Posts Tagged ‘Heroes

11
jan
16

Adeus, Bowie!

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David Bowie nascido David Robert Jones em 1947, em Brixton, Londres (UK) desenvolveu a aptidão para música ainda na pré-escola. Ele ficava fascinado pelos discos do pai: Little Richard, Elvis Presley entre outros. Durante a juventude aprende a tocar diversos instrumentos, se aprofunda na pesquisa de novos sons e a desenvolver a figura de performer que anos mais tarde aperfeiçoaria.

O nome artístico veio da insatisfação de ser confundido com Davy Jones dos Monkees. Ele adota o sobrenome Bowie (facas Bowie). Outra marca característica do artista são os olhos de cores diferentes adquirida aos 15 anos de idade – devido a um soco desferido pelo “amigo” (sic) George Underwood – a pupila esquerda se mantém constantemente dilatada daí a diferença de coloração.
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Bowie adotou vários heterônimos (Major Tom, Ziggy Stardust, Aladdin Sane, Thin White Duke etc) como Fernando Pessoa; foi revolucionário para o Pop Rock como Miles Davis para o Jazz. David Bowie era um artista de muitos talentos: cantor, compositor, produtor, multi-instrumentista, ator – como não se lembrar dele em filmes como o drama de guerra Furyo – Em Nome da Honra (1983), o vampiro John de Fome de Viver (1983) ou Jareth, o rei dos duendes de Labirinto (1986). Da mesma forma que a imagem, a música de Bowie também se diferenciava de um disco para outro. Na discografia podemos destacar trabalhos de inegável valor como Hunky Dory (1971),The Rise and Fall of Ziggy Stardust and Spiders From Mars (1972), Aladdin Sane (1973), Diamond Dogs (1974), Young Americans (1975), Low e Heroes(1977), Lodger (1979) e Scary Monsters (1980) . O “Camaleão” em constante mutação e à frente de seu tempo anunciava tendências e influenciava músicos, atores, estilistas, o mais variado leque de artistas das mais variadas áreas.

Um grande artista que esteve sempre se reinventando e para isso se juntava aos seus pares: revitalizou a carreira de Iggy Pop compondo com ele e produzindo os discos (The Idiot e Lust for Life, ambos de 1977); também produziu Lou Reed no clássico álbum Transformer (1972); parceiro de John Lennon na música “Fame” (Young Americans, 1975) e Queen ”Under Pressure” (Hot Space,1982); regravou a canção “Dancing in the Streets” em dueto com Mick Jagger em 1985.

David Bowie em Sao Paulo (1990)

David Bowie em São Paulo (1990)

Assisti ao show de um Bowie na meia-idade na Sound + Vision Tour em 1990, no Palestra Itália (atual Allianz Parque), mas infelizmente não fui à exposição no MIS em 2014 por falta de tempo e disposição para enfrentar filas quilométricas.

the next dayDavid Bowie se retirou dos holofotes após a Reality Tour em 2004. Ele ensaiou um retorno em 2013 surpreendendo fãs e crítica com um clipe que anunciava novo álbum de inéditas The Next Day – mesmo não se equiparando aos trabalhos anteriores a 1980, pode ser considerado muito acima da média de discos posteriores dele ou de outros artistas contemporâneos. Bowie morre três dias após completar 69 anos e de lançar seu vigésimo oitavo álbum “Blackstar”.

David Bowie saiu de cena de surpresa como sempre o fez ao apresentar suas mutações aos fãs. O “Camaleão” se junta ao panteão dos grandes nomes da música que deixaram esse plano; deixa um legado artístico para a eternidade.

Por Charles Antunes Leite

 

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24
mar
13

The Next Day, David Bowie (2013)

Charles Antunes Leite

the next dayDavid Bowie rompeu o silêncio que sucedeu o último álbum de estúdio Reality (2003) ao anunciar o lançamento de The Next Day no dia em que completou 66 anos. O cantor gravou em Nova Iorque com o produtor Tony Visconti que já havia colaborado em vários de seus discos desde Space Oddity (1969).

Bowie revisitou referências visuais e musicais de vários de seus trabalhos desde a década de 1970, principalmente a fase Berlim. Alusões ao período podem ser percebidas desde a reciclagem da capa de Heroes (1977). O título foi riscado e The Next Day aparece em fonte preta num quadro branco sobre a foto original.

O primeiro clipe Where Are We Now?, dirigido por Tony Oursler, serviu como apresentação dessa volta ao “Berlim sound”: Um boneco siamês tendo um rosto de mulher e o outro do próprio Bowie em cima de uma mesa num cômodo (ou seria a memória?) em meio vários objetos que remetem a estadia do camaleão em Berlim. O rosto do artista é mostrado ao natural, sem maquiagem ou retoques – traços característicos de um sexagenário aparecem no rosto. Num telão, atrás do boneco, cenas da fase berlinense se desenrolam. A letra menciona lugares pelos quais passou. A balada com tom pesaroso e voz quase embargada remete à Buddha Of Suburbia que por sua vez trazia riffs de Space Oddity.

O disco não se propõe a temas tristes: momentos mais alegres como a cantarolável Valentine’s Day ou If You Can See Me em que a estrutura traz bateria drum bass e vocal semelhante ao U2 circa 83 no início e que depois retoma o vocal tradicional de Bowie.

Em I’d Rather Be High a bateria marcial e guitarra hipnótica. Boss of Me traz o diálogo entre bateria e saxofone direcionando à Black Tie White Noise (1993). How Does The Grass Grow?, o teclado soa como Led Zeppelin em In Through the Out Door (1979). The Next Day é vigorosa como nos tempos do Tin Machine – peso e groove – conquista na primeira audição. O mesmo vale para (You Will) Set The World On Fire.

The Stars (Are Out Tonight) remete aos trabalhos da primeira metade dos anos 1980. O vídeo clipe apresenta a atriz Tilda Swinton como esposa do camaleão. Um casal maduro à sombra de um passado de fama e excessos que se veem assombrados por casal de adolescentes rebeldes – ele traz o visual e maneirismos de Bowie nos Golden Years 1974/76.

A cadência do saxofone lembra o grupo Morphine acrescido de guitarra enquanto a letra é praticamente declamada em Dirty Boys. A suntuosidade de arranjos de cordas e coral gospel conduzidos por bateria marcial permeiam You Feel So Lonely You Could Die, enquanto Heat – a derradeira faixa na versão standard do álbum- é climática, pessimista e bela. Aos 66 anos, o camaleão ainda é capaz de surpreender e provar que não se aposentou.

Álbum: The Next Day, 2013
Artista: David Bowie
Gravadora: Sony

15
jul
09

CD: Scary Monsters, David Bowie (1980)

ÁLBUM CLÁSSICO

Charles Antunes Leite

Em 1980, David Bowie retorna de seu auto-exílio em Berlim, onde produziu a irretocável trilogia minimalista Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1978). Ainda carregado daquela aura de neblina e sombras, produziu seu último álbum conciso e original Scary Monsters... And Super Creeps.

Bowie contou com os guitarristas Robert Fripp e Carlos Alomar, participações de Pete Towshend (The Who) e Tony Visconti. No disco estão músicas como: Scary Monsters and Supercreeps, que remete ao som de Joy Divison; a bela Ashes to Ashes com sintetizadores glaciais, melancolia lunar e linha de baixo inconfundível; a pop Fashion e a classuda It’s No Game part 1 & 2.

Nos anos que sucederam Scary Monsters, Bowie ainda se reiventou ao direcionar sua música para pistas de dança no álbum Let’s Dance (1983) e alguns discos em que brincou de “DJ”, com tecno e outras modalidades de música eletrônica, mas sem a mesma criatividade de outrora – parodiando a si mesmo.

CD: Scary Monsters, 1980
Artista: David Bowie
Gravadora: EMI




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