Posts Tagged ‘David Bowie

11
jan
16

Adeus, Bowie!

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David Bowie nascido David Robert Jones em 1947, em Brixton, Londres (UK) desenvolveu a aptidão para música ainda na pré-escola. Ele ficava fascinado pelos discos do pai: Little Richard, Elvis Presley entre outros. Durante a juventude aprende a tocar diversos instrumentos, se aprofunda na pesquisa de novos sons e a desenvolver a figura de performer que anos mais tarde aperfeiçoaria.

O nome artístico veio da insatisfação de ser confundido com Davy Jones dos Monkees. Ele adota o sobrenome Bowie (facas Bowie). Outra marca característica do artista são os olhos de cores diferentes adquirida aos 15 anos de idade – devido a um soco desferido pelo “amigo” (sic) George Underwood – a pupila esquerda se mantém constantemente dilatada daí a diferença de coloração.
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Bowie adotou vários heterônimos (Major Tom, Ziggy Stardust, Aladdin Sane, Thin White Duke etc) como Fernando Pessoa; foi revolucionário para o Pop Rock como Miles Davis para o Jazz. David Bowie era um artista de muitos talentos: cantor, compositor, produtor, multi-instrumentista, ator – como não se lembrar dele em filmes como o drama de guerra Furyo – Em Nome da Honra (1983), o vampiro John de Fome de Viver (1983) ou Jareth, o rei dos duendes de Labirinto (1986). Da mesma forma que a imagem, a música de Bowie também se diferenciava de um disco para outro. Na discografia podemos destacar trabalhos de inegável valor como Hunky Dory (1971),The Rise and Fall of Ziggy Stardust and Spiders From Mars (1972), Aladdin Sane (1973), Diamond Dogs (1974), Young Americans (1975), Low e Heroes(1977), Lodger (1979) e Scary Monsters (1980) . O “Camaleão” em constante mutação e à frente de seu tempo anunciava tendências e influenciava músicos, atores, estilistas, o mais variado leque de artistas das mais variadas áreas.

Um grande artista que esteve sempre se reinventando e para isso se juntava aos seus pares: revitalizou a carreira de Iggy Pop compondo com ele e produzindo os discos (The Idiot e Lust for Life, ambos de 1977); também produziu Lou Reed no clássico álbum Transformer (1972); parceiro de John Lennon na música “Fame” (Young Americans, 1975) e Queen ”Under Pressure” (Hot Space,1982); regravou a canção “Dancing in the Streets” em dueto com Mick Jagger em 1985.

David Bowie em Sao Paulo (1990)

David Bowie em São Paulo (1990)

Assisti ao show de um Bowie na meia-idade na Sound + Vision Tour em 1990, no Palestra Itália (atual Allianz Parque), mas infelizmente não fui à exposição no MIS em 2014 por falta de tempo e disposição para enfrentar filas quilométricas.

the next dayDavid Bowie se retirou dos holofotes após a Reality Tour em 2004. Ele ensaiou um retorno em 2013 surpreendendo fãs e crítica com um clipe que anunciava novo álbum de inéditas The Next Day – mesmo não se equiparando aos trabalhos anteriores a 1980, pode ser considerado muito acima da média de discos posteriores dele ou de outros artistas contemporâneos. Bowie morre três dias após completar 69 anos e de lançar seu vigésimo oitavo álbum “Blackstar”.

David Bowie saiu de cena de surpresa como sempre o fez ao apresentar suas mutações aos fãs. O “Camaleão” se junta ao panteão dos grandes nomes da música que deixaram esse plano; deixa um legado artístico para a eternidade.

Por Charles Antunes Leite

 

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08
jun
15

Por trás das máscaras

Por Charles Antunes Leite

Dois programas de TV me motivaram a escrever o post a seguir: o documentário “Olho Nu” e o show de Alice Cooper Live at Avo Sessions.
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Olho Nu (2012), do diretor Joel Pizzini, narrado em primeira pessoa pelo cantor Ney Matogrosso revela um pouco das muitas faces do artista; são fragmentos antes e depois dos Secos & Molhados. A máscara icônica com a qual se apresentava foi o que catapultou para o sucesso nacional.

King Diamond, o precursor do

King Diamond, o precursor do “corpse paint”

O show de Alice Cooper Live at Avo Sessions de 2012: o cara mantém o pique como há décadas vem fazendo. Os brasileiros puderam conferir, em 1974, na apresentação no Anhembi, em São Paulo. A performance foi marcante pela pintura do rosto, suas caracterizações; o show em si é uma grande espetáculo de terror B. Alice Cooper foi influência para bandas como Kiss (EUA) e Mercyful Fate (Dinamarca). O vocalista King Diamond do Mercyful Fate declarou ter se inspirado em Alice Cooper para desenvolver a pintura facial (corpse paint) característica de suas apresentações que aliada ao estilo de sua música inspirou a segunda geração Black Metal norueguesa na década de 1990.

New York Dolls

New York Dolls

A prática do uso de máscaras e maquiagem está longe de ser novidade. O freak Arthur Brown (1968) e os italianos do grupo Osanna (1971) já se apresentava maquiados há mais de 40 anos. Os artistas do “glam” como New York Dolls e David Bowie; Os “góticos” como Siouxsie, Cure, Alien Sex Fiend.

Misfits de Glenn Danzing e Jerry Only

Misfits de Glenn Danzig e Jerry Only

Em 1977, Glenn Danzig e Jerry Only fundaram o Misfits cujos integrantes pintavam e ainda pintam os rostos com temática de caveiras (o logo da banda é uma pintura de caveira em branco) associadas aos topetes criavam impacto para a sonoridade “horror punk “.

Dee Snider, vocalista do Twisted Sister

Dee Snider, vocalista do Twisted Sister

Dee Snider, vocalista do Twisted Sister, pode ser considerado um dos sujeitos mais feios do rock: Cabelos loiros compridos e crespos e rosto maquiado – se parecia com uma bruxa velha.

o glam metal oitentista Poison

o glam metal oitentista Poison

O contrário pode ser dito do “glam metal” Poison, no início da carreira, se apresentava com maquiagem e cabelos armados semelhantes às strippers das boates de L.A.

Marylin Manson - variações de “corpse paint”

Marylin Manson – variações de “corpse paint”

Vulvatron, a vocalista dos bárbaros interplanetários Gwar!

Vulvatron, a vocalista do Gwar!

Os nojentos do Gwar! trazem semelhanças com os perseguidores de Mel Gibson em Mad Max II (1981) elevados à décima potência em brutalidade e bizarrice.

Cartaz do filme Mad Max 2 com Mel Gibson

Cartaz do filme Mad Max 2 com Mel Gibson

No Brasil pelo menos três grupos fizeram uso de máscaras/maquiagens em suas performances: os integrantes do Made in Brazil (em 1969) contam que já utilizaram tal artifício cênico, muito antes dos Secos & Molhados que passaram a se pintar em 1973. Os Secos misturavam poesia, rock, folclore e MPB ficaram conhecidos pelos rostos pintados e androginia dos seus integrantes. Quem veio primeiro o ovo ou a galinha? Quem se pintou primeiro: Kiss ou Secos & Molhados?

Semelhanças entre Secos & Molhados e Kiss

Semelhanças entre Secos & Molhados e Kiss

 Por muitos anos os brasileiros aceitaram que o Kiss os havia copiado – tese derrubada pelo jornalista Emilio Pacheco após análises cuidadosas das carreiras dos dois grupos. Parafraseando Pacheco: “Kiss e Secos começaram shows e discos mais ou menos na mesma época, mas com diferença de meses, porém o Kiss já vinha se apresentando antes da formação dos Secos. Numa época em que a informação era difícil e demorada, as chances do Kiss ter acesso à imagem de Ney Matogrosso e Cia. eram irrisórias”.

O Rap metal core do Pavilhão 9

O Rap metal core do Pavilhão 9

No final de 1992, o “crossover” rap metal harcore do Pavilhão 9 do vocalista Rhossi se apresentava com máscara para manter o anonimato e evitar represálias da polícia devido ao discurso de suas canções.

Slipknot: máscaras e macacões numerados

Slipknot: máscaras e macacões numerados

 Na virada do século, o coletivo de “nu metal” Slipknot tem como diferencial em suas apresentações energéticas e caóticas: nove (!) integrantes usando macacões numerados e máscaras intimidadoras. A questão dos macacões denotam a postura anti-capitalista e uma crítica ao sistema que os considera um produto no mercado musical. Ao longo da carreira a banda procurou manter a individualidade e refletir a personalidade de cada integrante na concepção das máscaras. Enquanto o Kiss mantém o padrão das personas dos músicos há décadas, o Slipknot desenvolve novas temáticas a cada novo álbum por meio da indumentária.

Ghost B.C : o visual é mais pesado que o som

Ghost B.C : o visual é mais pesado que o som

Os integrantes do grupo Ghost B.C., surgido na primeira década do século 21, se apresentam caracterizados como monges e sacerdotes. As máscaras assustadoras aliadas às letras que invocam a missa negra revisitam, mesmo que de forma diluída o “black metal” dos 80 e 90, andamentos lentos, vocal e produção limpa – o visual causa mais impacto que a música propriamente.

O duo francês de música eletrônica  Daft Punk - visual inspirado no filme Tron (2010)

O duo francês de música eletrônica Daft Punk – visual inspirado no filme Tron (2010)

Os percussivos Blue Man Group (os caras azuis conhecidos no Brasil pelos anúncios da TIM)

Os percussivos Blue Man Group (os caras azuis conhecidos no Brasil pelos anúncios da TIM)

Lordi - versão mais light do visual do Gwar e sonoridade hard rock

Lordi – versão mais light do visual do Gwar e sonoridade hard rock

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“nu metal”, máscaras e capuzes

DJ conhecido como Deadmau5 se apresenta com máscaras de rato

DJ conhecido como Deadmau5 se apresenta com máscaras de rato

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O “tex metal” Brujeria – lenços nos rostos como se fossem assaltantes de trens

 Los Straitjackets:

Los Straitjackets: “surf music” instrumental e máscaras de lutadores de telecatch

Mudvayne e as várias  cores de corpse paint

Mudvayne e as várias cores de corpse paint

Hoje, ainda mais do que antes, os artistas precisam se esmerar para proporcionar shows memoráveis – não é necessário ter luzes e telões como Pink Floyd ou figurinos e bailarinos como Madonna. Produções modestas em que artistas tragam performances musicais condizentes aliados ao “mise em scène” como o próprio Alice Cooper valorizam os shows.

Alice Cooper - circo dos horrores e banda com três guitarristas

Alice Cooper – circo dos horrores e banda com três guitarristas

Ele se apresenta acompanhado por uma banda jovem e competente com três guitarristas (a guitarrista solo é uma bela garota) para embalar o circo de horror que apresenta há quatro décadas. Imagine pagar uma grana pelo ingresso, pegar trânsito, chegar a um local lotado de gente suando, permanecer de de pé (no mínimo) duas horas, bebida quente e cara – os artistas precisam caprichar para que o fã possa voltar para casa satisfeito por ter participado de um show de rock e querer repetir a experiência.

24
mar
13

The Next Day, David Bowie (2013)

Charles Antunes Leite

the next dayDavid Bowie rompeu o silêncio que sucedeu o último álbum de estúdio Reality (2003) ao anunciar o lançamento de The Next Day no dia em que completou 66 anos. O cantor gravou em Nova Iorque com o produtor Tony Visconti que já havia colaborado em vários de seus discos desde Space Oddity (1969).

Bowie revisitou referências visuais e musicais de vários de seus trabalhos desde a década de 1970, principalmente a fase Berlim. Alusões ao período podem ser percebidas desde a reciclagem da capa de Heroes (1977). O título foi riscado e The Next Day aparece em fonte preta num quadro branco sobre a foto original.

O primeiro clipe Where Are We Now?, dirigido por Tony Oursler, serviu como apresentação dessa volta ao “Berlim sound”: Um boneco siamês tendo um rosto de mulher e o outro do próprio Bowie em cima de uma mesa num cômodo (ou seria a memória?) em meio vários objetos que remetem a estadia do camaleão em Berlim. O rosto do artista é mostrado ao natural, sem maquiagem ou retoques – traços característicos de um sexagenário aparecem no rosto. Num telão, atrás do boneco, cenas da fase berlinense se desenrolam. A letra menciona lugares pelos quais passou. A balada com tom pesaroso e voz quase embargada remete à Buddha Of Suburbia que por sua vez trazia riffs de Space Oddity.

O disco não se propõe a temas tristes: momentos mais alegres como a cantarolável Valentine’s Day ou If You Can See Me em que a estrutura traz bateria drum bass e vocal semelhante ao U2 circa 83 no início e que depois retoma o vocal tradicional de Bowie.

Em I’d Rather Be High a bateria marcial e guitarra hipnótica. Boss of Me traz o diálogo entre bateria e saxofone direcionando à Black Tie White Noise (1993). How Does The Grass Grow?, o teclado soa como Led Zeppelin em In Through the Out Door (1979). The Next Day é vigorosa como nos tempos do Tin Machine – peso e groove – conquista na primeira audição. O mesmo vale para (You Will) Set The World On Fire.

The Stars (Are Out Tonight) remete aos trabalhos da primeira metade dos anos 1980. O vídeo clipe apresenta a atriz Tilda Swinton como esposa do camaleão. Um casal maduro à sombra de um passado de fama e excessos que se veem assombrados por casal de adolescentes rebeldes – ele traz o visual e maneirismos de Bowie nos Golden Years 1974/76.

A cadência do saxofone lembra o grupo Morphine acrescido de guitarra enquanto a letra é praticamente declamada em Dirty Boys. A suntuosidade de arranjos de cordas e coral gospel conduzidos por bateria marcial permeiam You Feel So Lonely You Could Die, enquanto Heat – a derradeira faixa na versão standard do álbum- é climática, pessimista e bela. Aos 66 anos, o camaleão ainda é capaz de surpreender e provar que não se aposentou.

Álbum: The Next Day, 2013
Artista: David Bowie
Gravadora: Sony

24
jan
13

Memórias Musicais: Transa, Caetano Veloso (1972)

Charles Antunes Leite

RELANÇAMENTO

Certa noite estava assistindo a um programa de TV… E surpreso, percebi na trilha uma canção de Caetano Veloso que não costuma tocar no rádio: It`s a Long Way, abre o lado dois do álbum Transa (1972). Lembrei-me da primeira vez em que ouvi um LP de Caetano – até então havia tido acesso a  canções mais conhecidas e esparsas na programação das emissoras de rádio nos anos 1980.

Essa audição ocorreu quando Transa havia alcançado a maioridade, em 1990. Eu, que até então, só ouvia rock – fui apresentado aos grandes expoentes da MPB e também do jazz por um amigo.

Transa foi produzido por Ralph Mace que havia sido tecladista do álbum The Man Who Sould the World (1970) de David Bowie. Mace já havia produzido o disco homônimo Caetano Veloso (1971). A banda: Jards Macalé (violões, guitarras e direção musical), Tutty Moreno (bateria), Áureo de Souza (percussão), Moacyr Albuquerque (baixo) além das participações de Gal Costa e Ângela Ro Ro.

O vinil durava menos de 40 minutos distribuídos em apenas sete faixas:

You Don’t Know Me: Guitarra blues com letra cantada primeiro em inglês e depois no característico português que confirma a origem baiana do compositor. Aí aparece pela primeira vez o backing vocal luxuoso de Gal Costa nesse disco.

Nine Out of Ten: Um passeio por Portobelo Road ao som do reggae – Carpe Diem!

Triste Bahia: Um lamento embalado pela música de capoeira. Duas estrofes de um soneto do poeta baiano Gregório de Matos fazem parte da letra.

It’s a Long Way: O longo caminho percorrido pelo mais famoso filho de Santo Amaro da Purificação:  do exílio em Londres para finalmente voltar ao Brasil. A canção é conduzida pelo violão e apresenta percussão e influência rítmica da música nordestina.

Mora na Filosofia:  Originalmente um samba vinculado ao carnaval- era um descarrego percussivo. A música na versão de Caetano propõe a análise de uma relação pondo amor e dor como dois pesos de uma balança. A interpretação de andamento cadenciado (a maior parte do tempo) pode ser considerada uma das melhores versões para a célebre composição de Monsueto e Arnaldo Passos.

Neolithic Man: A música vem numa crescente com violão e percussão tímida para culminar no tribal concretista.

Nostalgia (That’s What Rock’n Roll Is All About): Caetano revisita o rock’n’roll dos fifties. Nessa faixa nota-se a gaita tocada pela  jovem, ainda desconhecida, Ângela Ro Ro que no início dos anos 1970 “ralava” em Londres servindo mesas, cantando e tocando piano.

O disco Transa como introdução ao universo de Caetano Veloso é plural em influências- mescla raízes antropofágicas, naturalismo e a musicalidade londrina da época.  O mix de instrumentos acústicos e elétricos, ritmos e idiomas fez do compositor baiano um artista cosmopolita  sem se afastar de suas raízes provincianas.

Em 2012, Transa completou 40 anos. A Universal relançou em CD remasterizado em Abbey Road e vinil 180g com projeto gráfico de Álvaro Guimarães.

06
dez
11

CD: Achtung Baby – Deluxe Edition, U2 (2011)

RELANÇAMENTO

ÁLBUM CLÁSSICO

Charles Antunes Leite

A atmosfera de Berlim é altamente inspiradora para o rock. David Bowie, Iggy Pop e R.E.M já estiveram na cidade para gravar discos. Bowie utilizou o estúdio Hansa nas vizinhanças do famoso muro que dividia Berlim para gravar a trilogia: Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979), com o produtor Brian Eno, colaborador do U2, que junto com Daniel Lanois, Steve Lillywhite e o produtor Flood se uniram para dar forma ao sétimo álbum da banda: Achtung Baby (1991).

Quando foram anunciadas as diretrizes de Achtung Baby, alguns fãs (eu me incluo nesse grupo)  torceram o nariz. Divulgado o primeiro single, percebi que não poderia analisar de forma tão simplista o conceito do álbum – o mundo estava mudando e a tecnologia inspirava novas sonoridades.

Zoo Station funciona como prelúdio para aquilo que se ouviria ao longo do disco – as canções foram desenvolvidas com o uso de sintetizadores e adereços eletrônicos, mesmo assim ainda era o U2. A guitarra inconfundível de The Edge aparece emoldurada por distorções de eletro pop e o amplo uso de pedais de efeitos; a bateria vem acompanhada pela percussão digital. As canções tem um ganho de “bass” que valoriza a presença do baixista Adam Clayton.

Faixas dançantes como Even Better Than The Real Thing, The Fly e Mysterious Ways e baladas como One e So Cruel passaram a ser executadas nas rádios e na MTV. Para a música One foram criados três clipes pelos diretores Anton Corbjin, Mark Pellington e Phil Joanou (Rattle and Hum).

Achtung Baby traz canções bem próximas daquilo que o U2 havia apresentado em Joshua Tree com o frescor das inovações dos anos 1990: Until The End Of The World fez parte da trilha do filme homônimo do diretor e “brother” alemão Win Wenders, enquanto Who’s Gonna Ride Your Wild Horses soa como uma faixa perdida e mais animadinha de Darklands do Jesus and Mary Chain.

O CD bônus, em sua maioria, serve como memorabilia para os fãs. Traz B sides dos singles, versões alternativas para músicas do álbum, além de novidades como a boa versão para Satellite of Love (Lou Reed); Night and Day de Cole Porter (que já havia aparecido no tributo Red Hot + Blue) vem revigorada com a levada da guitarra de The Edge e marcada pela percussão de Larry e o baixo de Adam – Eu acabei me desfazendo de um vinil “ bootleg” com as referidas músicas – hoje me arrependo disso.

Os covers de Paint it Black (Jagger/Richards) e Fortunate Son (John Fogerty), são dispensáveis. O destaque fica por conta de Salome e Lady With The Spinning Head que ficaram de fora do álbum original.

Achtung Baby, já na primeira audição mostrou a que veio – clássico instantâneo. Passados 20 anos minhas impressões ainda são as mesmas.

A edição de 20º aniversário foi disponibilizada em cinco versões: Standard CD, Deluxe Edition, Super Deluxe Edition, Vinyl Box Set e o sonho de consumo dos fãs Uber Deluxe Edition.

Edição limitada e numerada Achtung Baby Uber Deluxe em todo o seu explendor

Uber Deluxe Edition – Edição limitada e numerada numa caixa de quebra-cabeça magnética com 10 discos (6CDs + 4DVDs): o álbum original, o CD bônus, Zooropa (1993), b-sides e material inédito gravado durante as sessões de Achtung Baby. DVDs From The Sky Down, documentário de Davis Guggenheim; o show Zoo TV – Live From Sidney, todos os vídeos de Achtung Baby e bônus. Vinil duplo do álbum, cinco singles 7” de vinil transparente em suas capas originais, 16 cópias da arte tiradas do encarte do álbum original com fotos de Anton Corbjin; livro de capa dura com 84 páginas, uma cópia da revista oficial do U2, quatro emblemas, uma folha de etiqueta, e uma réplica dos óculos escuros “The Fly” usados por Bono Vox durante a turnê de 1992.

Álbum: Achtung Baby Deluxe Edition, 2011
Artista: U2
Gravadora: Island Records/Universal 

12
jul
11

Que tal criar um video clipe para o Queen?

Charles Antunes Leite

No ano em que o Queen comemora 40 anos, surge a oportunidade de criar um video clipe para a banda. Não é necessário ser cineasta ou videomaker. Quem for criativo e tiver facilidade em lidar com edição de vídeo pode participar. O vencedor, além de ter seu video divulgado, leva 1.500 dólares.

O candidato a diretor do clipe tem como desafio usar a criatividade para produzir um video para a canção Sheer Heart Attack do álbum News of the World (1977). A banda exige que a produção seja inovadora e com qualidade de edição tanto no aspecto visual  quanto a inclusão de trechos em que apareça a banda.

Os vídeos serão selecionados Roger Tayloa partir de um Top 100 por um júri formado por Brian May e Roger Taylor, ambos integrantes do Queen e pelo diretor de clipes David Mallet (David Bowie e Queen).

O vencedor será divulgado no site oficial do Queen e nas redes sociais da banda. O prazo de inscrições é até o dia 27 de julho de 2011. A lista com os finalistas será divulgada em 11 de agosto.

Para mais informações, acesse Make a video for Queen.

28
jun
11

CD: Segundo pacote de relançamentos do Queen chega ao mercado

Charles Antunes Leite

Dando continuidade a série de relançamentos do 40º aniversário do Queen, a gravadora Universal relança mais cinco álbuns de estúdio da banda, remasterizados e expandidos. No primeiro semestre já haviam sido lançados os cinco primeiros trabalhos em CDs duplos.


Tive a experiência de ouvir um LP do Queen, na íntegra, com News of the World (1977), da coleção do irmão mais velho de um colega de escola, no início da década de 1980. A capa é emblemática – adaptação de uma ilustração do artista norte americano de “sci-fi” Frank Kelly Freas em que um robô gigante arranca os integrantes da banda de dentro de um auditório.

We Will Rock You é percussiva e comumente acompanhada pelo bater dos pés – ao vivo, isso a torna emocionante tanto para o grupo quanto para a plateia. We Are The Champions consagrou-se como um dos hinos mais conhecidos de sempre e adotado como tema para formaturas, entrega de prêmios e palestras motivacionais.

O disco lançado no auge do movimento punk trazia Sheer Heart Attack. A música havia ficado de fora do álbum homônimo de 1974. Quem cantou na gravação foi Roger Taylor, o autor – acompanhado pela guitarra de May em conjunto com a cozinha da banda apresenta sonoridade próxima do Motörhead – o Queen, conhecido pelo rock elaborado, podia soar punk. Na sequencia, o piano e voz de Freddie Mercury acompanhados pelo coro característico da banda acalmam as coisas em All Dead, All Dead.

Jonh Deacon contribuiu com poucas canções no repertório do grupo, porém sempre certeiras como Spread Your Wings, uma daquelas baladas que arrebatam a audiência.

O grupo abre mão do uso de produtor para o disco e o finalizam em tempo recorde em  relação aos anteriores. O esmero de produção notados em  A Night At The Opera (1975) é deixado de lado em favor de algo mais simples como Sleeping On The Sidewalk – gravada na primeira tomada sem o uso de overdubs.

My Melancholy Blues com Freddie ao piano acompanhado pela cozinha de John e Roger fecha o melhor disco desse segundo pacote. O álbum alcançou Platina nos dois lados do Atlântico.

Faixas bônus:  Feelings, Feelings (Take 10, July 1977); Spread Your Wings (BBC Session, October 1977); My Melancholy Blues (BBC Session, October 1977); Sheer Heart Attack (Live in Paris, February 1979) e We Will Rock You (Fast) (Live in Tokyo, November 1982).

Jazz (1978) foi o primeiro trabalho gravado em estúdio fora do Reino Unido, e com o qual começaram a incorporar diversos estilos musicais e também a direcionar as composições para o pop.

Mustapha é o rock ornamentado do Queen com influência de música árabe enquanto Fat Bottomed Girls apresenta a controversa letra machista, digna do Mötley Crue, embalada pelo peso do hard rock setentista.

Piano e voz de Freddie, inicialmente, marcam presença em Jealousy para depois se juntar ao intrumental e backing vocals da banda. No crescente tema Bicycle Race, o vocalista é assessorado pelo coro do Queen. Don’t Stop Me Now é uma amostra da aproximação com o pop que viria para ficar.

Faixas bônus: Fat Bottomed Girls (Single Version); Bicycle Race (Instrumental); Don’t Stop Me Now (With Long-Lost Guitars); Let Me Entertain You (Live in Montreal, November 1981) e Dreamers Ball (Early Acoustic Take, August 1978).

The Game ( 1980) marca de vez a entrada do Queen na seara pop. Eles se voltam para a pesquisas rítmicas e gêneros musicais como o funk e soul, além de incorporar sintetizadores às gravações. Esse direcionamento para a música pop abriria caminho para vendagens milionárias e inúmeros sucessos radiofônicos.

Another One Bites The Dust apresenta linhas robustas do baixo de John Deacon, totalmente à vontade com a guinada estilistica da banda, seguidas pela batida seca de Roger Taylor e a guitarra de Brian May para temperar a mistura que se revelou um grande sucesso como single. Novos ouvintes  aderiram ao som do Queen, mas os fãs roqueiros não se mostraram animados com essa guinada sonora e visual – foi nessa época que Freddie Mercury passou a ostentar o bigode.

Crazy Little Thig Called Loved é rockabilly pulsante com vocal estilo Elvis Presley – é contagiante para assobiar e estalar os dedos. A última faixa traz Mercury apoiado pelo piano de Brian May em  Save Me, mais um hit do disco.

Faixas bônus: Save Me (Live in Montreal, November 1981); A Human Body (B-Side); Sail Away Sweet Sister (Take 1 With Guide Vocal, February 1980); It’s A Beautiful Day (Original Spontaneous Idea, April 1980) e Dragon Attack (Live in Milton Keynes, June 1982)

Flash Gordon (1980),  trilha sonora para a adaptação cinematográfica do personagem de HQ criado pelo cartunista Alex Raymond, foi a primeira incursão do Queen nesse tipo de composição.

A produção da trilha foi feita em paralelo com The Game. O fato de trabalhar em duas propostas de álbuns diferentes e simultâneos somado a falta de “know how” para essa forma de composição pode ter  contribuído para o resultado mediano das canções de Flash Gordon. Elas funcionam no contexto do filme, principalmente por virem acompanhadas de diálogos da trama.

Flash’s Theme é vigorosa e The Wedding March recria o clima de God Save The Queen (1975), os pontos altos e memoráveis do score. O restante da trilha é calcada em sintetizadores e não seduz o ouvinte acostumado com a sonoridade do Queen, principalmente os admiradores da voz de Freddie Mercury.

Faixas bônus: Flash (Single Version); The Hero (October 1980… Revisited); The Kiss (Early Version, March 1980); Football Fight (Early Version, No Synths! – February 1980); Flash (Live in Montreal, November 1981) e The Hero (Live in Montreal, November 1981).

Hot Space (1982) representa um mergulho na black music. Essas influências cobrem a maioria das faixas do álbum como em  Staying Power; Dancer e Body Language.

Back the Chat soa como o grupo Chic. Las Palabras De Amor (The Words of Love) é considerada, por alguns, um bela balada e para outros um equívoco musical de Freddie e Cia.

O acento soul/funk de Cool Cat, faz dela uma canção que poderia ser incluída num disco do Prince. Under Pressure (parceria com David Bowie na composição, vocal e produção) tornou-se um dos temas mais perenes, constantemente lembrada, principalmente, depois que foi sampleada por Vanilla Ice.

Hot Space é um disco experimental de um grupo que sempre primou pelas pesquisas de ritmos e técnicas de gravação e produzido num momento de reciclagem e nascimento de subgêneros da música pop.

Faixas bônus: Staying Power (Live in Milton Keynes, June 1982)
Soul Brother (B-Side); Back Chat (Single Remix); Action This Day (Live in Tokyo, November 1982) e Calling All Girls (Live in Tokyo, November 1982).




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