Archive for the 'Relançamento' Category

12
jan
15

Miragem, Os Lobos (1971)

Por Charles Antunes Leite O mês de janeiro é propício para se aventurar na procura por ofertas e promoções. Em tempos de MP3, em que os CDs já não têm tanta procura como outrora, fãs dos disquinhos prateados podem se surpreender com verdadeiros achados nas gôndolas das lojas. Numa grande livraria de São Paulo deparei com um balcão de promoções com preços convidativos, inclusive uma “bacia das almas” com CDs por um Real.  À primeira vista o cidadão desanima pela desordem dos títulos e gêneros, além da descrença de encontrar algo que valha a busca. Aqueles que tiverem tempo e paciência podem garimpar pérolas ou mesmo se arriscar a conhecer novos artistas. No referido lote de disquinhos, pela módica moedinha, havia Independentes, Jovem Guarda, Regional, Instrumental, Brega… Saí da livraria com um pacote contendo: Uakti (Instrumental mineiro), Os Brasas (Jovem Guarda gaúcho), Um duplo com gravações de 78 rotações da Dóris Monteiro, Yo La Tengo e alguns outros títulos à 3,90 (que convenhamos é uma ninharia) e Os Lobos – Miragem. os-lobos-miragemUma das melhores aquisições do pacote foi o grupo niteroiense Os Lobos. A sonoridade deles era calcada em Beatles e Stones, elementos de psicodelia e música brasileira (em alguns momentos lembra Mutantes). Se não fosse pelo selo Discobertas, não veriam a luz do laser. Fanny, o primeiro sucesso deles, ficou de fora do álbum relançado pela Discobertas – não foi liberado pela família de Ed Lincoln, proprietário do selo Savoya. Duas músicas de Raul Seixas interpretadas por eles no VII Festival Internacional da Canção Popular, em 1972, foram acrescentadas. Os Lobos – Miragem (1971): Seu Lobo – vocal e ritmo Lembra a fase Tutti Frutti da Rita Lee; Homem de Neanderthal – autoria de Luiz Carlos Sá remete ao rock rural do autor e também associo a Zé Geraldo e Eduardo Araújo com guitarra rock setentista; Avenida Central – cordas e o vocal sentimental da cantora Cristina; Meu amor por Cristina – melodia num crescendo “pinkfloydiano” fase Atom Heart Mother, ecos do Tim Maia dos primeiros discos nos vocais; YouMutantes no escracho e na melodia; Miragem – a faixa titulo (outra de ) traz a sonoridade da guitarra de Roger Mcguinn (Byrds) e o vocal de Cristina emulando Rita Lee; Santa Teresa – a canção apresenta vocalização que se tornaria marca dos Secos e Molhados, que surgiriam em 1973; Psicodelia e letras bicho grilo estão em Carro Branco e Na sombra da Amendoeira; Ótimas releituras de Let me Sing, Let me Sing e Eu sou eu, Nicuri e o Diabo ambas de Raul Seixas. A banda se separou em meados dos anos 1970. O cantor e compositor Dalto, que fez parte da primeira formação, se tornaria conhecido nacionalmente, em 1985, com o sucesso radiofônico Muito Estranho.

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24
jan
13

Memórias Musicais: Transa, Caetano Veloso (1972)

Charles Antunes Leite

RELANÇAMENTO

Certa noite estava assistindo a um programa de TV… E surpreso, percebi na trilha uma canção de Caetano Veloso que não costuma tocar no rádio: It`s a Long Way, abre o lado dois do álbum Transa (1972). Lembrei-me da primeira vez em que ouvi um LP de Caetano – até então havia tido acesso a  canções mais conhecidas e esparsas na programação das emissoras de rádio nos anos 1980.

Essa audição ocorreu quando Transa havia alcançado a maioridade, em 1990. Eu, que até então, só ouvia rock – fui apresentado aos grandes expoentes da MPB e também do jazz por um amigo.

Transa foi produzido por Ralph Mace que havia sido tecladista do álbum The Man Who Sould the World (1970) de David Bowie. Mace já havia produzido o disco homônimo Caetano Veloso (1971). A banda: Jards Macalé (violões, guitarras e direção musical), Tutty Moreno (bateria), Áureo de Souza (percussão), Moacyr Albuquerque (baixo) além das participações de Gal Costa e Ângela Ro Ro.

O vinil durava menos de 40 minutos distribuídos em apenas sete faixas:

You Don’t Know Me: Guitarra blues com letra cantada primeiro em inglês e depois no característico português que confirma a origem baiana do compositor. Aí aparece pela primeira vez o backing vocal luxuoso de Gal Costa nesse disco.

Nine Out of Ten: Um passeio por Portobelo Road ao som do reggae – Carpe Diem!

Triste Bahia: Um lamento embalado pela música de capoeira. Duas estrofes de um soneto do poeta baiano Gregório de Matos fazem parte da letra.

It’s a Long Way: O longo caminho percorrido pelo mais famoso filho de Santo Amaro da Purificação:  do exílio em Londres para finalmente voltar ao Brasil. A canção é conduzida pelo violão e apresenta percussão e influência rítmica da música nordestina.

Mora na Filosofia:  Originalmente um samba vinculado ao carnaval- era um descarrego percussivo. A música na versão de Caetano propõe a análise de uma relação pondo amor e dor como dois pesos de uma balança. A interpretação de andamento cadenciado (a maior parte do tempo) pode ser considerada uma das melhores versões para a célebre composição de Monsueto e Arnaldo Passos.

Neolithic Man: A música vem numa crescente com violão e percussão tímida para culminar no tribal concretista.

Nostalgia (That’s What Rock’n Roll Is All About): Caetano revisita o rock’n’roll dos fifties. Nessa faixa nota-se a gaita tocada pela  jovem, ainda desconhecida, Ângela Ro Ro que no início dos anos 1970 “ralava” em Londres servindo mesas, cantando e tocando piano.

O disco Transa como introdução ao universo de Caetano Veloso é plural em influências- mescla raízes antropofágicas, naturalismo e a musicalidade londrina da época.  O mix de instrumentos acústicos e elétricos, ritmos e idiomas fez do compositor baiano um artista cosmopolita  sem se afastar de suas raízes provincianas.

Em 2012, Transa completou 40 anos. A Universal relançou em CD remasterizado em Abbey Road e vinil 180g com projeto gráfico de Álvaro Guimarães.

16
set
12

Bad 25th Anniversary Edition, Michael Jackson (2012)

RELANÇAMENTO

Charles Antunes Leite

Em 1987, Michael Jackson tinha a difícil missão de apresentar o sucessor de Thriller (1982), recordista imbatível de vendas, feito que jamais foi alcançado por ele mesmo ou qualquer outro artista. Bad, apesar de não vender tanto quanto o anterior, teve o mérito de manter Michael no topo e coroá-lo como o Rei do Pop. O álbum fecha a trilogia em que trabalhou com o produtor Quincy Jones, iniciada pelo ótimo disco Off the Wall (1979) em que Michael Jackson utiliza toda a experiência adquirida com seus trabalhos soul dos anos 1970 e no qual já demonstrava um potencial direcionamento para ritmos mais dançantes.

Para a capa de Bad, Michael Jackson já apresenta visíveis sinais da metamorfose que  sofreria nos anos seguintes (compare a aparência do cantor oito anos antes). Bad traz Michael encarnando uma espécie de Ziggy Stadust  sadomasoquista clicado sob fundo branco e a palavra “bad” como se fosse uma pichação vermelho sangue.

O disco apresentou quase tantos sucessos quanto o anterior, e mesmo sem o sabor de novidade do estilo MJ, grandes pérolas pop foram tiradas do álbum: Bad, a faixa título, que abre o disco, é Beat It revisitado – o clipe novamente utiliza como mote o encontro de gangues – agora, numa estação de metrô. Além da música tema, mais quatro singles alcançaram o primeiro lugar e uma que  quase chegou lá:  Leave Me Alone. A megalomania e o superlativo em tudo que viria a se tornar Michael Jackson se consolida com Bad cujo clipe promocional teve Martin Scorsese como diretor e o ator Wesley Snipes, na ocasião, desconhecido do público brasileiro.

Bad é mais brutal que o anterior Thriller em que Michael resvalava no passado soul. A sonoridade aqui é mais direta e trilha por caminhos do funk e R’n’B – direcionado às pistas de dança. Lembro que na danceteria Califórnia Dreams (Zona Norte de Sampa) chegava a tocar quatro vezes a música Bad, a cada noite, devido ao apelo coreográfico dela.

O dueto com a cantora e compositora Siedah Garrett em I Just Can’t Stop Loving You, uma balada por excelência, encabeçava a lista das mais pedidas pelos ouvintes das FMs.

Man in the Mirror é um exame de consciência e também um olhar para os desvalidos. The Way You Make Me Feel é uma declaração para uma garota enquanto Dirty Diana é um apelo para que uma “groupie” o deixe em paz. Smooth Criminal é mais uma música contagiante aliada ao clipe com primorosa produção e direção no qual apresenta outra inspirada coreografia com a marca registrado do Rei do Pop.

Depois de Bad, houve uma queda produtiva e qualitativa nos anos 1990 e 2000, o homem passou a ser associado às excentricidades em detrimento a genilaidade do artista. Leave Me Alone seria o prenúncio do que viria a ser a intimidade de Jackson e que o acompanharia até sua morte, em 2009.

Álbum: BAD: 25th Anniversary Edition (3CDs+DVD), 2012
Artista: Michael Jackson
Gravadora: Sony

CD1 – O álbum original:
1. Bad (2012 Remaster)
2. The Way You Make Me Feel (2012 Remaster)
3. Speed Demon (2012 Remaster)
4. Liberian Girl (2012 Remaster)
5. Just Good Friends (2012 Remaster)
6. Another Part Of Me (2012 Remaster)
7. Man In The Mirror (2012 Remaster)
8. I Just Can’t Stop Loving You (2012 Remaster)
9. Dirty Diana (2012 Remaster)
10. Smooth Criminal (2012 Remaster)
11. Leave Me Alone (2012 Remaster)

 

CD2 – Versões demo de canções de Bade inéditas que ficaram de fora do álbum e remixes de civersos produtores:
1. Don’t Be Messin’ ‘Round
2. I’m So Blue
3. Song Groove (A/K/A Abortion Papers)
4. Free
5. Price Of Fame
6. Al Capone
7. Streetwalker
8. Fly Away
9. Todo Mi Amor Eres Tu (I Just Can’t Stop Loving You) (Album Version)
10. Je Ne Veux Pas La Fin De Nous (I Just Can’t Stop Loving You) (French Version)
11. Bad (Remix By Afrojack Featuring Pitbull – DJ Buddha Edit)
12. Speed Demon (Remix by Nero)
13. Bad (Remix By Afrojack – Club Mix)

 

CD3 – Áudio do lendário show de Wembley:
1. Wanna Be Startin’ Somethin’ (Live At Wembley July 16, 1988)
2. This Place Hotel (Live At Wembley July 16, 1988)
3. Another Part Of Me (Live At Wembley July 16, 1988)
4. I Just Can’t Stop Loving You (Live At Wembley July 16, 1988)
5. She’s Out Of My Life (Live At Wembley July 16, 1988)
6. I Want You Back / The Love You Save / I’ll Be There (Live At Wembley July 16, 1988)
7. Rock With You (Live At Wembley July 16, 1988)
8. Human Nature (Live At Wembley July 16, 1988)
9. Smooth Criminal (Live At Wembley July 16, 1988)
10. Dirty Diana (Live At Wembley July 16, 1988)
11. Thriller (Live At Wembley July 16, 1988)
12. Working Day And Night (Live At Wembley July 16, 1988)
13. Beat It (Live At Wembley July 16, 1988)
14. Billie Jean (Live At Wembley July 16, 1988)
15. Bad (Live At Wembley July 16, 1988)
16. Man In The Mirror (Live At Wembley July 16, 1988)

 

DVD – Show completo de Wembley:
1. Show Open
2. Wanna Be Startin’ Somethin’ (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
3. This Place Hotel (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
4. Another Part Of Me (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
5. I Just Can’t Stop Loving You (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
6. She’s Out Of My Life (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
7. I Want You Back/The Love You Save/I’ll Be There (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
8. Rock With You (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
9. Human Nature (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
10. Smooth Criminal (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
11. Dirty Diana (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
12. Thriller (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
13. Bad Groove (the Band Jam section) (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
14. Working Day And Night (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
15. Beat It (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
16. Billie Jean (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
17. Bad (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
18. Man In The Mirror (Live At Wembley July 16, 1988 (Stereo))
19. The Way You Make Me Feel (Live At Wembley July 15, 1988 (Stereo))
20. I Just Can’t Stop Loving You/Bad (Live at Yokohama Stadium, September, 1987 (Stereo))
21. Show Open (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
22. Wanna Be Startin’ Somethin’ (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
23. This Place Hotel (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
24. Another Part Of Me (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
25. I Just Can’t Stop Loving You (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
26. She’s Out Of My Life (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
27. I Want You Back/The Love You Save/I’ll Be There (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
28. Rock With You (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
29. Human Nature (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
30. Smooth Criminal (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
31. Dirty Diana (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
32. Thriller (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
33. Bad Groove (the Band Jam section) (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
34. Working Day And Night (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
35. Beat It (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
36. Billie Jean (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
37. Bad (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
38. Man In The Mirror (Live At Wembley July 16, 1988 (5.1 Surround Sound))
39. The Way You Make Me Feel (Live At Wembley July 15, 1988 (5.1 Surround Sound))
40. I Just Can’t Stop Loving You/Bad (Live at Yokohama Stadium, September, 1987 (5.1 Surround Sound))
06
dez
11

CD: Achtung Baby – Deluxe Edition, U2 (2011)

RELANÇAMENTO

ÁLBUM CLÁSSICO

Charles Antunes Leite

A atmosfera de Berlim é altamente inspiradora para o rock. David Bowie, Iggy Pop e R.E.M já estiveram na cidade para gravar discos. Bowie utilizou o estúdio Hansa nas vizinhanças do famoso muro que dividia Berlim para gravar a trilogia: Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979), com o produtor Brian Eno, colaborador do U2, que junto com Daniel Lanois, Steve Lillywhite e o produtor Flood se uniram para dar forma ao sétimo álbum da banda: Achtung Baby (1991).

Quando foram anunciadas as diretrizes de Achtung Baby, alguns fãs (eu me incluo nesse grupo)  torceram o nariz. Divulgado o primeiro single, percebi que não poderia analisar de forma tão simplista o conceito do álbum – o mundo estava mudando e a tecnologia inspirava novas sonoridades.

Zoo Station funciona como prelúdio para aquilo que se ouviria ao longo do disco – as canções foram desenvolvidas com o uso de sintetizadores e adereços eletrônicos, mesmo assim ainda era o U2. A guitarra inconfundível de The Edge aparece emoldurada por distorções de eletro pop e o amplo uso de pedais de efeitos; a bateria vem acompanhada pela percussão digital. As canções tem um ganho de “bass” que valoriza a presença do baixista Adam Clayton.

Faixas dançantes como Even Better Than The Real Thing, The Fly e Mysterious Ways e baladas como One e So Cruel passaram a ser executadas nas rádios e na MTV. Para a música One foram criados três clipes pelos diretores Anton Corbjin, Mark Pellington e Phil Joanou (Rattle and Hum).

Achtung Baby traz canções bem próximas daquilo que o U2 havia apresentado em Joshua Tree com o frescor das inovações dos anos 1990: Until The End Of The World fez parte da trilha do filme homônimo do diretor e “brother” alemão Win Wenders, enquanto Who’s Gonna Ride Your Wild Horses soa como uma faixa perdida e mais animadinha de Darklands do Jesus and Mary Chain.

O CD bônus, em sua maioria, serve como memorabilia para os fãs. Traz B sides dos singles, versões alternativas para músicas do álbum, além de novidades como a boa versão para Satellite of Love (Lou Reed); Night and Day de Cole Porter (que já havia aparecido no tributo Red Hot + Blue) vem revigorada com a levada da guitarra de The Edge e marcada pela percussão de Larry e o baixo de Adam – Eu acabei me desfazendo de um vinil “ bootleg” com as referidas músicas – hoje me arrependo disso.

Os covers de Paint it Black (Jagger/Richards) e Fortunate Son (John Fogerty), são dispensáveis. O destaque fica por conta de Salome e Lady With The Spinning Head que ficaram de fora do álbum original.

Achtung Baby, já na primeira audição mostrou a que veio – clássico instantâneo. Passados 20 anos minhas impressões ainda são as mesmas.

A edição de 20º aniversário foi disponibilizada em cinco versões: Standard CD, Deluxe Edition, Super Deluxe Edition, Vinyl Box Set e o sonho de consumo dos fãs Uber Deluxe Edition.

Edição limitada e numerada Achtung Baby Uber Deluxe em todo o seu explendor

Uber Deluxe Edition – Edição limitada e numerada numa caixa de quebra-cabeça magnética com 10 discos (6CDs + 4DVDs): o álbum original, o CD bônus, Zooropa (1993), b-sides e material inédito gravado durante as sessões de Achtung Baby. DVDs From The Sky Down, documentário de Davis Guggenheim; o show Zoo TV – Live From Sidney, todos os vídeos de Achtung Baby e bônus. Vinil duplo do álbum, cinco singles 7” de vinil transparente em suas capas originais, 16 cópias da arte tiradas do encarte do álbum original com fotos de Anton Corbjin; livro de capa dura com 84 páginas, uma cópia da revista oficial do U2, quatro emblemas, uma folha de etiqueta, e uma réplica dos óculos escuros “The Fly” usados por Bono Vox durante a turnê de 1992.

Álbum: Achtung Baby Deluxe Edition, 2011
Artista: U2
Gravadora: Island Records/Universal 

20
jul
11

Primeiros discos dos Ramones relançados em vinil

Charles Antunes Leite

A gravadora Rhino está relançando os quatro primeiros discos dos Ramones em LP. Em 2008, os títulos já haviam sido lançados e estavam fora de catálogo. Eles retornam às lojas em vinil de 180 gramas com as capas originais.

Ramones (1976)

O grupo foi formado em Nova Iorque, em 1974, influenciados pelos Stooges, MC5 e Velvet Underground e pop rock dos 60’s. O nome da banda foi inspirado no pseudônimo Phil Ramone que Paul McCartney usava para se hospedar anonimamente  em hotéis. Todos os integrantes que passaram pela banda utilizaram o sobrenome artístico.

Algumas bandas nova iorquinas vinham desenvolvendo  uma sonoridade mais simples e pesada no final da década de 1960, hoje conhecidos como pré- punks. Os Ramones viriam consolidar um estilo como meio de expressão da juventude roqueira que não se identificava com a grandiosidade e pompa do rock nos anos 1970.

O trabalho de estreia já trazia o som característico – rock cru e rasteiro, em que a maioria das músicas dificilmente ultrapassavam os dois minutos de duração. Era a resposta às suítes progressivas que chegavam a ocupar os dois lados dos LPs.

Eles entoam o grito de guerra da banda “Hey Ho Lets Go” (que se tornaria uma marca) em Blitzkrieg Bop; Judy Is A Punk retrata a temática e o termo punk antes que Malcoln McLaren capitalizasse o gênero com o lançamento dos Sex Pistols. A levada pop de I Wanna Be Your Boyfriend revela com simplicidade, os anseios juvenis, enquanto 53rd & 3rd acenava para um tema mais adulto pela ótica do baixista Dee Dee Ramone.

Com o álbum homônimo inspiraram a cena punk inglesa e inauguraram a possibilidade de fazer rock ‘n roll com apenas três acordes – básicos como o próprio rock.

Leave Home (1977)
Promovia a continuidade do álbum de estreia. Destaque para Gimmie Gimmie Shock Treatment; Suzy Is A Headbanger; Pinhead;  California Sun (cover dos Rivieras) e Commando (que ficou conhecida na versão dos Ratos de Porão).

ÁLBUM CLÁSSICO
Rocket to Russia (1977)

A foto da capa é semelhante àquela do disco de estreia em que o grupo é clicado em frente a uma parede de tijolos aparentes – se tornou icônica. No verso, uma ilustração em que um fã dos Ramones, montado num foguete com destino à Rússia, balança uma bandeirola “Gabba Gabba Hey” – protesto bem humorado contra a Guerra Fria.

Rocket traz lembranças da minha adolescência pela sua importância artística e pelo fato de ter sido o primeiro disco que comprei.
Nele se destaca o sopro melódico dos Beach Boys ao lado da crueza rocker, mistura do punk com bubblegum.

A produção é mais caprichada, mérito de Tony Bongiovi (primo de um certo Jon Bon Jovi) e Tommy Erdelyi que havia tocado bateria nos dois primeiros discos da banda, além da presença do engenheiro de som Ed Stasium.

Cretin Hop, a guitarra avassaladora invade o alto falante; Rockway Beach é para cantar junto. Here Today, Gone Tomorrow é uma balada ramônica. Sheena Is A Punk Rocker, puro Beach Boys. O retrato sarcástico do cotidiano de uma família do Queens é pintado em We’re A Happy Family; Teenage Lobotomy é um clássico instantâneo.

Os Ramones se apropriaram de Do You Wanna Dance? (Bobby Freeman) e nos brindam com a versão definitiva. Surfin’ Bird dos Trashmen se equipara a original.

Road to Ruin (1978)

Tommy Ramone (T. Erdelyi), vinha sendo o baterista improvisado, deixa as baquetas para se dedicar à produção em parceria com Ed Stasium. Marky Ramone, o substituto, tinha no currículo a experiência de ter tocado no Dust e no Richard Hell & the Voidoids, acrescenta mais vigor ao grupo.

I Just Wanna Have Something To Do, a batida  constante típica dos Ramones. Eles nunca foram tão rápidos e pesados como em I’m Against It; I Wanna Be Sedated (outro clássico) e She’s the One. Como de costume, uma pérola dos sixties Needles & Pins, dos Searchers, mostra que eles podiam tocar no rádio; Questioningly é praticamente country. Road to Ruin marca o avanço técnico e a diversidade na discografia dos Ramones.

 
28
jun
11

CD: Segundo pacote de relançamentos do Queen chega ao mercado

Charles Antunes Leite

Dando continuidade a série de relançamentos do 40º aniversário do Queen, a gravadora Universal relança mais cinco álbuns de estúdio da banda, remasterizados e expandidos. No primeiro semestre já haviam sido lançados os cinco primeiros trabalhos em CDs duplos.


Tive a experiência de ouvir um LP do Queen, na íntegra, com News of the World (1977), da coleção do irmão mais velho de um colega de escola, no início da década de 1980. A capa é emblemática – adaptação de uma ilustração do artista norte americano de “sci-fi” Frank Kelly Freas em que um robô gigante arranca os integrantes da banda de dentro de um auditório.

We Will Rock You é percussiva e comumente acompanhada pelo bater dos pés – ao vivo, isso a torna emocionante tanto para o grupo quanto para a plateia. We Are The Champions consagrou-se como um dos hinos mais conhecidos de sempre e adotado como tema para formaturas, entrega de prêmios e palestras motivacionais.

O disco lançado no auge do movimento punk trazia Sheer Heart Attack. A música havia ficado de fora do álbum homônimo de 1974. Quem cantou na gravação foi Roger Taylor, o autor – acompanhado pela guitarra de May em conjunto com a cozinha da banda apresenta sonoridade próxima do Motörhead – o Queen, conhecido pelo rock elaborado, podia soar punk. Na sequencia, o piano e voz de Freddie Mercury acompanhados pelo coro característico da banda acalmam as coisas em All Dead, All Dead.

Jonh Deacon contribuiu com poucas canções no repertório do grupo, porém sempre certeiras como Spread Your Wings, uma daquelas baladas que arrebatam a audiência.

O grupo abre mão do uso de produtor para o disco e o finalizam em tempo recorde em  relação aos anteriores. O esmero de produção notados em  A Night At The Opera (1975) é deixado de lado em favor de algo mais simples como Sleeping On The Sidewalk – gravada na primeira tomada sem o uso de overdubs.

My Melancholy Blues com Freddie ao piano acompanhado pela cozinha de John e Roger fecha o melhor disco desse segundo pacote. O álbum alcançou Platina nos dois lados do Atlântico.

Faixas bônus:  Feelings, Feelings (Take 10, July 1977); Spread Your Wings (BBC Session, October 1977); My Melancholy Blues (BBC Session, October 1977); Sheer Heart Attack (Live in Paris, February 1979) e We Will Rock You (Fast) (Live in Tokyo, November 1982).

Jazz (1978) foi o primeiro trabalho gravado em estúdio fora do Reino Unido, e com o qual começaram a incorporar diversos estilos musicais e também a direcionar as composições para o pop.

Mustapha é o rock ornamentado do Queen com influência de música árabe enquanto Fat Bottomed Girls apresenta a controversa letra machista, digna do Mötley Crue, embalada pelo peso do hard rock setentista.

Piano e voz de Freddie, inicialmente, marcam presença em Jealousy para depois se juntar ao intrumental e backing vocals da banda. No crescente tema Bicycle Race, o vocalista é assessorado pelo coro do Queen. Don’t Stop Me Now é uma amostra da aproximação com o pop que viria para ficar.

Faixas bônus: Fat Bottomed Girls (Single Version); Bicycle Race (Instrumental); Don’t Stop Me Now (With Long-Lost Guitars); Let Me Entertain You (Live in Montreal, November 1981) e Dreamers Ball (Early Acoustic Take, August 1978).

The Game ( 1980) marca de vez a entrada do Queen na seara pop. Eles se voltam para a pesquisas rítmicas e gêneros musicais como o funk e soul, além de incorporar sintetizadores às gravações. Esse direcionamento para a música pop abriria caminho para vendagens milionárias e inúmeros sucessos radiofônicos.

Another One Bites The Dust apresenta linhas robustas do baixo de John Deacon, totalmente à vontade com a guinada estilistica da banda, seguidas pela batida seca de Roger Taylor e a guitarra de Brian May para temperar a mistura que se revelou um grande sucesso como single. Novos ouvintes  aderiram ao som do Queen, mas os fãs roqueiros não se mostraram animados com essa guinada sonora e visual – foi nessa época que Freddie Mercury passou a ostentar o bigode.

Crazy Little Thig Called Loved é rockabilly pulsante com vocal estilo Elvis Presley – é contagiante para assobiar e estalar os dedos. A última faixa traz Mercury apoiado pelo piano de Brian May em  Save Me, mais um hit do disco.

Faixas bônus: Save Me (Live in Montreal, November 1981); A Human Body (B-Side); Sail Away Sweet Sister (Take 1 With Guide Vocal, February 1980); It’s A Beautiful Day (Original Spontaneous Idea, April 1980) e Dragon Attack (Live in Milton Keynes, June 1982)

Flash Gordon (1980),  trilha sonora para a adaptação cinematográfica do personagem de HQ criado pelo cartunista Alex Raymond, foi a primeira incursão do Queen nesse tipo de composição.

A produção da trilha foi feita em paralelo com The Game. O fato de trabalhar em duas propostas de álbuns diferentes e simultâneos somado a falta de “know how” para essa forma de composição pode ter  contribuído para o resultado mediano das canções de Flash Gordon. Elas funcionam no contexto do filme, principalmente por virem acompanhadas de diálogos da trama.

Flash’s Theme é vigorosa e The Wedding March recria o clima de God Save The Queen (1975), os pontos altos e memoráveis do score. O restante da trilha é calcada em sintetizadores e não seduz o ouvinte acostumado com a sonoridade do Queen, principalmente os admiradores da voz de Freddie Mercury.

Faixas bônus: Flash (Single Version); The Hero (October 1980… Revisited); The Kiss (Early Version, March 1980); Football Fight (Early Version, No Synths! – February 1980); Flash (Live in Montreal, November 1981) e The Hero (Live in Montreal, November 1981).

Hot Space (1982) representa um mergulho na black music. Essas influências cobrem a maioria das faixas do álbum como em  Staying Power; Dancer e Body Language.

Back the Chat soa como o grupo Chic. Las Palabras De Amor (The Words of Love) é considerada, por alguns, um bela balada e para outros um equívoco musical de Freddie e Cia.

O acento soul/funk de Cool Cat, faz dela uma canção que poderia ser incluída num disco do Prince. Under Pressure (parceria com David Bowie na composição, vocal e produção) tornou-se um dos temas mais perenes, constantemente lembrada, principalmente, depois que foi sampleada por Vanilla Ice.

Hot Space é um disco experimental de um grupo que sempre primou pelas pesquisas de ritmos e técnicas de gravação e produzido num momento de reciclagem e nascimento de subgêneros da música pop.

Faixas bônus: Staying Power (Live in Milton Keynes, June 1982)
Soul Brother (B-Side); Back Chat (Single Remix); Action This Day (Live in Tokyo, November 1982) e Calling All Girls (Live in Tokyo, November 1982).

20
jun
11

CD: Born Again – Deluxe Edition, Black Sabbath (2011)

RELANÇAMENTO

Charles Antunes Leite

Born Again é um caso à parte na discografia do Black Sabbath, banda que já contou com dois grandes vocalistas e que dividem a preferência dos  fãs: Ronnie James Dio (R.I.P) do Rainbow substituiu Ozzy Osbourne que partiu para carreira solo. Após o terceiro disco com o Sabbath, Dio foi dispensado (dizem as más línguas!) por ter sabotado a mixagem do último trabalho privilegiando os vocais na gravação.

Ian Gillan (Deep Purple) em carreira solo desde 1973 é convidado para a vaga, e além de desempenhar com competência a função, ainda é responsável pelas letras das canções. Born Again traz na capa a ilustração de um bebê, que carinhosamente chamo de “Bebê de Rosemary”, e conta com a volta do baterista original Bill Ward.

Trashed poderia ser definida como uma música do Deep Purple mais encorpada, sem o teclado de Jon Lord, mas  com os riffs rápidos e cortantes de Tony Iommi. The Dark  funciona como introdução para Disturbing the Priest – canção tenebrosa  e sarcástica em meio a distorção e peso.A instrumental Stonehenge é um prelúdio para os riffs hipnóticos e característicos do Sabbath em Zero the Hero.

O alcance vocal de Gillan mostra sua força nos seis minutos de Born Again, faixa tema o álbum, com andamento lento e mais um solo de Iommi – um dos grandes momentos do disco em que o Sabbath mergulha nas suas origens.

Born Again é ame ou odeie. Os fãs radicais levantam a bandeira de Ozzy ou Dio, mas devem ouvir sem preconceitos o trabalho de Ian Gillan, um dos maiores vocalistas do rock,  no auge. Digital Bitch é suja e cortante como alguma faixa do Judas Priest. Born Again peca pela produção, talvez por isso, muitos fãs torcerem o nariz e renegarem o disco.

O CD bônus captura a apresentação no Festival de Reading, em agosto de 1983. Bill Ward não participou da turnê e Bev Bevan (ELO) ocupa a vaga do baterista. O “set list” é composto por alguns clássicos da banda de Tony Iommi,  e de quebra o Sabbath com Gillan interpretam Smoke on the Water do Deep Purple, na época, ex-banda do vocalista. O repertório antigo pode causar certa estranheza, porém são interpretações honestas e vibrantes.

Ao término da turnê Bev Bevan e Ian Gillan deixaram a banda. Gillan, afastado desde 1973, aceita voltar para a formação clássica do Deep Puple para gravar Perfect Strangers (1984). O Sabbath, depois de vários testes com vocalistas, efetiva Tony Martin. Dio ainda voltaria a assumir os vocais em Dehumanizer (1992).

Tracking List

Disc 1:

1. Trashed
2. Stonehenge
3. Disturbing The Priest
4. The Dark
5. Zero The Hero
6. Digital Beach
7. Born Again
8. Hot Line
9. Keep it Warm

Disc 2:

1.  The Fallen
2.  Stonehenge (Extended Version)
3.  Hot Line (Live At Reading Festival, August 1983)
4.  War Pigs
5.  Black Sabbath
6.  The Dark (Live At Reading Festival, August 1983)
7.  Zero The Hero (Live At Reading Festival, August 1983)
8.  Digital Bitch ((Live At Reading Festival, August 1983)
9.  Iron Man
10. Smoke On The Water
11. Paranoid

CD: Born Again – Deluxe Edition, 2011
Artista: Black Sabbath
Gravadora: Sanctuary





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