de seguir carreira solo.

O livro escrito em parceria com Joel McIver foi lançado pela Foruli Publications e a introdução é de Lars Ulrich, baterista do Metallica.
Fonte: Blabbermouth.net




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