Archive for the 'Na estante' Category

26
set
12

Os anos de ouro do Ultraje à Rigor

Charles Antunes Leite

ÁLBUM CLÁSSICO

Em 2012, o Ultraje à Rigor completa 30 anos de carreira. Roger Rocha Moreira, Leospa, Sílvio e Edgard Scandurra já tocavam juntos há alguns anos, até que em 1982 começaram a se apresentar como Ultraje à Rigor. Um ano depois são contratados pela WEA, mas só após dois compactos Inútil/ Mim Quer Tocar (1983) e Eu Me Amo/ Rebelde Sem Causa (1984), finalmente chega às lojas Nós Vamos Invadir Sua Praia (1985). Nessa ocasião, Roger (guitarra e vocal), Leospa (bateria), Carlinhos (guitarra) e Maurício (baixo) já estavam mais do que prontos para invadir as rádios e casas de shows e programas de auditório.

As influências de bandas dos anos 1960 e os estilos surf music, rockabilly e punk se manifestam nas composições, a maioria de autoria de Roger, cheias de humor e apelo rocker do grupo.

A música tema abre o disco e mostra a que veio: na capa o característico logo da banda manuscrito em duas cores e um periscópio com expressão maliciosa vindo à tona. No verso os integrantes da banda são clicados numa praia fake vestidos de guerrilheiros no momento “descansar”, bem à vontade, traçando uma farofinha com direito a coxinha de galinha. Os paulistanos esculhambando o fato de não terem praia em frente de casa como os cariocas.

Vislumbrando tempos menos sombrios com a iminente Nova República, o jovem da classe média não tem motivo para se rebelar em Rebelde Sem Causa; Se o Brasil é o país do futuro, todos querem votar e ganhar dinheiro, sem deixar de lado o provincianismo tropical, impresso na letra de Mim Quer Tocar.

Zoraide invoca o machismo; Ciúme, a insegurança de uma relação aberta; e Eu me Amo é um hino narcisista. Nós Vamos Invadir Sua Praia traz ainda uma regravação oportuna de Inútil, canção que havia saído em compacto – um protesto ansioso pela liberdade de escolha do presidente em eleições diretas – expresso num português “macarrônico” faz todo sentido na composição que se tornou um sucesso.

Marylou é a história de uma galinha… A música foi composta no período em que Edgard Scandurra integrou o Ultraje, sendo co-autor. A marchinha carnavalesca mostrou sua popularidade ao ser relançada como EP, revivendo a magia dos carnavais em meados dos anos 1980. Provando sua popularidade crescente mesmo ainda sem disco lançado, Roger e cia. reuniram fãs num sábado de aleluia para a gravação ao vivo de Independente Futebol Clube, faixa que encerra um dos melhores álbuns (com jeitão de coletânea) de estreia do pop brasileiro.

O segundo disco é sempre encarado como teste se um artista vai ou não triunfar. Durante a gravação do segundo trabalho, Sérgio Serra ocupa a vaga de Carlinhos que se muda para os Estados Unidos. Após a troca de guitarrista, o Ultraje marcou mais um gol na sua carreira ao tratar com leveza e sarcasmo à moda de Picardias Estudantis o tabu que era falar de Sexo! A fórmula continuou funcionando com temas certeiros como: Pelado, Eu Gosto de Mulher e Sexo.

O Ultraje estava em alta a ponto de Roger e Cia. surpreenderem seus fãs com um show num dia e local inesperado para promover o lançamento de Sexo! – nos moldes dos Beatles para Let it Be, em 1969 (estratégia também utilizada pelo U2, em 1988), em cima da marquise do Shopping Top Center, na Avenida Paulista (centro financeiro de São Paulo) na hora do almoço. Eu, na época, trabalhava como office boy e estava nas proximidades dentro de um ônibus parado devido ao trânsito ocasionado pelo show. Desci e fui conferir.

Os dois discos de sucesso consecutivos permitiram ao Ultraje figurar na lista dos maiores grupos de pop rock brasileiro da década de 1980.

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28
jun
11

CD: Segundo pacote de relançamentos do Queen chega ao mercado

Charles Antunes Leite

Dando continuidade a série de relançamentos do 40º aniversário do Queen, a gravadora Universal relança mais cinco álbuns de estúdio da banda, remasterizados e expandidos. No primeiro semestre já haviam sido lançados os cinco primeiros trabalhos em CDs duplos.


Tive a experiência de ouvir um LP do Queen, na íntegra, com News of the World (1977), da coleção do irmão mais velho de um colega de escola, no início da década de 1980. A capa é emblemática – adaptação de uma ilustração do artista norte americano de “sci-fi” Frank Kelly Freas em que um robô gigante arranca os integrantes da banda de dentro de um auditório.

We Will Rock You é percussiva e comumente acompanhada pelo bater dos pés – ao vivo, isso a torna emocionante tanto para o grupo quanto para a plateia. We Are The Champions consagrou-se como um dos hinos mais conhecidos de sempre e adotado como tema para formaturas, entrega de prêmios e palestras motivacionais.

O disco lançado no auge do movimento punk trazia Sheer Heart Attack. A música havia ficado de fora do álbum homônimo de 1974. Quem cantou na gravação foi Roger Taylor, o autor – acompanhado pela guitarra de May em conjunto com a cozinha da banda apresenta sonoridade próxima do Motörhead – o Queen, conhecido pelo rock elaborado, podia soar punk. Na sequencia, o piano e voz de Freddie Mercury acompanhados pelo coro característico da banda acalmam as coisas em All Dead, All Dead.

Jonh Deacon contribuiu com poucas canções no repertório do grupo, porém sempre certeiras como Spread Your Wings, uma daquelas baladas que arrebatam a audiência.

O grupo abre mão do uso de produtor para o disco e o finalizam em tempo recorde em  relação aos anteriores. O esmero de produção notados em  A Night At The Opera (1975) é deixado de lado em favor de algo mais simples como Sleeping On The Sidewalk – gravada na primeira tomada sem o uso de overdubs.

My Melancholy Blues com Freddie ao piano acompanhado pela cozinha de John e Roger fecha o melhor disco desse segundo pacote. O álbum alcançou Platina nos dois lados do Atlântico.

Faixas bônus:  Feelings, Feelings (Take 10, July 1977); Spread Your Wings (BBC Session, October 1977); My Melancholy Blues (BBC Session, October 1977); Sheer Heart Attack (Live in Paris, February 1979) e We Will Rock You (Fast) (Live in Tokyo, November 1982).

Jazz (1978) foi o primeiro trabalho gravado em estúdio fora do Reino Unido, e com o qual começaram a incorporar diversos estilos musicais e também a direcionar as composições para o pop.

Mustapha é o rock ornamentado do Queen com influência de música árabe enquanto Fat Bottomed Girls apresenta a controversa letra machista, digna do Mötley Crue, embalada pelo peso do hard rock setentista.

Piano e voz de Freddie, inicialmente, marcam presença em Jealousy para depois se juntar ao intrumental e backing vocals da banda. No crescente tema Bicycle Race, o vocalista é assessorado pelo coro do Queen. Don’t Stop Me Now é uma amostra da aproximação com o pop que viria para ficar.

Faixas bônus: Fat Bottomed Girls (Single Version); Bicycle Race (Instrumental); Don’t Stop Me Now (With Long-Lost Guitars); Let Me Entertain You (Live in Montreal, November 1981) e Dreamers Ball (Early Acoustic Take, August 1978).

The Game ( 1980) marca de vez a entrada do Queen na seara pop. Eles se voltam para a pesquisas rítmicas e gêneros musicais como o funk e soul, além de incorporar sintetizadores às gravações. Esse direcionamento para a música pop abriria caminho para vendagens milionárias e inúmeros sucessos radiofônicos.

Another One Bites The Dust apresenta linhas robustas do baixo de John Deacon, totalmente à vontade com a guinada estilistica da banda, seguidas pela batida seca de Roger Taylor e a guitarra de Brian May para temperar a mistura que se revelou um grande sucesso como single. Novos ouvintes  aderiram ao som do Queen, mas os fãs roqueiros não se mostraram animados com essa guinada sonora e visual – foi nessa época que Freddie Mercury passou a ostentar o bigode.

Crazy Little Thig Called Loved é rockabilly pulsante com vocal estilo Elvis Presley – é contagiante para assobiar e estalar os dedos. A última faixa traz Mercury apoiado pelo piano de Brian May em  Save Me, mais um hit do disco.

Faixas bônus: Save Me (Live in Montreal, November 1981); A Human Body (B-Side); Sail Away Sweet Sister (Take 1 With Guide Vocal, February 1980); It’s A Beautiful Day (Original Spontaneous Idea, April 1980) e Dragon Attack (Live in Milton Keynes, June 1982)

Flash Gordon (1980),  trilha sonora para a adaptação cinematográfica do personagem de HQ criado pelo cartunista Alex Raymond, foi a primeira incursão do Queen nesse tipo de composição.

A produção da trilha foi feita em paralelo com The Game. O fato de trabalhar em duas propostas de álbuns diferentes e simultâneos somado a falta de “know how” para essa forma de composição pode ter  contribuído para o resultado mediano das canções de Flash Gordon. Elas funcionam no contexto do filme, principalmente por virem acompanhadas de diálogos da trama.

Flash’s Theme é vigorosa e The Wedding March recria o clima de God Save The Queen (1975), os pontos altos e memoráveis do score. O restante da trilha é calcada em sintetizadores e não seduz o ouvinte acostumado com a sonoridade do Queen, principalmente os admiradores da voz de Freddie Mercury.

Faixas bônus: Flash (Single Version); The Hero (October 1980… Revisited); The Kiss (Early Version, March 1980); Football Fight (Early Version, No Synths! – February 1980); Flash (Live in Montreal, November 1981) e The Hero (Live in Montreal, November 1981).

Hot Space (1982) representa um mergulho na black music. Essas influências cobrem a maioria das faixas do álbum como em  Staying Power; Dancer e Body Language.

Back the Chat soa como o grupo Chic. Las Palabras De Amor (The Words of Love) é considerada, por alguns, um bela balada e para outros um equívoco musical de Freddie e Cia.

O acento soul/funk de Cool Cat, faz dela uma canção que poderia ser incluída num disco do Prince. Under Pressure (parceria com David Bowie na composição, vocal e produção) tornou-se um dos temas mais perenes, constantemente lembrada, principalmente, depois que foi sampleada por Vanilla Ice.

Hot Space é um disco experimental de um grupo que sempre primou pelas pesquisas de ritmos e técnicas de gravação e produzido num momento de reciclagem e nascimento de subgêneros da música pop.

Faixas bônus: Staying Power (Live in Milton Keynes, June 1982)
Soul Brother (B-Side); Back Chat (Single Remix); Action This Day (Live in Tokyo, November 1982) e Calling All Girls (Live in Tokyo, November 1982).

20
jun
11

CD: Born Again – Deluxe Edition, Black Sabbath (2011)

RELANÇAMENTO

Charles Antunes Leite

Born Again é um caso à parte na discografia do Black Sabbath, banda que já contou com dois grandes vocalistas e que dividem a preferência dos  fãs: Ronnie James Dio (R.I.P) do Rainbow substituiu Ozzy Osbourne que partiu para carreira solo. Após o terceiro disco com o Sabbath, Dio foi dispensado (dizem as más línguas!) por ter sabotado a mixagem do último trabalho privilegiando os vocais na gravação.

Ian Gillan (Deep Purple) em carreira solo desde 1973 é convidado para a vaga, e além de desempenhar com competência a função, ainda é responsável pelas letras das canções. Born Again traz na capa a ilustração de um bebê, que carinhosamente chamo de “Bebê de Rosemary”, e conta com a volta do baterista original Bill Ward.

Trashed poderia ser definida como uma música do Deep Purple mais encorpada, sem o teclado de Jon Lord, mas  com os riffs rápidos e cortantes de Tony Iommi. The Dark  funciona como introdução para Disturbing the Priest – canção tenebrosa  e sarcástica em meio a distorção e peso.A instrumental Stonehenge é um prelúdio para os riffs hipnóticos e característicos do Sabbath em Zero the Hero.

O alcance vocal de Gillan mostra sua força nos seis minutos de Born Again, faixa tema o álbum, com andamento lento e mais um solo de Iommi – um dos grandes momentos do disco em que o Sabbath mergulha nas suas origens.

Born Again é ame ou odeie. Os fãs radicais levantam a bandeira de Ozzy ou Dio, mas devem ouvir sem preconceitos o trabalho de Ian Gillan, um dos maiores vocalistas do rock,  no auge. Digital Bitch é suja e cortante como alguma faixa do Judas Priest. Born Again peca pela produção, talvez por isso, muitos fãs torcerem o nariz e renegarem o disco.

O CD bônus captura a apresentação no Festival de Reading, em agosto de 1983. Bill Ward não participou da turnê e Bev Bevan (ELO) ocupa a vaga do baterista. O “set list” é composto por alguns clássicos da banda de Tony Iommi,  e de quebra o Sabbath com Gillan interpretam Smoke on the Water do Deep Purple, na época, ex-banda do vocalista. O repertório antigo pode causar certa estranheza, porém são interpretações honestas e vibrantes.

Ao término da turnê Bev Bevan e Ian Gillan deixaram a banda. Gillan, afastado desde 1973, aceita voltar para a formação clássica do Deep Puple para gravar Perfect Strangers (1984). O Sabbath, depois de vários testes com vocalistas, efetiva Tony Martin. Dio ainda voltaria a assumir os vocais em Dehumanizer (1992).

Tracking List

Disc 1:

1. Trashed
2. Stonehenge
3. Disturbing The Priest
4. The Dark
5. Zero The Hero
6. Digital Beach
7. Born Again
8. Hot Line
9. Keep it Warm

Disc 2:

1.  The Fallen
2.  Stonehenge (Extended Version)
3.  Hot Line (Live At Reading Festival, August 1983)
4.  War Pigs
5.  Black Sabbath
6.  The Dark (Live At Reading Festival, August 1983)
7.  Zero The Hero (Live At Reading Festival, August 1983)
8.  Digital Bitch ((Live At Reading Festival, August 1983)
9.  Iron Man
10. Smoke On The Water
11. Paranoid

CD: Born Again – Deluxe Edition, 2011
Artista: Black Sabbath
Gravadora: Sanctuary


08
maio
11

LP: So, Peter Gabriel (1986)

Charles Antunes Leite

ÁLBUM CLÁSSICO

O disco So (1986) completa 25 anos de lançamento este mês. Foi com esse quinto trabalho com músicas originais que Peter Gabriel conseguiu atingir êxito mundial na carreira solo.

O Peter Gabriel mais experimental e de raízes progressivas se aproxima do pop (mais elaborado) tão perseguido pelo colega de banda Phil Collins. Ele dividiu a produção com  Daniel Lanois (U2), que também tocou guitarra no álbum, e contou com um grupo de músicos que incluía o baixista Tony Levin e os bateristas Stewart Copeland (The Police)  e Manu Katché .

Sledgehammer é um caso à parte. O mega hit que frequentou pistas de dança – trazia o timbre vocal semelhante ao de Steve Winwood,  cozinha funk acompanhada pelo naipe de metais e backing vocal de black music – era difícil ficar parado quando tocava. O Clipe da música, vinha na vanguarda do artista Peter Gabriel, concebido sob colagens feitas em animação stop motion, e que incluía na equipe de animação Peter Lord e Nick Park que dirigiriam A Fuga das Galinhas (2000). As técnicas utilizadas naquela época, na atualidade são até simplórias, porém obras de arte são atemporais. O vídeo clipe levou nove prêmios MTV, em 1987.

O dueto Don’t Give Up com Kate Bush é um momento mais reflexivo – a letra fala das derrotas e da necessidade de reunir forças para tentar novamente. Em Mercy Street, a percussão leve (surdo, triângulo e congas tocados pelo brasileiro Djalma Correa) acompanham as palavras sussurradas por Gabriel – que ficou conhecida no Brasil, numa interpretação de Ritchie, incluída na trilha sonora da minisérie O Sorriso do Lagarto.

In Your Eyes  conta com o vocal do camarada senegalês Yossou N’Dour e foi incluída no filme Digam o Que Quiserem (Say Anything, 1989) com o John Cusack; Red Rain e Big Time dispensam comentários ao lado das outras duas faixas que não chegaram a ser executadas em FMs. So foi relançado com uma faixa bônus em CD e vinil remasterizado de 200 gramas, em 2003, no Reino Unido.

Lado A
1. Red Rain
2. Sledgehammer
3. Don’t Give Up
4. That Voice Again
Lado B
1. In Your Eyes
2. Mercy Street
3. Big Time
4. We Do What We’re Told (Milgram’s 37)

LP: So, 1986
Artista: Peter Gabriel
Gravadora: Virgin – RCA

05
maio
11

DVD: Fome de Viver, Tony Scott (1983)

FILME CULT

Charles Antunes Leite

Os vampiros estão presentes no cinema desde Nosferatu (1922). Com a passagem dos anos,  os efeitos especiais foram evoluindo e a qualidade dos filmes diminuindo. Bela Lugosi foi o ator mais emblemático a interpretar Drácula (1931). O britânico Christopher Lee nasceu no mesmo ano em que  Nosferatu foi produzido, e se tornou conhecido pela a interpretação de Drácula (1958).

Na década de 1980, comédias adolescentes desmitificaram a figura do vampiro. Drácula de Bram Stoker (1992) e Entrevista com o Vampiro (1994) recuperaram o prestígio do personagem. Na primeira década do século 21, vampiros caíram no modismo – o Cinema e a Televisão despejaram as mais variadas versões para os seres das trevas. Os piores exemplos ficaram por conta da saga Crepúsculo com vampiros bonitinhos e castos.

Tony Scott, irmão mais novo de Ridley Scott (Blade Runner, 1982), migrou do mercado publicitário para o cinema e se tornou conhecido por Ases Indomáveis (1986) e Amor a Queima Roupa (1993). Antes de se firmar em Hollywood, ele dirigiu Fome de Viver (1983). A bela fotografia e edição privilegiavam as cenas de erotismo e a bestialidade dos vampiros em busca sexo e sangue. A dicotomia prazer e dor, vida e morte, não necessariamente nessa ordem – componentes fundamentais para histórias vampirescas.

A música é um elemento necessário em todas as produções, principalmente filmes de suspense e terror. No filme de Scott, peças como o Trio in E-Flat, Op. 100 de Schubert e Flower Duet da ópera Lakmé de Delibes (uma versão moderna da ária foi utilizada num anúncio de companhia aérea) foram utilizadas em momentos mais românticos em contraponto com  o score original para sustentar os momentos mais tensos. A trilha sonora suave representa o dia e a noite é guiada pela música mais densa.

No filme de Scott cenas de erotismo e sangue povoam a tela. Há momentos de sensibilidade protagonizados pelo casal formado por Miriam vivida por Catherine Deneuve (Indochina) que havia transformado John interpretado por David Bowie (Merry Christmas Mr. Lawrence) em seu amante, muitos anos antes. Os dois saem pela noite nova iorquina em busca de sexo (alimento) durante o dia passam a imagem de um casal aristocrático e respeitado.

Na produção “teen”, os protagonistas Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson) vivem um amor platônico e comportado até para os padrões da Sessão da Tarde.

Na primeira sequência, o tema Bela Lugosi’s Dead (não faz parte da trilha sonora) é executado de forma intermitente, intercalado à  performance claustrofóbica de Peter Murphy, o vocalista da banda Bauhaus, com a cena em que Míriam e John  seduzem um casal que os acompanha em busca de sexo casual, e se tornam presas fáceis para saciar a fome de vida dos vampiros contemporâneos.

John é acometido de uma doença degenerativa, o que faz com que envelheça rapidamente. Ele procura a ajuda da Dra. Sarah Roberts vivida por Susan Sarandon (Thelma & Louise) que passa a manter uma relação romântica com Miriam que, mesmo amando John, precisa de uma companhia para a eternidade.

Não basta sangue para viver, é preciso juventude e beleza. Não existe amor eterno para seres seculares “a fila anda”.

DVD: Fome de Viver,ING, 1983
Título Original: The Hunger
Direção: Tony Scott
Duração: 96 min
Distribuidora: Warner Home Video

25
abr
11

DVD: Aurora – uma canção de dois humanos, W.F. Murnau (1927)

Charles Antunes Leite

FILME CLÁSSICO

O cineasta alemão W.F. Murnau teve uma carreira marcada por grandes filmes numa época em que o cinema engatinhava e os diretores não tinham tecnologia à disposição, mas possuíam imaginação de sobra para contar histórias. Murnau é constantemente associado a Nosferatu (1922), obra-prima do expressionismo alemão.

Na trama a mulher da cidade (Margaret Livingston), em férias no campo, conhece o fazendeiro (George O’Brien), com quem passa a manter um relacionamento amoroso. O romance afeta a estabilidade afetiva e financeira do casal.  A forasteira propõe que durante um passeio de barco ele forje o afogamento “acidental” da esposa (Janet Gaynor) e depois venda a fazenda para viver com ela na metrópole.

O marido é assediado pela culpa, o que pode ser percebido, já na primeira vez em que sai às escondidas para um encontro fortuito com a amante. No momento em que está para concluir o plano nefasto, se arrepende, e corroído pelo remorso tenta se redimir junto à esposa, que amedontrada foge e é seguida por ele até a cidade.

Os dois entram numa igreja durante um casamento e ele se lembra do dia em que prometeu amar e respeitar aquela mulher ao seu lado. O pecador arrependido, aos olhos de Deus, pede perdão e sente que pode recomeçar.

Em meio ao trânsito caótico e sem semáforos em que carros, carruagens e bondes dividem o espaço com os pedestres na metrópole, eles caminham pela praça.  Alheios a tudo em volta, como se estivessem numa campina, o casal se beija apaixonadamente interrompendo o tráfego – ficam cercados por veículos.  A cena se repetiria  com um marinheiro e uma enfermeira em Times Square, em comemoração ao término da Segunda Guerra Mundial, dezoito anos depois. O clima de lua de mel poderia salvar o casamento ao voltarem para casa?

Aurora (1927), o primeiro longa de Murnau produzido em Hollywood, e até então a produção mais cara da Fox, recebeu três estatuetas da Academia de Cinema. A premiação ocorreu em 1929, no entanto, o troféu receberia o nome de Oscar somente em 1931. O filme levou o prêmio de melhor atriz Janet Gaynor, conhecida por Nasce Uma Estrela;  melhor Fotografia e Qualidade Artística.

A fotografia em Preto e Branco realça a luz e a sombra para representar as diferenças entre as paisagens bucólicas e ritmo frenético da cidade. O olhar dos personagens seja de paixão, fúria ou ternura por si informa e transmite tudo o que o espectador precisa saber para entender o que se passa na tela. O impacto visual de Aurora faz com que a história seja contada sem a necessidade de dizer uma única palavra.

Em Aurora, o som ambiente foi sincronizado com filme.  A trilha sonora original é empregada pela primeira vez. O score de Hugo Riesenfeld conduz os momentos de romance, luxúria, tensão, dor, devaneio e reconciliação.

Murnau faz o uso de diversos recursos técnicos trazidos do expressionismo alemão. Consta que o diretor utilizou crianças e anões para dar profundidade de campo. Ele rodou um plano-sequência a caminhada da mulher da cidade, que foi dividida em várias cenas na montagem final; a sobreposição de imagens do campo e da cidade, entre outros recursos.

O diretor morreu em acidente automobilístico em 1931, porém Aurora se firmou como obra atemporal e inovadora no final do século 20, sendo eleito pela elite dos cineastas e críticos como um dos filmes mais importantes de todos os tempos ao lado de obras como O Encouraçado Potemkin de  Sergei Eisenstein e Cidadão Kane  de Orson Welles.

A aurora é mais brilhante e majestosa depois de uma noite de tormenta. Aurora é  um poema visual e quase cem anos depois, cada frame do filme é capaz de representar mais que mil palavras…

DVD: Aurora – Uma canção de dois humanos, EUA, 1927
Título original: Sunrise: A Song of Two Humans
Direção: F.W. Murnau
Duração: 90 min
Distribuidora: Versátil

24
out
10

Discos da Legião Urbana são relançados em CD e LP (2010)

Charles Antunes Leite

Legião Urbana foi uma das bandas mais criativas e populares do rock nacional da década de 1980. Desde o primeiro disco, o grupo arregimentou fãs apaixonados pela poesia e carisma do vocalista e compositor Renato Russo, que ao lado de Cazuza e Arnaldo Antunes formaram a tríade de poetas do rock tupiniquim.

Edição especial para colecionador (Foto: Divulgação)

Mesmo após a morte de Renato Russo em outubro de 1996, os discos do grupo continuaram a ser procurados, motivo pelo qual permaneceram em catálogo. Quatro registros ao vivo foram lançados postumamente, em um deles o grupo dividiu o palco com os Paralamas do Sucesso.

A EMI relança os discos de estúdio com textos e fotos inéditas: Legião Urbana (1985); Dois (1986); Que País é este (1987); As Quatro Estações (1989); V (1991); Descobrimento do Brasil (1994); A Tempestade (1996) e Uma Outra Estação (1997).

A Tempestade ou o Livro dos Dias e Uma Outra Estação saem pela primeira vez em LPs duplos. (Foto: Divulgação)

Eles podem ser adquiridos nos formatos CD Digipack, caixa de luxo com os oito títulos e em vinil com capa dupla. A Tempestade ou o Livro dos Dias e Uma Outra Estação saem pela primeira vez em LPs duplos. Para os fãs de discos de vinil é a oportunidade de ouvir pela primeira vez os dois últimos trabalhos da banda em ‘bolachão’.




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