Archive for the 'LP' Category



08
maio
11

LP: So, Peter Gabriel (1986)

Charles Antunes Leite

ÁLBUM CLÁSSICO

O disco So (1986) completa 25 anos de lançamento este mês. Foi com esse quinto trabalho com músicas originais que Peter Gabriel conseguiu atingir êxito mundial na carreira solo.

O Peter Gabriel mais experimental e de raízes progressivas se aproxima do pop (mais elaborado) tão perseguido pelo colega de banda Phil Collins. Ele dividiu a produção com  Daniel Lanois (U2), que também tocou guitarra no álbum, e contou com um grupo de músicos que incluía o baixista Tony Levin e os bateristas Stewart Copeland (The Police)  e Manu Katché .

Sledgehammer é um caso à parte. O mega hit que frequentou pistas de dança – trazia o timbre vocal semelhante ao de Steve Winwood,  cozinha funk acompanhada pelo naipe de metais e backing vocal de black music – era difícil ficar parado quando tocava. O Clipe da música, vinha na vanguarda do artista Peter Gabriel, concebido sob colagens feitas em animação stop motion, e que incluía na equipe de animação Peter Lord e Nick Park que dirigiriam A Fuga das Galinhas (2000). As técnicas utilizadas naquela época, na atualidade são até simplórias, porém obras de arte são atemporais. O vídeo clipe levou nove prêmios MTV, em 1987.

O dueto Don’t Give Up com Kate Bush é um momento mais reflexivo – a letra fala das derrotas e da necessidade de reunir forças para tentar novamente. Em Mercy Street, a percussão leve (surdo, triângulo e congas tocados pelo brasileiro Djalma Correa) acompanham as palavras sussurradas por Gabriel – que ficou conhecida no Brasil, numa interpretação de Ritchie, incluída na trilha sonora da minisérie O Sorriso do Lagarto.

In Your Eyes  conta com o vocal do camarada senegalês Yossou N’Dour e foi incluída no filme Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989) com o John Cusack; Red Rain e Big Time dispensam comentários ao lado das outras duas faixas que não chegaram a ser executadas em FMs. So foi relançado com uma faixa bônus em CD e vinil remasterizado de 200 gramas, em 2003, no Reino Unido.

Lado A
1. Red Rain
2. Sledgehammer
3. Don’t Give Up
4. That Voice Again
Lado B
1. In Your Eyes
2. Mercy Street
3. Big Time
4. We Do What We’re Told (Milgram’s 37)

LP: So, 1986
Artista: Peter Gabriel
Gravadora: Virgin – RCA

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28
fev
10

LP/CD: Cabeça Dinossauro, Titãs (1986)

ÁLBUM CLÁSSICO

Charles Antunes Leite

Tudo começou com uma banda de colégio chamada Titãs do Iê-Iê formada por jovens bem nascidos – típicos rebeldes sem causa. O primeiro disco Titãs (1984) trazia os sucessos Sonífera Ilha e Toda Cor, além de duas faixas que passaram despercebidas, e que seriam regravadas em Go Back (1988). O som era cru, mistura de reggae, new wave, brega e jovem guarda. O octeto com figurinos e cabelos esquisitos se acotovelando no palco fez muito sucesso nos programas de auditório da época: Chacrinha, Raul Gil e Barros de Alencar.

A coisa começou a engrenar com a gravação do segundo LP Televisão (1985) com produção e participação de Lulu Santos e direção artística de Liminha, futuro produtor da banda. A música Televisão falava da alienação causada pelos programas televisivos. Massacre, a última música do disco, anunciava  o que seria o álbum Cabeça Dinossauro (1986).

Cabeça Dinossauro com direção artística e produção de Liminha (considerado o nono Titã) trazia na capa o desenho “Expressão de Um Homem Urrando de Leonardo da Vinci, ao invés da foto dos integrantes. São 13 músicas memoráveis privilegiando a “pegada” punk.

O disco abre com a percussiva Cabeça Dinossauro. A onomatopéica AA UU é o grito do homem moderno em sons primários. O grupo vocifera contra as instituições: Igreja, Polícia, Estado Violência e até a Família não sai incólume.

A Face do Destruidor a letra é cantada numa violência e rapidez em que é quase impossível acompanhá-la. Família é uma sátira a harmonia familiar em ritmo de reggae. Policia é um protesto contra a corporação que deveria manter a ordem e que usa a força para repreender  o cidadão (Arnaldo Antunes e Tony Bellotto foram presos por porte de heroína).

Depois de Porrada, em que mandam recado para os conformistas e perdedores, um momento para respirar com Tô Cansado. Recuperado o fôlego, uma das músicas mais populares do repertório dos Titãs, a politicamente incorreta, Bichos Escrotos. Na época a faixa foi vetada para a radiodifusão devido ao palavrão do refrão que a garotada enfatizava sempre que era tocada nas danceterias e shows. No final do disco a temperatura abaixa com ritmos e letras mais leves e fecha com a poesia concreta do tecno funk O Quê.

Depois viriam mais dois álbuns essenciais Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas (1987), considerado Cabeça Dinossauro II, e o inovador Õ Blesq Blom (1989) com uso de samplers e bateria eletrônica.

Tudo Ao Mesmo Tempo Agora (1991) foi mal compreendido devido ao peso das músicas e letras escatológicas. Convidaram Jack Endino (Nirvana, Mudhoney) para produzir Titanomaquia (1993), primeiro sem Arnaldo Antunes. A banda perdeu Nando Reis que saiu em carreira solo e Marcelo Fromer que morreu atropelado em 2001. Em fevereiro de 2010, Charles Gavin anuncia sua saída dos Titãs.

Os Titãs serão sempre lembrados como um octeto e pela obra prima Cabeça Dinossauro, um dos melhores discos do rock brasileiro.

Álbum: Cabeça Dinossauro, 1986
Artista: Titãs
Gravadora: Warner

17
jul
09

CD: Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, The Beatles (1967)

Charles Antunes Leite

Em 1967, os Beatles eram conhecidos em todos os cantos do planeta e  haviam desistido das apresentações ao vivo, se dedicando exclusivamente a produção dos seus discos. O ponto alto (mais alto) alcançado em se tratando de criatividade e técnica veio com a longa gestação do meticuloso e revolucionário Sgt. Peppers.

O produtor George Martin, responsável não só pela sonoridade dos Beatles como de muitos outros artistas, mergulhou nas viagens sonoras dos Fab Four, dando forma aos devaneios musicais de John e Paul.

A música que intitula o álbum, um rock’n’roll sujo, gritado por Paul, acompanhado pelo “backing vocals” dos Beatles, metais, sampler de fãs histéricas e final em ritmo marcial interligando o saudosismo de With a Little Help From my Friends cantada pelo baterista Ringo Starr.

Em Lucy in the Sky With Diamonds (Lennon negou a alusão ao LSD expressa nas iniciais); A Day in a Life, canção que segue em progressão, e quando parece chegar ao ápice para terminar, recomeça com os vocais encobertos por uma camada de metais. As demais músicas dão coesão para uma obra atemporal da música pop.

Cada tema proposto era exaustivamente ensaiado e manipulado pelos cinco. Nesse disco foram utilizadas técnicas até então inéditas: o uso de oito canais, afinações, dobramentos e utilização de fitas magnéticas para criar a sonoridade com a utilização de instrumentos e harmonias hindus, diversidade de estilos, psicodelia…

A outra grande sacada dos rapazes de Liverpool foi a capa inspirada na Pop Art concebida pelo artista Peter Blake, com colagens formando um painel com fotos e ilustrações de vários artistas e figuras públicas, o que originaria diversas lendas em torno de sua composição, inclusive a suposta morte anunciada de Paul , devido a um túmulo florido e o baixo de McCartney envolto também em flores.

Por tudo isso, Sgt. Peppers se tornou enigmático e cultuado, sendo considerado mesmo quarenta anos após seu lançamento, o melhor disco de todos os tempos. O título é merecido.

Album: Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, 1967
Artista : The Beatles
Gravadora: EMI

17
jul
09

CD: Pink Floyd, Dark Side of the Moon (1973)

Charles AntunesLeite

ÁLBUM CLÁSSICO

O Pink Floyd inicialmente era uma banda de rock lisérgico, fazia a sonoridade característica de outras bandas do final dos anos 60. Eles vinham ensaiando uma guinada na concepção sonora, o que ficou evidente em  Atom Heart Mother (1970) e Meddle (1971).

O disco conceitual mais famoso de todos os tempos, fruto das letras de Rogers Waters, que teve entre suas fontes de inspiração o ex-guitarrista da banda, Syd Barrett, que fora afastado devido aos seus problemas psicológicos. A parte melódica ditada pelas guitarras de David Gilmour juntamente com a técnica do baterista Nick Mason e o tecladista Rick Wright e a mão do engenheiro de som Alan Parsons, que terminado o trabalho no estúdio Abbey Road, se animou em gravar seus próprios discos.

Há uma lenda na qual o Floyd pensou o disco como trilha sonora para o filme The Wizard of Oz (O Mágico de Oz), e se  o disco for tocado simultaneamente com o filme tem-se a nídita sensação que as imagens casam com a música.

O álbum demorou  oito meses para ser finalizado e foram utilizadas técnicas inovadoras para que as músicas conseguissem passar o “Space Sound” proposto pela banda.

Dentre os clássicos que compuseram a obra, vale ressaltar a beleza lírica de Clare Torry no vocalise de The Great Gig in the Sky; Us and Them com o melódico saxofone; Money, sons de moedas em ritmo 7/4; o relógio batendo ao compasso do coração em Time.

Dark Side of the Moon, desde o seu lançamento, continua a vender muito, e é sempre lembrado nas listas dos melhores discos da história da música. Roger Waters e Cia. conseguiram com esse trabalho ultrapassar a estratosfera, e  levar o ouvinte até onde nenhum homem havia chegado – ao lado escuro da Lua.

CD: Dark Side of the Moon, 1973
Artista: Pink Floyd
Gravadora: EMI




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