Posts Tagged ‘80’s

27
ago
13

LP: Estação Primeira, Gueto (1987)

Por Charles Antunes Leite

ÁLBUM CLÁSSICO

Na cidade de São Paulo, em meados dos anos 1980, um movimento surgia com jovens em torno da cultura hip hop (música, artes plásticas e dança) que ainda engatinhava por terras brasileiras. No Largo São Bento (região central) “MC’s”, “DJs” e dançarinos de “break” se reuniam para animadas disputas musicais. Thaíde era um desses breakers – ele viria a se tornar um dos expoentes do Rap no Brasil. Nesse cenário surgiu o GUETO com a proposta de unir rock com a sonoridade dos jovens de periferia. O que era um gueto na cultura oitentista, nos anos 2000, foi assimilado por todas as classes socioeconômicas por meio de artistas como Racionais MCs, Marcelo D2, Criolo, Emicida entre outros.

GUETO_~1Estação Primeira (1987) trazia na capa o grupo clicado em meio aos edifícios do centro da cidade – reflexo do estilo cosmopolita da música que estavam produzindo. O som era calcado no rap, funk, rock, samba, soul e demais influências da black music. Outra novidade introduzida na música brasileira seria o uso de “scratchs” – depois incorporados pelo Ira! no Psicoacústica (1988) e pelos Titãs no disco Õ Blésq Blom (1989).

A abertura G-U-E-T-O funciona como um aquecimento em que os “slaps” do baixo de Marcola, bateria e guitarra pesadas, scratchs do DJ Marlboro e a percussão do samba são utilizados para compor esse “prelúdio”. A banda e seus integrantes são apresentados “… nos anos 90 é misturando que a gente inventa”.

A guitarra suingada no estilo Nile Rodgers (Chic) de Márcio, a bateria de Edson X  e o vocal nervoso de Júlio César são acrescidos de um naipe de metais para contar Uma Estória –  roqueira, pesada, mas sem perder o swing. É como percorrer uma imensa estrada sem saber o que vai encontrar pelo caminho.

A climática Esse Homem é Você centrada na cozinha em que o baixo se sobressai junto com o trombone de Raul de Souza até se encontrar com a cuíca de escola de samba para dialogarem entre si. Emoção tem nas frases da guitarra e a cozinha azeitada um típico “funk de breque”.

Borboleta Psicodélica com a participação de Paulo Calazans nos teclados, Geraldo D’Arbilly e Luiz Batera é cantarolável e efusiva sem deixar o groove de lado. Você Errou é mais uma levada em que rock e o funk unem a guitarra e a cozinha trabalhando a favor de uma narrativa musical que remetem ao grupo Skowa e a Máfia, outro artista que bebeu na fonte da black music nos 80’s.

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Estação Primeira
anuncia a criação de uma rádio para difundir a música celebrada pela banda e a cultura hip hop. A canção vem escorada no instrumental do Gueto e outra vez os scratchs do DJ Marlboro e a programação de Dino Vicente incrementam o som. Ensaio Geral promove a descontração e criatividade que surge durante os ensaios, discutem-se os erros e experimenta-se “por que ainda bem que é só ensaio geral”.

A banda lançou três discos em 11 anos, alterou a grafia do nome e trocou de vocalista no derradeiro trabalho. Esse primeiro disco pela coesão, diversidade rítmica e competência de seus integrantes inseriu o nome do GUETO na história do pop rock brasileiro.

Álbum: Estação Primeira, 1987
Artista: Gueto
Gravadora: WEA (Warner)

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05
maio
11

DVD: Fome de Viver, Tony Scott (1983)

FILME CULT

Charles Antunes Leite

Os vampiros estão presentes no cinema desde Nosferatu (1922). Com a passagem dos anos,  os efeitos especiais foram evoluindo e a qualidade dos filmes diminuindo. Bela Lugosi foi o ator mais emblemático a interpretar Drácula (1931). O britânico Christopher Lee nasceu no mesmo ano em que  Nosferatu foi produzido, e se tornou conhecido pela a interpretação de Drácula (1958).

Na década de 1980, comédias adolescentes desmitificaram a figura do vampiro. Drácula de Bram Stoker (1992) e Entrevista com o Vampiro (1994) recuperaram o prestígio do personagem. Na primeira década do século 21, vampiros caíram no modismo – o Cinema e a Televisão despejaram as mais variadas versões para os seres das trevas. Os piores exemplos ficaram por conta da saga Crepúsculo com vampiros bonitinhos e castos.

Tony Scott, irmão mais novo de Ridley Scott (Blade Runner, 1982), migrou do mercado publicitário para o cinema e se tornou conhecido por Ases Indomáveis (1986) e Amor a Queima Roupa (1993). Antes de se firmar em Hollywood, ele dirigiu Fome de Viver (1983). A bela fotografia e edição privilegiavam as cenas de erotismo e a bestialidade dos vampiros em busca sexo e sangue. A dicotomia prazer e dor, vida e morte, não necessariamente nessa ordem – componentes fundamentais para histórias vampirescas.

A música é um elemento necessário em todas as produções, principalmente filmes de suspense e terror. No filme de Scott, peças como o Trio in E-Flat, Op. 100 de Schubert e Flower Duet da ópera Lakmé de Delibes (uma versão moderna da ária foi utilizada num anúncio de companhia aérea) foram utilizadas em momentos mais românticos em contraponto com  o score original para sustentar os momentos mais tensos. A trilha sonora suave representa o dia e a noite é guiada pela música mais densa.

No filme de Scott cenas de erotismo e sangue povoam a tela. Há momentos de sensibilidade protagonizados pelo casal formado por Miriam vivida por Catherine Deneuve (Indochina) que havia transformado John interpretado por David Bowie (Merry Christmas Mr. Lawrence) em seu amante, muitos anos antes. Os dois saem pela noite nova iorquina em busca de sexo (alimento) durante o dia passam a imagem de um casal aristocrático e respeitado.

Na produção “teen”, os protagonistas Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson) vivem um amor platônico e comportado até para os padrões da Sessão da Tarde.

Na primeira sequência, o tema Bela Lugosi’s Dead (não faz parte da trilha sonora) é executado de forma intermitente, intercalado à  performance claustrofóbica de Peter Murphy, o vocalista da banda Bauhaus, com a cena em que Míriam e John  seduzem um casal que os acompanha em busca de sexo casual, e se tornam presas fáceis para saciar a fome de vida dos vampiros contemporâneos.

John é acometido de uma doença degenerativa, o que faz com que envelheça rapidamente. Ele procura a ajuda da Dra. Sarah Roberts vivida por Susan Sarandon (Thelma & Louise) que passa a manter uma relação romântica com Miriam que, mesmo amando John, precisa de uma companhia para a eternidade.

Não basta sangue para viver, é preciso juventude e beleza. Não existe amor eterno para seres seculares “a fila anda”.

DVD: Fome de Viver,ING, 1983
Título Original: The Hunger
Direção: Tony Scott
Duração: 96 min
Distribuidora: Warner Home Video

28
fev
10

LP/CD: Cabeça Dinossauro, Titãs (1986)

ÁLBUM CLÁSSICO

Charles Antunes Leite

Tudo começou com uma banda de colégio chamada Titãs do Iê-Iê formada por jovens bem nascidos – típicos rebeldes sem causa. O primeiro disco Titãs (1984) trazia os sucessos Sonífera Ilha e Toda Cor, além de duas faixas que passaram despercebidas, e que seriam regravadas em Go Back (1988). O som era cru, mistura de reggae, new wave, brega e jovem guarda. O octeto com figurinos e cabelos esquisitos se acotovelando no palco fez muito sucesso nos programas de auditório da época: Chacrinha, Raul Gil e Barros de Alencar.

A coisa começou a engrenar com a gravação do segundo LP Televisão (1985) com produção e participação de Lulu Santos e direção artística de Liminha, futuro produtor da banda. A música Televisão falava da alienação causada pelos programas televisivos. Massacre, a última música do disco, anunciava  o que seria o álbum Cabeça Dinossauro (1986).

Cabeça Dinossauro com direção artística e produção de Liminha (considerado o nono Titã) trazia na capa o desenho “Expressão de Um Homem Urrando de Leonardo da Vinci, ao invés da foto dos integrantes. São 13 músicas memoráveis privilegiando a “pegada” punk.

O disco abre com a percussiva Cabeça Dinossauro. A onomatopéica AA UU é o grito do homem moderno em sons primários. O grupo vocifera contra as instituições: Igreja, Polícia, Estado Violência e até a Família não sai incólume.

A Face do Destruidor a letra é cantada numa violência e rapidez em que é quase impossível acompanhá-la. Família é uma sátira a harmonia familiar em ritmo de reggae. Policia é um protesto contra a corporação que deveria manter a ordem e que usa a força para repreender  o cidadão (Arnaldo Antunes e Tony Bellotto foram presos por porte de heroína).

Depois de Porrada, em que mandam recado para os conformistas e perdedores, um momento para respirar com Tô Cansado. Recuperado o fôlego, uma das músicas mais populares do repertório dos Titãs, a politicamente incorreta, Bichos Escrotos. Na época a faixa foi vetada para a radiodifusão devido ao palavrão do refrão que a garotada enfatizava sempre que era tocada nas danceterias e shows. No final do disco a temperatura abaixa com ritmos e letras mais leves e fecha com a poesia concreta do tecno funk O Quê.

Depois viriam mais dois álbuns essenciais Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas (1987), considerado Cabeça Dinossauro II, e o inovador Õ Blesq Blom (1989) com uso de samplers e bateria eletrônica.

Tudo Ao Mesmo Tempo Agora (1991) foi mal compreendido devido ao peso das músicas e letras escatológicas. Convidaram Jack Endino (Nirvana, Mudhoney) para produzir Titanomaquia (1993), primeiro sem Arnaldo Antunes. A banda perdeu Nando Reis que saiu em carreira solo e Marcelo Fromer que morreu atropelado em 2001. Em fevereiro de 2010, Charles Gavin anuncia sua saída dos Titãs.

Os Titãs serão sempre lembrados como um octeto e pela obra prima Cabeça Dinossauro, um dos melhores discos do rock brasileiro.

Álbum: Cabeça Dinossauro, 1986
Artista: Titãs
Gravadora: Warner

15
jul
09

CD: The Number of the Beast, Iron Maiden (1982)

Charles Antunes Leite

 Após diferenças pessoais entre o vocalista Paul Dianno e o restante da banda, Bruce Dickinson (Samson) foi escolhido para dar voz ao Iron Maiden, e seria posto a prova pelos exigentes fãs da “Donzela de Ferro”, que tinham em suas prateleiras os dois ótimos primeiros discos da banda, Iron Maiden (1980) e Killers (1981).

The Number of the Beast provaria logo após seu lançamento que Bruce se tornaria mais carismático e popular que seu antecessor, perpetuando sua marca indelével em trabalhos na longa carreira do Maiden.

O álbum mais popular do Iron apresentava na capa do ilustrador Derek Biggs, o grafismo de um diabinho vermelho entre as chamas do inferno tendo a gigantesca figura da mascote “Eddie” ao fundo. As letras “demoníacas” do álbum, no início dos anos 80 assustavam não iniciados, hoje criancinhas as cantarolam.

Pelo menos dois hinos compostos pelo líder e baixista Steve Harris entraram para história do metal: Run to the Hills, e a faixa  que intitula o disco, The Number of the Beast, introduzida pela narração de Vincent Price, o ator que estrelou filmes de terror nas décadas de 50, 60 e 70.

A mais original das bandas de heavy metal de todos os tempos em um dos maiores álbuns do gênero.

CD: The Number of the Beast, 1982
Artista: Iron Maiden
Gravadora: EMI





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